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Sacre Investimentos
EmpresasACS
04/08/2026
6 min

A Pague Menos (PGMN3) não vai descansar até alcançar a RD Saúde: “exploramos só um terço do potencial”, diz CEO

O balanço do segundo trimestre reforçou a melhora operacional da Pague Menos, levou as ações à maior alta do dia e reacendeu o debate sobre os impactos da normalização das vendas de medicamentos da classe GLP-1, como o Ozempic, no setor farmacêutico

A Pague Menos (PGMN3) não vai descansar até alcançar a RD Saúde: “exploramos só um terço do potencial”, diz CEO

A Pague Menos (PGMN3) fez a festa na bolsa hoje, depois de entregar um balanço marcado por rentabilidade recorde e forte geração de caixa no segundo trimestre de 2026. As ações fecharam o dia em alta de 8,92%, negociadas a R$ 3,54.

Os números mostraram um recorde histórico na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia, que avançou 0,4 ponto percentual (p.p) em base anual, para 6,5%. Esse indicador mostra qual percentual da receita líquida é convertido em resultado operacional, funcionando como um termômetro da eficiência da companhia.

Em entrevista ao Seu Dinheiro, o CEO da rede de farmácias, Jonas Marques, afirmou que o resultado representa um novo patamar para a companhia, mas ressaltou que ainda há espaço para novos ganhos daqui para a frente.

"A gente não vai descansar antes de realmente fechar o gap em relação ao principal competidor do setor", disse em referência à RD Saúde (RADL3), principal parâmetro de comparação do mercado em termos de rentabilidade. No primeiro trimestre, a concorrente registrou margem Ebitda de 6,9%, os novos resultados devem ser divulgados nesta terça-feira (4).

Segundo o executivo, a companhia capturou até agora apenas um terço das alavancas previstas em seu plano estratégico para aumentar a eficiência operacional. Entre elas estão melhorias em compras, gerenciamento de categorias, política de preços, layout das lojas e controle de despesas. Você pode conferir em detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.

Os destaques positivos do balanço da Pague Menos

Um dos pontos elogiados pelos analistas da XP e Itaú BBA foi que a empresa conseguiu entregar essa rentabilidade mesmo com uma queda de mais de 10 p.p nas vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês), para 8%. O indicador mostra o desempenho das unidades abertas há pelo menos um ano.

A desaceleração refletiu uma base de comparação mais forte e a menor contribuição dos medicamentos da classe GLP-1 — como o Ozempic —, que vêm impulsionando o mercado de tratamentos para obesidade nos últimos anos.

"Nós tivemos um crescimento um pouco abaixo do que gostaríamos. Mesmo assim, foi robusto porque a base de comparação foi muito forte", disse Marques, que também destacou problemas operacionais e experiência do usuário como fatores que impactaram nesse desempenho.

Outro ponto ressaltado pelos analistas foi a geração de caixa. Apesar da pressão temporária provocada pela abertura do novo centro de distribuição na Paraíba, o fluxo de caixa livre permaneceu positivo, enquanto a alavancagem financeira caiu de 2,6 vezes para 1,8 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda na comparação anual, dando continuidade ao processo de desalavancagem da companhia.

A desaceleração das canetas emagrecedoras

Um ponto de atenção levantado pelos analistas ficou para a desaceleração das vendas de medicamentos da classe GLP-1.

Após se consolidarem como um dos principais motores de crescimento das redes de farmácia nos últimos anos, essas canetas emagrecedoras passaram a ser vistas com mais cautela pelo mercado.

A preocupação decorre da intensificação da concorrência entre fabricantes após a queda da patente da semaglutida, que vem pressionando os preços, e do avanço do mercado informal, que tem desviado parte da demanda dos canais tradicionais. Entenda nesta reportagem do Seu Dinheiro.

A participação desses remédios nas vendas totais da Pague Menos caiu para 8,2% no segundo trimestre, uma redução de 0,8 p.p em relação ao trimestre anterior, a primeira queda sequencial desde que a classe ganhou relevância.

Segundo a companhia, esse movimento refletiu principalmente uma base de comparação mais forte após o lançamento da tirzepatida (princípio ativo por trás do Monjauro) no mercado brasileiro, em maio de 2025.

A desaceleração ocorre justamente em um momento em que investidores passaram a questionar se o aumento do volume de vendas será suficiente para compensar a queda dos preços dos medicamentos, intensificada pela chegada dos similares da semaglutida e pela maior competição no segmento.

Mas o CEO da Pague Menos vê exagero na preocupação

Na visão de Marques, há uma certa ansiedade injustificada por parte do mercado. Para ele, os investidores estão olhando para o desempenho do GLP-1 com um horizonte muito curto, sem considerar que a classe de medicamentos ainda está no início de seu ciclo de expansão no Brasil.

"O que mais me chama atenção é o imediatismo do mercado. Há três anos não existia GLP-1. Ninguém falava disso. Hoje esse mercado vai ultrapassar R$ 10 bilhões no Brasil", disse o CEO da Pague Menos.

Segundo o CEO, a queda dos preços após a entrada dos similares da semaglutida deve ampliar significativamente o mercado consumidor, mais do que compensando a pressão sobre os valores dos medicamentos.

"É óbvio que esse mercado vai crescer. Ele cresce em volume, cresce em tamanho. Nunca mais a gente vai voltar a ser um mundo sem semaglutida", afirmou.

Marques também minimizou a chamada "guerra de preços" iniciada com a chegada dos similares. Na avaliação do executivo, o aumento da concorrência tende a reduzir os preços ao consumidor, mas também amplia o poder de negociação das grandes redes de farmácias junto aos fabricantes, o que pode ajudar a recompor as margens da categoria ao longo do tempo.

Na avaliação do executivo, a expectativa é de que a expansão do mercado fique mais evidente já no terceiro ou quarto trimestre deste ano.

Além disso, a companhia observou que a maior parte dos compradores dos novos similares nunca havia adquirido medicamentos da classe anteriormente, indicando que a redução dos preços está ampliando a base de consumidores, e não apenas deslocando clientes entre marcas.

Ação barata demais para ignorar

Apesar das preocupações com a desaceleração do crescimento, os bancos avaliam que o mercado exagerou na queda recente das ações da Pague Menos, que acumulam queda de mais de 40% no ano. Na visão dos analistas, a melhora consistente da rentabilidade e da geração de caixa faz com que os papéis sejam negociados a múltiplos considerados atrativos.

O Itaú BBA foi o mais enfático. O banco afirma que o mercado reduziu as expectativas para a companhia por conta da normalização dos GLP-1 e da maior exposição da Pague Menos ao Nordeste, região que tem apresentado um consumo mais fraco.

Mas, mesmo incorporando esse cenário mais conservador nas projeções, o banco afirma que a ação caiu além do razoável e está barata demais para ignorar. Segundo o time, o papel negocia a aproximadamente 5 vezes o lucro esperado para 2027, um múltiplo considerado extraordinariamente baixo. O banco recomenda a compra dos papéis, assim como a XP e BB Investimentos.

Marques também vê a ação barata. Na visão do executivo, parte dessa percepção decorre do fato de a empresa ainda apresentar uma alavancagem superior à de seus principais concorrentes, o que costuma penalizar companhias em um cenário de juros elevados.

No entanto, o CEO acredita que essa percepção tende a mudar à medida que a companhia continue reduzindo o endividamento.

"A gente está pagando a dívida com crescimento do Ebitda. Foi realmente forte crescimento de venda, venda média por loja, diluição de despesas e trabalhos estruturantes", disse ao Seu Dinheiro.

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
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