'A primeira coisa que Trump fez foi perguntar sobre o meu pai', diz Flávio Bolsonaro em Washington

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, declarou que foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca com cordialidade. Segundo ele, a primeira pergunta feita pelo republicano foi sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"A primeira coisa que ele fez foi perguntar sobre a saúde do meu pai, perguntou sobre as condições da prisão, como ele está e como a família está lidando com isso. Isso foi um gesto humano. E ficamos com profunda gratidão", disse em coletiva de imprensa, após o encontro com Trump.
Ele também ressaltou na conversa com os jornalistas que a viagem para Washington foi feita por meio de um convite direto da Casa Branca, sem o apoio de empresários. Atualmente, o senador é questionado sobre suas relações com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após confirmar financiamento do ex-banqueiro de cinebiografia de Jair Bolsonaro.
"Foi um convite direto pelo presidente dos EUA. Não houve envolvimento de nenhum empresário duvidoso. Agradeço muito pela cordialidade dele, que está no meio de um momento histórico no acordo com o Irã".
Em relação à disputa para as eleições presidenciais do Brasil, Flávio Bolsonaro classificou como "catastrófico" o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que sua visita à Casa Branca é significativa para sua campanha.
"Isso é inédito na história do Brasil. Nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu no Salão Oval um pré-candidato à presidência da República em pleno ano eleitoral. Isso não é coincidência", declarou.
"Não se trata de um prestígio pessoal meu, mas do Brasil como nação. Isso mostra que a alternativa ao governo Lula tem nome"
Classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência no Brasil, disse que pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que declare PCC e CV como entidades terroristas.
"Ao contrário de Lula, pedi a ele [Trump] que declare as facções como terroristas", disse Flávio, em entrevista coletiva após a reunião com o líder americano, feita na Casa Branca nesta terça-feira, 26.
"Pedi enfaticamente que designe o quanto antes PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras", prosseguiu.
O governo brasileiro é contra esta designação por entender que ela pode abrir espaço para que os EUA façam operações militares no território do país, além de dificultar negócios com outros países, pois diversas empresas têm restrições para atuar em lugares onde há presença terrorista.
O senador disse que, em resposta, Trump disse que iria analisar a questão. Os EUA estão adotando medidas mais duras contra o tráfico de drogas na América Latina e prenderam o presidente Nicolás Maduro, em janeiro, sob a acusação de que ele estaria envolvido com o crime organizado.
Flávio disse que chegou às 15h e saiu às 16h40, na hora local, e que o convite para a reunião partiu de Trump. Ele posou para uma foto ao lado do presidente, no Salão Oval. Além disso, outra imagem mostra os dois também com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. As fotos foram divulgadas pela campanha de Flávio.
A visita de Flávio ocorre 19 dias depois que o presidente Lula se reuniu com Trump, em 7 de maio. Na ocasião, os dois se reuniram por mais de três horas e almoçaram.
O senador enfrenta uma crise nas últimas semanas após as revelações de sua relação próxima com Daniel Vorcaro e dos R$ 61 milhões que o banqueiro destinou à produção do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro.
Relações entre Flávio e Vorcaro
O site Intercept Brasil publicou mensagens que mostram conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para marcar encontros. O senador confirmou os contatos, mas negou irregularidades.
Investigadores avaliam que o avanço das apurações reduz a margem para um acordo considerado vantajoso para o banqueiro. A colaboração premiada prevê mecanismos como confissão de crimes, pagamento de multa e entrega de provas, em troca de possíveis benefícios judiciais, incluindo redução de pena.
Antes das negociações, Vorcaro havia solicitado transferência da Penitenciária Federal de Brasília e garantias de proteção para familiares.
Na semana passada, a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. Ele é investigado sob suspeita de atuar como operador financeiro da “Turma”, grupo apontado pelas autoridades como braço armado da suposta organização criminosa atribuída ao dono do Banco Master.
Segundo a PF, Henrique também teria atuado como “demandante e beneficiário” de ações do grupo voltadas à intimidação de adversários de Daniel Vorcaro.
As investigações ainda apontam que o banqueiro teria utilizado uma conta bancária do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas das fraudes financeiras investigadas. A defesa de Henrique Vorcaro declarou considerar a prisão “grave” e “desnecessária”.
