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Sacre Investimentos
EconomiaACS
02/07/2026
6 min

A Selic vai cair? Ex-diretor do BC e ex-secretário do Tesouro veem cenários diferentes, mas fazem o mesmo alerta para o Brasil

A Selic vai cair? Ex-diretor do BC e ex-secretário do Tesouro veem cenários diferentes, mas fazem o mesmo alerta para o Brasil

A Selic vai seguir em queda ou o ciclo de corte de juros no Brasil chegou ao fim? A resposta, que deve definir o rumo dos ativos brasileiros, esteve no centro da discussão do painel de cenário macroeconômico no Onde Investir no segundo semestre, evento do Seu Dinheiro.

De um lado, Bruno Serra, gestor da família de fundos Janeiro da Itaú Asset e ex-diretor de política monetária do Banco Central, apresentou uma visão mais benigna para a inflação e para os juros no Brasil.

Do outro, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, defendeu um cenário mais cauteloso, com a Selic estacionada até o fim do ano.

Esta reportagem faz parte da série sobre Onde Investir no 2º semestre de 2026:

  • Macroeconomia (você está aqui)
  • Ações (03/07)
  • Fundos imobiliários (03/07)
  • Renda fixa (06/07)
  • Investimentos no exterior (07/07)
  • Criptomoedas (08/07)

A divergência aparece justamente no ponto que mais interessa aos investidores: o que o Banco Central fará nas próximas reuniões.

Enquanto Mansueto vê a Selic encerrando 2026 no patamar atual, de 14,25%, Serra acredita que a autoridade monetária ainda terá espaço para voltar a cortar juros.

Em um cenário possível traçado pelo gestor, o BC poderia reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual (pp) nas próximas quatro reuniões, levando a Selic para 13,25% ao fim do ano.

“Está difícil saber a trajetória de curto prazo, mas certamente é bem mais otimista do que o consenso e do que está precificado na curva hoje”, afirmou Bruno Serra.

A guerra mexeu com tudo, mas o petróleo já devolveu boa parte do choque

O pano de fundo da conversa foi a mudança brusca do cenário global ao longo do primeiro semestre.

No início do ano, o mercado ainda discutia o tamanho do ciclo de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, mas a guerra no Oriente Médio mudou esse roteiro.

Bruno Serra lembrou que o petróleo chegou a subir entre 50% e 60% no auge da tensão, chegando a beirar os US$ 120 o barril, e agora está na casa dos US$ 70, ou seja, entre 5% e 7% acima do nível anterior ao conflito.

Para o gestor da Itaú Asset, a leitura do mercado é que o fluxo marítimo voltou a ser suficiente para manter os preços do petróleo mais baixos,

Ainda assim, o novo foco de atenção está nos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed), sob o comando do novo presidente, Kevin Warsh, adotou um tom mais duro na última reunião e deixou aberta a possibilidade para o aumento de juros ainda neste ano.

Serra, porém, não acredita que o Fed vá necessariamente entregar esse aperto monetário — o cenário-base da Itaú Asset é que o banco central dos EUA não suba os juros em 2026.

Inflação: BTG projeta 5,3%; Itaú Asset prevê 4,6%

A principal divergência entre os convidados foi nas projeções de inflação.

O economista-chefe do BTG estima o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,3% em 2026 e de 4,5% em 2027, ainda acima da meta do BC. O cenário não inclui impactos fortes do El Niño nem da possível PEC do fim da escala 6x1.

Segundo ele, a mudança na jornada pode acelerar a inflação entre 0,2 e 0,3 ponto percentual, podendo chegar a 1 ponto, dependendo da transição.

Para Mansueto Almeida, o maior risco está nas expectativas para 2028, que já se afastaram da meta. “Quando a expectativa de inflação lá na frente começa a andar, isso atrapalha o curso política monetária”, disse.

Bruno Serra projeta inflação menor. A Itaú Asset estima IPCA de 4,6% em 2026, já considerando o El Niño, mas sem incluir a escala 6x1.

Selic: juros parados versus nova janela de cortes

Com inflação mais alta no radar, Manuseto Almeida defende uma postura mais conservadora do Banco Central.

“A nossa trajetória, dado o nosso cenário de inflação de 5,3%, é de juros constantes em 14,25%. Não esperamos mais cortes até o final do ano”, disse o economista-chefe do BTG.

Segundo ele, o cenário só mudaria se os próximos dados trouxessem surpresas consistentes de inflação abaixo do esperado, especialmente em serviços.

Bruno Serra espera uma outra dinâmica. Para o gestor, a reversão do petróleo, a desaceleração da atividade e a possibilidade de um câmbio mais comportado podem abrir espaço para o Banco Central voltar a cortar a taxa básica.

Ele afirmou que vê a Selic encerrando o ano entre 13% e 14%: “mais próxima dos 13%”. Em um desenho possível, o BC poderia fazer quatro cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, levando os juros para 13,25%.

Eleições devem mexer com os mercados, mas o fiscal será o verdadeiro teste

O segundo semestre de 2026 também será marcado pelas eleições presidenciais.

Para Bruno Serra, a disputa segue aberta, mas o mercado não deve olhar apenas para o resultado eleitoral. Segundo ele, o que importa é a agenda depois da eleição, especialmente no campo fiscal.

Mansueto Almeida foi ainda mais direto ao tratar da agenda do próximo governo. Para ele, a prioridade número um do vencedor das eleições precisa ser desacelerar o gasto público.

O economista ressaltou que, entre 2023 e 2026, o gasto público federal deve acumular crescimento real de cerca de 21%. “Isso é inflacionário em qualquer país do mundo”, afirmou.

A dívida pública, por sua vez, deve encerrar este ano em 81% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2027, a projeção do BTG é de algo perto de 85% do PIB, independentemente de quem vença a eleição. “Isso não é sustentável”, afirmou.

Onde investir no segundo semestre?

Ao fim do painel, a pergunta central do evento voltou à mesa: afinal, onde investir no segundo semestre?

A principal convicção de Bruno Serra está nos juros nominais, especialmente em um horizonte de três a quatro anos. Ele afirmou que a Itaú Asset gosta de posições prefixadas, como forma de travar taxas elevadas por um período mais longo.

A tese, segundo o gestor, parte da combinação entre inflação mais baixa à frente, desaceleração da atividade e espaço para queda da Selic.

Assista ao painel completo:

AutorLarissa Bernardes
FonteSeu Dinheiro
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