A placa do seu carro virou uma 'tag' — e ele já movimentou R$ 400 milhões com essas cobranças
Criada em 2023, a Pedágio Eletrônico usa inteligência artificial e reconhecimento de placas para conectar motoristas, concessionárias e pagamentos

RESUMO | Criada em 2023, a Pedágio Eletrônico usa a placa do veículo para consultar e pagar cobranças de pedágio sem cancela, sem exigir uma tag tradicional. Nos últimos 12 meses, a startup movimentou cerca de R$ 400 milhões em pagamentos. A empresa já está integrada a quatro concessionárias e pretende levar sua carteira digital a outros serviços de mobilidade.
Quando o motorista passa por um pedágio sem cancela, a cobrança acontece sem uma parada, sem cabine e, muitas vezes, sem que ele perceba imediatamente. A tecnologia que permite esse modelo — chamado de Free Flow — cresce no Brasil, mas também trouxe uma nova preocupação para parte dos usuários: como saber se uma passagem foi registrada e como evitar uma cobrança esquecida.
Foi justamente nesse problema que a Pedágio Eletrônico encontrou uma oportunidade de negócio. Criada em 2023, a startupdesenvolveu uma plataforma que usa a placa do veículo como identificador para consultar e realizar pagamentos de pedágios sem a necessidade de uma tag tradicional.
Nos últimos 12 meses, a empresa movimentou cerca de R$ 400 milhões em pagamentos de pedágio dentro da plataforma. O negócio também recebeu investimento da Pumatronix, companhia especializada em reconhecimento de placas e visão computacional, e está ampliando sua atuação para além das rodovias.
"A gente acredita na placa como a chave: uma identificação mais fácil, mais assertiva e mais barata nesse ecossistema", diz Pedro Hermano, CEO da Pedágio Eletrônico.
A empresa já está integrada a concessionárias como Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), no Rio Grande do Sul, Novo Litoral (CNL), em São Paulo, Via Campo, no Paraná, e Rota Verde Goiás. Segundo o executivo, a companhia está próxima de fechar contrato com a nona concessionária.
Como funciona o pagamento pela placa do veículo
O funcionamento do sistema depende de uma cadeia tecnológica que começa nas câmeras instaladas nas rodovias.
Quando um veículo passa por um pórtico de Free Flow, os equipamentos capturam a placa e transformam a informação em uma cobrança. A tecnologia faz a leitura por OCR (reconhecimento óptico de caracteres), valida os dados e verifica se existe uma passagem que precisa ser paga.
Caso o veículo tenha uma tag ativa, como Sem Parar, Veloe ou ConectCar, a cobrança segue por esse canal. Se não houver uma tag, a passagem fica disponível para pagamento nas plataformas das concessionárias e também em sistemas como a CNH Digital.
A proposta da Pedágio Eletrônico é concentrar essas informações em um único ambiente.
Pela plataforma, o motorista pode consultar débitos, fazer pagamentos via Pix, cartão ou carteira digital, cadastrar veículos, acessar histórico de passagens e receber notificações.
"A gente percebeu que o modelo construído lá atrás, em que cada concessionária teria sua própria plataforma de pagamento, seria um grande problema a longo prazo", afirma Hermano.
Segundo ele, a ideia é evitar que o motorista precise entrar em diferentes aplicativos ou sites para descobrir se possui uma cobrança pendente.
Free Flow: leitura de placas e pagamentos digitais, modelo abre espaço para novas plataformas de tecnologia. (Pedágio Eletrônico/Divulgação)
Por que a empresa aposta na inteligência artificial
A tecnologia é o principal diferencial defendido pela companhia. Segundo Hermano, a plataforma foi construída com uma arquitetura baseada em inteligência artificialdesde o início.
"O nosso produto é o único produto de fato AI first em pedágios que existe", diz.
A IA é utilizada em etapas como validação dos dados recebidos das concessionárias, identificação de divergências e conferência das informações antes da cobrança.
Como uma cobrança errada pode gerar problemas para o motorista e para a concessionária, a empresa afirma que criou camadas de validação para reduzir riscos.
"É um produto que a gente não pode ter risco, não pode ter erro de cobrança", afirma o executivo.
A startup também desenvolve ferramentas próprias para que concessionárias acompanhem dados de pagamentos e transações realizadas dentro da plataforma.
Como a startup ganha dinheiro com os pedágios
O modelo de negócio varia conforme o relacionamento com cada concessionária.
Em alguns contratos, a empresa fornece toda a infraestrutura de pagamentos, incluindo portal, aplicativo, site, equipamentos de atendimento e integração. Nesse caso, a remuneração vem de uma taxa sobre as transações realizadas.
Em outros casos, quando a concessionária já possui sua própria estrutura e a startup atua apenas conectando o usuário ao pagamento, a cobrança ocorre por uma taxa de conveniência paga pelo motorista.
