A nova concorrência da SpaceX não está no espaço, mas nas operadoras

A SpaceX pode entrar em uma nova avenida — e, dessa vez, não tem nada muito a ver com o espaço.
A presidente e COO da empresa fundada por Elon Musk, Gwynne Shotwell, disse a investidores que a companhia planeja lançar um novo serviço terrestre Starlink que venderá contratos de telefonia móvel diretamente para pessoas físicas nos Estados Unidos, segundo o The Verge.
Isso faria com que uma das empresas mais valiosas do mundo atualmente entrasse também no mercado de telefonia, competindo diretamente com operadoras como Verizon, T-Mobile e AT&T.
Para analistas, uma das probabilidades para que a SpaceX entre de cabeça no setor é uma parceria justamente com a alemã T-Mobile, ou uma possível união com uma das três operadoras, o que ajudaria a acelerar o movimento e resolveria um possível problema de escalabilidade para a Starlink.
“Caso a SpaceX não consiga fechar um acordo (de rede no atacado), ou simplesmente deseje a economia que os proprietários desejam e faça isso rapidamente, a T-Mobile nos parece a escolha óbvia, dado seu momento de crescimento, cultura inovadora, fato de ser uma provedora de serviços sem fio pura e parceria existente com a Starlink”, disse Gregory Williams, analista da TD Cowen, ao Seeking Alpha.
Segundo os analistas, a união ajudaria a Starlink a aumentar a capacidade e desenvolver tecnologia de comunicação direta via satélite para eliminar áreas rurais sem cobertura.
Mas, para oferecer serviços sem fio terrestres e via satélite, a empresa de Musk precisaria alugar capacidade de rede de uma dessas três grandes operadoras em regime de atacado.
"A SpaceX precisaria de um vendedor disposto", disse Williams ao Seeking Alpha sobre uma possível aquisição da empresa de telecomunicações. "E, como a T-Mobile seria a opção mais adequada, essa dinâmica com a SpaceX pode ter motivado a Deutsche Telekom, proprietária da T-Mobile, a buscar o controle total de sua lucrativa subsidiária nos EUA."
O poder da Starlink
A Starlink é hoje o maior negócio da SpaceX por receita e o único segmento operacionalmente lucrativo.
Gerou US$ 11,4 bilhões em 2025, 61% da receita total, com margem Ebitda de 63%, muito acima dos 20% típicos de operadoras tradicionais de satélite. No ano, o segmento registrou US$ 4,4 bilhões em lucro operacional.
A Starlink chegou a 10,3 milhões de assinantes no primeiro trimestre de 2026, ante 5 milhões no fim de 2024. A rede está adicionando cerca de 1,5 milhão de novos clientes por mês.
O preço médio por usuário caiu ao longo do tempo, o mercado se expande para clientes de menor renda, mas com mais volume.
