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26/06/2026
4 min

A Strategy é a nova Terra/Luna? Empresa de análise blockchain responde

A Strategy é a nova Terra/Luna? Empresa de análise blockchain responde

A empresa de capital aberto compradora de bitcoin Strategy está no centro das preocupações dos investidores da criptomoeda em junho. As ações preferenciais da empresa, negociadas sob o código STRC, caíram bem abaixo de seu valor-alvo de US$ 100 em meio a preocupações sobre a saúde financeira da companhia.

Nesta sexta-feira, 26, às 15h59 (horário de Brasília) as ações STRC caem 2,1% na bolsa de valores Nasdaq, operando a US$ 74,10.

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O movimento negativo começou no início deste mês, quando a Strategy vendeu 32 bitcoins, em sua primeira venda do criptoativo desde 2022. A justificativa para a operação foi que a empresa usaria os recursos para pagar os dividendos prometidos aos detentores de ações preferenciais da companhia.

Dias depois, foi revelado que a cobertura de dividendos da Strategy caiu de sete anos para 14 meses, com uma queda de 38% na sua reserva de caixa. Como consequência, o já bastante questionado modelo da Strategy de financiar compras de bitcoin com emissão de ações preferenciais, que prometem pagar dividendos de 11,5% ao ano, ficou ainda mais pressionado.

A situação chegou a um ponto em que as pessoas começaram a chamar a STRC de nova Terra/Luna, comparando com o par de stablecoins algorítmicas que quebrou em 2022. Naquela ocasião, a stablecoin Terra UST perdeu a paridade com o dólar e o algoritmo passou a emitir enormes quantidades de Luna para recompor o sistema, levando o ativo a uma “espiral da morte” hiperinflacionária.

O resultado foi um montante de US$ 40 bilhões apagados do mercado, o que precipitou o bitcoin e outras moedas digitais para um rigoroso bear market. Uma quebra da Strategy seria ainda mais catastrófica para o mercado cripto, pois a empresa é dona de 847,4 mil bitcoins, no equivalente a US$ 50,7 bilhões.

Arkham diz que STRC não é Luna

Em postagem na rede social X (Twitter) sobre o caso, a empresa de análise de blockchain Arkham Intelligence falou sobre as comparações e respondeu que não: a ação STRC não é a próxima Luna.

A Arkham destaca que há 104,9 milhões de ações STRC, que, pagando 11,5% de dividendos, custam US$ 1,2 bilhão por ano para manter. Enquanto isso, a Strategy tem US$ 1,4 bilhão em reservas em dólar.

Neste contexto, a Arkham lembra que a Strategy está em uma situação um pouco mais tranquila do que a Luna em 2022. "A Strategy não é legalmente obrigada a pagar esses dividendos. Se a Strategy enfrentar dificuldades, Saylor não precisa priorizar os dividendos dos acionistas da STRC”, argumentam os analistas. “Ao contrário do caso Terra/LUNA, Saylor não corre o risco de ser ‘liquidado’ se o valor da STRC cair.”

De acordo com a Arkham, o preço da STRC meramente reflete a visão do mercado de como Saylor vai continuar a pagar dividendos. “Se parecer que a Strategy não conseguirá levantar capital e pagar dividendos, os investidores poderão vender STRC, mas Saylor não é obrigado a gastar dinheiro para sustentar o preço.”

Assim, por mais que os investidores estejam vendendo a ação em meio a temores de que a Strategy não consiga pagar dividendos, isso não vai quebrar a companhia, embora seja negativo no longo prazo.

Isso não significa, por outro lado, que a STRC vá retomar em breve o preço-alvo de US$ 100. “Atualmente, a STRC está sendo negociada abaixo do valor de face, pois os investidores exigem um rendimento mais alto para justificar a sua manutenção em carteira”, explicam os analistas.

“Ao preço de US$ 75, o rendimento efetivo para os investidores que comprarem a STRC agora é de aproximadamente 15,3%. Se os investidores desejarem um rendimento ainda maior para justificar a compra, o preço cairá ainda mais”, projeta a Arkham.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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