A nova aposta milionária de um engenheiro brasileiro que constrói casas de luxo nos EUA
Depois de atuar no Brasil, Angola e Estados Unidos, Renato Lerner aposta em uma plataforma de inteligência artificial para preparar construtoras para crescer

Aos olhos de muitos empresários, crescimento é sinônimo de sucesso. Para Renato Lerner, a experiência de quase três décadas no setor de construção civil mostrou que a relação pode ser mais complexa: uma empresa pode vender mais, assumir novas obras e aumentar o faturamento enquanto sua estrutura se torna mais frágil.
Foi essa percepção que levou o engenheiro brasileiro a criar a Elevare Capability, uma construtech que usa inteligência artificialpara diagnosticar problemas de gestão em construtoras e incorporadoras. A empresa projeta faturar R$ 4,5 milhões no primeiro ano de operação.
A nova empreitada é o capítulo mais recente de uma trajetória que passou por diferentes mercados. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Pernambuco, Lerner começou a empreender em 1997, quando abriu a Lerner Engenharia, focada no desenvolvimento de empreendimentos industriais.
“Durante muito tempo associamos crescimento empresarial a sucesso, mas na construção crescer também aumenta risco. Uma obra consome caixa, pessoas e capacidade operacional antes mesmo de produzir resultado”, afirma Lerner.
Como a construção civil levou Lerner do Brasil aos Estados Unidos
Antes de se tornar incorporador de imóveis de luxo na Flórida, Lerner construiu uma carreira em diferentes segmentos da engenharia. Em 1997, além da própria empresa, foi convidado pela Giltec para atuar na implantação da infraestrutura de telefonia celular no Brasil.
Durante seis anos, participou de projetos ligados à expansão de operadoras como BCP, Oi, GVT e Vésper, com mais de 450 torres registradas em seu nome no Crea.
Em 2008, decidiu internacionalizar a carreira e assumiu como CEO da Fator Engenharia e Construção, em Angola. A empresa tinha foco em projetos residenciais e entregou mais de 300 casas durante sua gestão.
Dois anos depois, abriu a própria companhia no país, a Engepal Engenharia, que ampliou a atuação para projetos industriais, supermercados e obras públicas. Durante esse período, Lerner desenvolveu 22 empreendimentos de luxo na Ilha de Luanda.
A experiência internacional também trouxe projetos fora da construção. Em 2015, criou uma clínica em Angola voltada ao atendimento de crianças com síndrome de Down e autismo, em uma iniciativa que trouxe profissionais do Brasil e Portugal.
Como surgiu a operação de imóveis de luxo na Flórida
Em 2015, Lerner mudou-se com a família para Miami e, no ano seguinte, abriu a Invision Real Estate Investments, empresa dedicada ao desenvolvimento de imóveis residenciais de luxo no sul da Flórida.
Desde 2019, passou a dedicar mais tempo ao mercado americano, atuando na construção de residências de alto padrão. A empresa trabalha desde a busca pelo terreno e definição do produto até a construção, no modelo conhecido nos Estados Unidos como general contractor.
A operação já entregou 14 residências na Flórida desde 2016, com um valor geral de vendas estimado em US$ 40 milhões. Parte dos projetos foi feita com participação de investidores parceiros.
Apesar de estar em uma região conhecida pela presença brasileira, o empresário diz que seus compradores foram americanos.
“Eu nunca vendi uma casa para brasileira. Todas as casas que fizemos foram para o mercado, e todos que compraram foram americanos”, afirma. Para ele, viver no mercado americano ajudou a entender uma cultura empresarial mais baseada em processos e análise de risco.
Por que ele criou uma empresa para diagnosticar construtoras
A criação da Elevare nasceu justamente da experiência acumulada em diferentes mercados. Segundo Lerner, um dos principais problemas das construtoras é crescer olhando apenas para vendas e obras contratadas, sem avaliar se possuem caixa, equipe e processos suficientes para absorver a expansão.
A plataforma foi criada para ajudar empresas a identificar fragilidades antes que elas apareçam nos balanços financeiros.
O público-alvo são construtoras e incorporadoras de pequeno e médio porte. A ferramenta combina entrevistas com gestores, indicadores próprios e inteligência artificial para mapear pontos como capacidade operacional, controle, finanças, pessoas e mercado.
“Não trabalhamos principalmente com empresas em crise, mas com empresas que estão crescendo e querem crescer cada vez mais nos próximos 12, 24 meses, para atuar antes que o problema aconteça”, explica.
O que a Elevare pretende mudar na gestão das empresas
A metodologia da empresa começa com um diagnóstico e segue com um plano de ação acompanhado por indicadores. O objetivo é transformar problemas de gestão em números e gráficos que possam ser acompanhados pelos executivos.
Para Lerner, o desafio do setor é deixar de olhar apenas para indicadores tradicionais, como faturamento e lucro, e acompanhar sinais que mostram se a organização tem capacidade de sustentar a expansão.
“Às vezes o empresário acha que está aumentando o faturamento, os números estão muito bons, mas na verdade ele está entrando em um processo de quebra que só vai aparecer daqui a um ou dois anos”, afirma.
A estratégia agora é ampliar a atuação da consultoria, principalmente no Brasil. “Hoje nós estamos com um foco muito forte no Brasil. Temos algumas empresas com as quais estamos conversando, mas meu foco maior é desenvolver cada vez mais a metodologia no Brasil”, diz.
