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Bolsa e dólarACS
27/07/2026
5 min

A nova aposta da JiveMauá: gestora troca o chapéu de credora pelo de controladora e assume Rota Verde Goiás — e já prepara novos passos

A nova aposta da JiveMauá: gestora troca o chapéu de credora pelo de controladora e assume Rota Verde Goiás — e já prepara novos passos

Depois de entrar na operação como credora, a JiveMauá assumiu de vez o controle da concessionária Rota Verde Goiás e estreou no mercado de equity de infraestrutura. O movimento amplia a atuação da gestora, conhecida por comprar ativos estressados, estruturar dívidas e financiar empresas em reestruturação.

A virada começou no fim do ano passado, quando a gestora decidiu financiar a Azevedo & Travassos (AZEV3) com R$ 454 milhões. À primeira vista, a operação parecia uma aposta arriscada até mesmo para uma casa especializada em ativos estressados, já que a empresa de engenharia atravessa uma longa crise financeira.

Mas o objetivo era maior: abrir caminho para uma ofensiva no mercado de infraestrutura. O alvo era justamente a concessionária, que administra trechos das BR-060 e BR-452, no Centro-Oeste.

Relevante para o escoamento de soja e milho e situada em um polo do agronegócio, com uma malha ferroviária que complementa a da própria Rumo (RAIL3), a concessionária tem faturamento da ordem de R$ 500 milhões por ano — à época, controlada pela construtora.

Após a aprovação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ativo passou definitivamente para as mãos da gestora, que assumiu 80% do capital da concessionária. A Tecpav, empresa goiana especializada em infraestrutura rodoviária, permanece como sócia com os 20% restantes.

O investimento inicial na Azevedo & Travassos aconteceu porque o contrato de concessão impedia uma troca de controle naquele momento, então a JiveMauá entrou como credora para viabilizar os investimentos exigidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no trecho, com os quais a companhia Azevedo & Travassos não conseguia arcar.

Para entender a estratégia, o Seu Dinheiro conversou com Bernardo Guterres, sócio responsável pela área de Distressed & Special Situations, e Diego Fonseca, sócio e CFO da JiveMauá.

JiveMauá aposta firme em infraestrutura

"A tese nasceu como uma operação de crédito, mas terminou como um investimento de capital. Foi uma evolução natural conforme o projeto avançou", resumiu Guterres. Segundo o executivo, a gestora decidiu mudar de posição depois de concluir que a antiga estrutura societária dificilmente conseguiria levar adiante o projeto.

Para Fonseca, a experiência acumulada ao longo dos últimos anos financiando projetos de infraestrutura mostrou que havia espaço para ampliar a atuação. Segundo ele, a Rota Verde deve ser apenas o primeiro passo dessa estratégia.

A gestora já estuda novos ativos no Centro-Oeste, incluindo a chamada Rota do Pequi, corredor entre Brasília (DF) e Goiânia (GO) que deve passar por um processo de otimização.

Na avaliação de Guterres, o momento é especialmente favorável para esse tipo de investimento. Com os juros elevados, muitos investidores reduziram o apetite por projetos de infraestrutura, enquanto o Brasil mantém uma carteira robusta de concessões e um ambiente regulatório mais maduro do que em ciclos anteriores.

Além disso, os primeiros resultados da Rota Verde reforçam a confiança da JiveMauá na estratégia. Após a conclusão dos investimentos obrigatórios, a concessionária iniciou a cobrança de pedágio em sistema free flow, se tornando a primeira de Goiás a operar com o modelo eletrônico.

"Estamos apenas nos primeiros 40 dias de uma concessão de 30 anos e, até agora, tudo aconteceu acima das nossas expectativas. Conseguimos cumprir todos os marcos exigidos, colocar a operação de pé e iniciar a cobrança de pedágio. Esse começo nos dá bastante confiança no potencial da concessão", afirmou Fonseca.

Além das obras previstas de melhorias no contrato, a empresa implantou oito Serviços de Atendimento ao Usuário (SAUs), equipados com ambulâncias, guinchos e equipes de atendimento, lançou um aplicativo para pagamento das tarifas e instalou totens de cobrança ao longo da rodovia para facilitar a adaptação dos motoristas.

Embora ainda não divulgue indicadores operacionais, a gestora afirma que o fluxo de veículos ficou acima das projeções iniciais e que a adesão ao pagamento por tags, como Sem Parar e ConectCar, também superou as expectativas, reduzindo a inadimplência esperada para o início da operação.

"Uma preocupação que tínhamos era a inadimplência, por ser um sistema de free flow. Mas a adesão às tags ficou acima do que esperávamos, o que acabou reduzindo esse risco logo no início da operação", diz Fonseca.

As demais apostas e infraestrutura da JiveMauá

O plano da gestora que detém cerca de R$ 27 bilhões em ativos sob gestão vai além das estradas. A casa também avalia oportunidades em setores como energia, saneamento, data centers, portos e aeroportos, — principalmente em ativos que necessitem de uma reestruturação financeira ou de um novo sócio capaz de aportar capital.

"A gente enxerga um pipeline muito robusto. O Brasil deve investir cerca de R$ 1 trilhão em infraestrutura até 2030, mas ainda existe pouco capital disposto a assumir esse tipo de risco. É justamente nesse espaço que acreditamos conseguir gerar valor", afirmou.

Entre as novas frentes avaliadas pela gestora, os data centers aparecem como uma das apostas mais promissoras.

Na visão da JiveMauá, o avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem deve impulsionar uma nova onda de investimentos em infraestrutura digital nos próximos anos, criando oportunidades para investidores de longo prazo.

Segundo Fonseca, o setor reúne características semelhantes às de concessões tradicionais: demanda crescente, contratos de longo prazo e necessidade de grandes aportes de capital. A diferença é que, em vez de rodovias ou aeroportos, o ativo é a capacidade de processamento e armazenamento de dados.

Para a gestora, o desafio será identificar projetos que precisem de um sócio financeiro para acelerar sua expansão ou destravar investimentos, repetindo a estratégia utilizada em outros segmentos de infraestrutura. Embora ainda não haja um alvo definido, Fonseca afirmou que os data centers estão entre as prioridades do pipeline da casa.

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
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