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Future of MoneyCPTO
30/08/2026
3 min

A nova aliança entre reguladores e algoritmos no mercado de capitais

A CVM deu um passo importante ao incluir inteligência artificial no seu processo de supervisão

A nova aliança entre reguladores e algoritmos no mercado de capitais

Por Anderson Timm*

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu um passo concreto rumo à modernização de sua fiscalização. O órgão iniciou tratativas com o Impa Tech, instituição de ensino superior vinculada ao Instituto de Matemática Pura e Aplicada, para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas à supervisão do mercado de capitais.

A expectativa é que a tecnologia amplie de forma significativa a capacidade do órgão regulador de processar grandes volumes de dados, reconhecer padrões atípicos e flagrar possíveis irregularidades com muito mais velocidade.

Na prática, a IA ajudará a CVM, por exemplo, a analisar negociações atípicas, com algoritmos cruzando volume, preço, horário e perfil de investidores para apontar comportamentos fora do padrão, como picos de compra pouco antes da divulgação de um fato relevante.

Outra frente promissora está na leitura automatizada de documentos regulatórios. Ferramentas de processamento de linguagem natural conseguem varrer prospectos, fatos relevantes, atas e relatórios em busca de inconsistências e cláusulas de risco mal explicadas, tarefa que hoje consome semanas de análise manual.

Experiência internacional

O movimento brasileiro não é isolado e reflete uma tendência já avançada em outras jurisdições. Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC) recorre há algum tempo a dados e modelos analíticos dentro de seus programas de supervisão. A força-tarefa de IA do órgão americano desenvolve ferramentas para selecionar participantes prioritários para inspeção, detectar fraudes e violações, revisar documentos regulatórios e mensurar riscos sistêmicos.

Experiência semelhante se repete em outros mercados relevantes. Um levantamento da International Organization of Securities Commissions (IOSCO), organização que reúne reguladores de mercado de capitais de mais de 130 jurisdições e da qual a CVM é membro, mostrou que 49% dos participantes de mercado consultados já haviam adotado alguma forma de Inteligência Artificial em suas operações.

No Reino Unido, a Financial Conduct Authority (FCA) testou modelos capazes de identificar manipulações entre diferentes mercados, reconhecer padrões anormais de negociação e reduzir o volume de falsos positivos nos alertas de abuso de mercado.

Já na Austrália, a Australian Securities and Investments Commission (ASIC) caminha um passo à frente e opera um sistema que rastreia automaticamente operações suspeitas, além de mapear conexões entre investidores e possíveis fontes de informação privilegiada. Mas vale lembrar que, em todos os casos, a IA deve atuar como camada de pré-triagem e apoio à decisão, nunca como substituta da análise e do julgamento humano.

Esse avanço regulatório impõe um recado direto às assessorias e consultorias de investimentos: o compliance reativo perdeu validade. A urgência agora é construir uma atuação verdadeiramente preventiva, o que exige revisar políticas internas, fortalecer controles, organizar a governança de dados e definir critérios claros para o uso responsável da inteligência artificial dentro das próprias empresas.

As organizações que se anteciparem a esse movimento e começarem a estruturar seus processos desde já estarão em posição mais confortável para atender às novas exigências regulatórias, reduzir riscos de inconsistências e evitar que a adequação só ocorra sob pressão de uma fiscalização, ou pior, de uma autuação já em curso.

*Anderson Timm é CEO da Veritas

AutorDa Redação
FonteExame
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