A regulação foi dura, mas o mercado cripto precisava de ‘freada de arrumação’, diz Fenasbac
Executivos falaram durante o Financial Infrastructure Forum sobre tokenização e os movimentos recentes do BC

O mercado de criptoativos está percebendo uma regulação mais dura da parte do Banco Central, mas ela é necessária para impor uma “freada de arrumação” no mercado, disse Rodrigoh Henriques, diretor de inovação da Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac).
“Soltamos uma sequência de leis e regulações para definir o que pode ser chamado de stablecoins e quais empresas podem operar como PSAVs [prestadoras de serviços de ativos digitais]. Sem isso, todo mundo que está desenhando infraestrutura e tecnologia pode estar gastando tempo demais e dinheiro demais para fazer algo que não servirá para aquela jurisdição”, argumentou Henriques.
Na opinião do executivo, o processo de tokenização e digitalização da economia está sendo acompanhado por um aumento de fraudes e golpes, de modo que a preocupação do regulador é explica.
Henriques falou durante o Financial Infrastructure Forum (FIF), no Rio de Janeiro, evento que abre a semana do Blockchain.RIO 2026.
Tokenização da Anbima ajuda na regulamentação
Ao lado dele, Erika Lacreta, gerente-executiva de representação de mercados da Anbima, falou sobre o projeto piloto de tokenização da associação. “Estamos tokenizando dois ativos, que são as debêntures e vamos trazer também o fundo de investimento com smart contract e a ligação entre eles: ativo e fundo”, explicou.
Erika afirmou que a tokenização pode democratizar o mercado de capitais, com tíquetes menores de investimento. “O nosso desafio é fazer isso acontecer e dar essa segurança jurídica. Nosso projeto piloto serve para responder perguntas”, comentou.
A executiva diz que o projeto vem evoluindo nesses processos e tem apoiado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na parte regulatória. Recentemente, a CVM criou um grupo de trabalho sobre tokenização.
Experiência de El Salvador
No mesmo painel, Juan Carlos Reyes, presidente da Comissão Nacional de Ativos Digitais (CNAD) de El Salvador, disse que ativos digitais não são mais uma tecnologia do futuro, e sim do presente. O executivo afirma que os outros países passarão nos próximos três anos pela transformação que o país já experimenta agora.
“Nós adotamos o bitcoin como moeda legal em 2021, e o que aconteceu depois da legalização do bitcoin? O maior benefício que El Salvador conseguiu foi entender o que realmente são ativos digitais e o que há de diferente entre ativos tradicionais e digitais”, afirmou.
Reyes comparou regular ativos digitais com levar um carro elétrico para um mecânico. “Se for dirigir um carro elétrico você não vê muita diferença, mas o mecânico não vai saber como mexer”, comentou.
Portanto, foi só com a experiência prática de adotar criptoativos que El Salvador conseguiu entender como lidar com esses ativos. “Criamos a lei de tokenização que sobre a qual vocês vão falar neste ano e no próximo. De 2022 para cá, nossa ênfase foi tokenização de ativos digitais. Entendemos o que podemos supervisionar e o que não podemos”, afirmou.
