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Sacre Investimentos
EconomiaACSCMDT
02/07/2026
2 min

A palavra-chave que dita o ritmo de concessão de crédito do Itaú BBA na nova safra, segundo diretor de agronegócio

A palavra-chave que dita o ritmo de concessão de crédito do Itaú BBA na nova safra, segundo diretor de agronegócio

A safra 2026/27 deve ser marcada por um ambiente de crédito mais criterioso para o agronegócio.

Segundo Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA, a palavra que deve orientar as decisões dos financiadores ao longo do ciclo é “seletividade”, reflexo de um cenário em que margens continuam pressionadas, juros elevados e aumento da inadimplência desafiam o caixa dos produtores.

Durante a 12ª edição do Agro em Pauta, encontro promovido pelo Itaú BBA, Fernandes afirmou que boa parte dos desafios observados na safra 2025/26 permanecem para o próximo ciclo. O executivo lembra que muitos produtores investiram durante o período de juros baixos e elevada rentabilidade e agora enfrentam um ambiente completamente diferente, com preços mais fracos para as commodities, custos ainda elevados e despesas financeiras consumindo parcela significativa do resultado operacional.

“Os produtores vêm de um cenário de investimento elevado, numa época de margens elevadas e juros muito baixos, e passaram para um cenário de margens muito pressionadas e juros altos”, afirmou.

Segundo ele, o Itaú BBA já observa um aumento da inadimplência no encerramento da safra 2025/26 em comparação ao ciclo anterior, tendência que exige maior rigor na análise de crédito para a próxima temporada.

Crédito continuará crescendo

Apesar do ambiente mais desafiador, Fernandes destacou que o banco continua comprometido com o financiamento do setor e projeta crescimento de aproximadamente 10% da carteira de crédito em 2026/27, desconsiderando os efeitos da variação cambial. O avanço, porém, será concentrado em clientes considerados mais resilientes financeiramente.

O avanço, porém, não significa afrouxamento dos critérios de concessão.

Segundo ele, produtores mais alavancados — especialmente aqueles com elevada participação de áreas arrendadas — deverão enfrentar maior dificuldade para acessar recursos.

Rentabilidade perde força

Fernandes também observa que praticamente todas as cadeias produtivas convergiram para um cenário de menor rentabilidade. Enquanto café e pecuária ainda preservam margens relativamente favoráveis, segmentos como soja, milho, cana-de-açúcar, aves e suínos passaram a enfrentar condições mais desafiadoras do que na safra anterior.

O executivo ressaltou ainda que o início do ano-safra é um período decisivo para o produtor, quando são definidas estratégias de compra de fertilizantes, adoção de tecnologia, rotação de culturas e comercialização da produção. Em sua visão, essas escolhas serão ainda mais importantes em um ambiente de custos elevados e maior restrição ao crédito.

“Continuamos acreditando no agronegócio no longo prazo, mas, no curto prazo, vemos uma série de desafios de financiabilidade”.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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