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Sacre Investimentos
Economia
30/08/2026
4 min

A Selic pode terminar 2027 em 9,75% ao ano… ou subir para 15,5% — e o que vai definir a taxa não é a economia

Banco americano traça três cenários para 2027 e conclui que o futuro dos juros depende menos da economia e mais da credibilidade fiscal do próximo governo

A Selic pode terminar 2027 em 9,75% ao ano… ou subir para 15,5% — e o que vai definir a taxa não é a economia

Segundo o Morgan Stanley, a taxa Selic pode encerrar 2027 em qualquer ponto entre 9,75% e 15,5% ao ano, uma diferença enorme para quem investe, toma crédito ou simplesmente está preocupado com a economia. O motivo, porém, não está no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), no desemprego ou mesmo na inflação.

Para o banco norte-americano, a variável decisiva para o futuro dos juros no país é a eleição de 2026 e a credibilidade fiscal do próximo governo.

Os analistas afirmam em relatório que o Banco Central poderá cortar os juros de forma mais agressiva se o mercado acreditar que a trajetória da dívida pública ficará sob controle.

Caso contrário, a Selic poderá permanecer elevada por mais tempo — ou até voltar a subir.

A avaliação do Morgan Stanley é que a política fiscal passou a ocupar um espaço cada vez maior nas decisões de política monetária.

Quando investidores passam a duvidar da capacidade do governo de controlar o avanço da dívida, exigem juros mais altos para financiar o país. Isso pressiona o câmbio, piora as expectativas de inflação e reduz a margem de manobra do Banco Central para cortar os juros.

O banco resume esse processo em uma espécie de círculo vicioso: a desconfiança fiscal mantém os juros elevados, enquanto os próprios juros altos aumentam o custo da dívida e dificultam o ajuste das contas públicas.

O cenário mais provável: Selic em 11%

No cenário-base, considerado o mais provável pelo Morgan Stanley, o próximo governo conseguiria apresentar algum grau de ajuste fiscal, embora insuficiente para provocar uma mudança profunda na percepção dos investidores.

Neste cenário:

  • a inflação recuaria de 5% no fim de 2026 para 4% em 2027;
  • o PIB desaceleraria de 2% para 1,2%, e
  • a taxa média de desemprego subiria de 5,6% para 6,7%.

Com expectativas para a inflação ainda parcialmente elevadas e investidores desconfiados, o Banco Central continuaria cortando a Selic, mas em ritmo moderado.

A estimativa é que a taxa terminaria 2027 em 11%.

O cenário ruim: juros voltam a subir

O cenário que mais chama atenção no relatório, entretanto, é o negativo.

Nele, o problema não seria necessariamente um grande aumento de gastos públicos, mas a percepção de que o novo governo não tem um plano crível para estabilizar a dívida ao longo dos próximos anos.

Neste caso, o Morgan Stanley projeta:

  • dólar subindo para o nível de R$ 6,
  • inflação continua na faixa de 5%, e
  • o crescimento do PIB trava, com alta de apenas 0,2% em 2027.

Mesmo com a economia praticamente parada, o Banco Central teria dificuldade para continuar reduzindo os juros. Ou pior, poderia ser obrigado a voltar a subir a taxa por causa da inflação resistente.

A estimativa para este cenário é de Selic subindo para 15,5% até o fim de 2027.

O cenário otimista: Selic abaixo de 10%

Já no cenário positivo, o próximo governo apresentaria um programa fiscal de longo prazo, considerado crível pelo mercado e respaldado politicamente.

O Morgan Stanley chama esse movimento de "choque de gradualismo": o ajuste das contas públicas aconteceria lentamente, mas a melhora das expectativas seria imediata.

Com menor percepção de risco, o dólar poderia cair para R$ 4,50, a inflação recuaria para 3,8% e as expectativas voltariam a convergir para a meta do Banco Central.

Nesse ambiente, haveria espaço para um ciclo mais intenso de cortes de juros:

  • a Selic encerraria 2027 em 9,75%,
  • o PIB cresceria 1,5%, e
  • o desemprego subiria de forma mais moderada, para 6,5%.

A dívida ainda avançaria nos primeiros anos, até 2028, antes de iniciar uma trajetória de queda consistente.

Agora só resta saber qual cenário se concretizará.

*Com informações do Money Times.

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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