A diferença em relação às empresas tradicionais de tags, segundo Hermano, é que não existe mensalidade.
"A tag cobra uma mensalidade do cliente final. Nós cobramos apenas uma taxa sobre o valor pago liquidado", explica.
Ou seja: o usuário paga quando utiliza o serviço.
De onde veio a empresa e a trajetória do fundador
Antes de criar uma empresa focada em pedágios, Hermano construiu uma trajetória ligada a tecnologia e desenvolvimento de produtos digitais.
Formado em publicidade pela ESPM, com especializações em gestão de negócios e passagem por programas como Dom Cabral e Harvard, ele começou a carreira em agências de publicidade e depois fundou uma empresa de marketing digital.
Com o avanço da transformação digital, a companhia passou a desenvolver sites, aplicativos, plataformas e softwares para grandes empresas, incluindo bancos.
Foi nesse ambiente que surgiu o primeiro contato com o setor rodoviário. Uma concessionária indicada por um banco procurou a empresa para criar um sistema capaz de integrar diferentes tecnologias utilizadas no Free Flow.
O projeto deu origem à Movvia, empresa que se tornou a base tecnológica do atual Pedágio Eletrônico. "A partir desse momento eu percebi que esse mercado ia crescer", afirma.
O próximo passo é transformar a placa em uma carteira digital A estratégia da empresa não está limitada aos pedágios. A companhia quer usar a placa como uma espécie de identificação universal para diferentes serviços ligados ao veículo.
A carteira digital criada pela startup já permite outras cobranças, como a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) de Ilhabela, e a empresa mira novos segmentos como:
- estacionamentos;
- estacionamento rotativo;
- combustível;
- débitos veiculares;
- licenciamentos.
"Em tudo que tiver cobrança pela placa, é onde a gente quer estar", diz Hermano.
Outro mercado considerado estratégico é o de frotas e transportadoras. A empresa pretende avançar sobre operações que precisam administrar pagamentos de diversos veículos simultaneamente, incluindo o mercado de Vale-Pedágio Obrigatório.
Um time enxuto para disputar um mercado dominado por grandes empresas
Apesar do volume financeiro processado, a operação ainda é pequena em estrutura. A empresa afirma ter uma equipe de cerca de 15 pessoas, trabalhando em modelo remoto.
Segundo Hermano, essa estrutura enxuta ajuda na velocidade de desenvolvimento do produto em um setor tradicionalmente dominado por grandes empresas.
"Como toda startup, a gente tem um desejo genuíno de construir algo realmente valioso para o usuário final", afirma.
A companhia recebeu investimento da Pumatronix, que comprou participação na Movvia, e também prevê novos aportes em tecnologia. Segundo o executivo, cerca de 80% dos recursos serão direcionados ao desenvolvimento do produto.
O objetivo é ampliar a integração com concessionárias e consolidar uma plataforma que, no futuro, possa concentrar diferentes pagamentos ligados à mobilidade em um único lugar.
Como funciona o pagamento de pedágio pela placa do veículo?
As câmeras instaladas nos pórticos de Free Flow capturam a placa, fazem a leitura por OCR e transformam a passagem em uma cobrança. Na plataforma da Pedágio Eletrônico, o motorista pode consultar débitos e pagar por Pix, cartão ou carteira digital.
É necessário ter uma tag para usar a Pedágio Eletrônico?
Não, a plataforma da Pedágio Eletrônico permite consultar e pagar pedágios usando a placa como identificador, sem uma tag tradicional. Caso o veículo tenha uma tag ativa da Sem Parar, Veloe ou ConectCar, a cobrança segue por esse canal.
Quanto a Pedágio Eletrônico movimentou em pagamentos?
A Pedágio Eletrônico movimentou cerca de R$ 400 milhões em pagamentos de pedágio dentro da plataforma nos últimos 12 meses.
Quais concessionárias estão integradas à Pedágio Eletrônico?
A Pedágio Eletrônico está integrada à Caminhos da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, à Novo Litoral, em São Paulo, à Via Campo, no Paraná, e à Rota Verde Goiás. Segundo Pedro Hermano, CEO da startup, a empresa está próxima de fechar contrato com a nona concessionária.
Como a Pedágio Eletrônico ganha dinheiro?
A Pedágio Eletrônico recebe uma taxa sobre as transações quando fornece a infraestrutura de pagamentos para a concessionária. Quando apenas conecta o motorista ao pagamento, a startup cobra uma taxa de conveniência do usuário, sem mensalidade, segundo Pedro Hermano.
Quais serviços poderão ser pagos pela placa além dos pedágios?
A carteira digital da Pedágio Eletrônico já permite pagar a Taxa de Preservação Ambiental de Ilhabela. A empresa pretende expandir o modelo para estacionamentos, estacionamento rotativo, combustível, débitos veiculares e licenciamentos.
