A vida depois da bolsa: Alper Seguros compra Magicel e soma 29 aquisições
Corretora adiciona mais de R$ 230 milhões em prêmios, dobra operação no Paraná e reforça estratégia de expansão em saúde e benefícios

A Alper Seguros deu mais um passo em sua estratégia de crescimento por aquisições com a compra da Magicel, corretora especializada em saúde e benefícios com sede em Curitiba. A operação, divulgada nesta quinta-feira, 27, com exclusividade à EXAME, adiciona mais de R$ 230 milhões em prêmios anuais ao portfólio da companhia e marca a 29ª aquisição desde que Marcos Couto assumiu o comando da empresa, em 2018.
É também a terceira aquisição da Alper neste ano, todas na área de saúde e benefícios, e a 13ª da divisão comandada pelo vice-presidente da área e Benefícios, André de Barros Martins, sócio da companhia. Com a transação, a corretora afirma que dobra o tamanho de sua operação no Paraná e passa a ter a maior operação de seguros de saúde do Sul do país.
"É uma aquisição de grande porte. São mais de R$ 230 milhões em prêmios gerados de seguro, saúde, odonto e vida, mas principalmente saúde", afirma Couto. Segundo o CEO, a operação também consolida a Alper como a maior corretora de seguros brasileira entre as independentes de grupos bancários, com mais de R$ 7 bilhões em prêmios.
Fundada em 1994, a Magicel tem mais de três décadas de atuação e uma carteira de clientes construída ao longo de mais de 20 anos. A corretora é comandada desde 2022 por Marcus Todesco, que passa a ser diretor de Benefícios da Regional Sul da Alper. O fundador e chairman Cesar Heli, por sua vez, entra para a Alper Network como producer.
Para a Alper, a aquisição não representa apenas uma expansão de escala. O objetivo é aproveitar a especialização da Magicel em saúde para ampliar a oferta de outros produtos da companhia aos clientes incorporados, estratégia conhecida comocross-selling.Mais de 90% da carteira da Magicel é formada por seguro saúde, segundo VP. Isso abre espaço, na avaliação da Alper, para oferecer às empresas produtos de outras linhas em que a corretora atua. "Você imagina que mais de 90% da carteira da Magicel é seguro saúde. Então tenho uma enormidade de três, cinco, dez outros produtos de seguros para oferecer para aquelas empresas", afirma Couto.
A estratégia é especialmente relevante para a divisão de Benefícios, que hoje representa 45% da companhia e administra R$ 4,2 bilhões em prêmios nos últimos 12 meses, além de atender mais de 1 milhão de vidas. A área já soma 13 aquisições desde o início do movimento de consolidação da Alper.
"Estamos comprando uma estratégia para atuar fortemente no Sul do país, com gente de qualidade, gente de primeira que queira ser empreendedor", diz Martins. "Esse processo nosso é um processo de empreendedorismo".
Bastidores da aquisição
A Magicel não era uma desconhecida para a Alper. Segundo o CEO da corretora, as empresas mantinham um relacionamento de longa data, que foi se consolidando ao longo dos anos até que surgiu o momento considerado adequado para a transação.
"Sempre tivemos muito respeito por eles e um relacionamento muito bom. Foi um relacionamento que foi se consolidando ao longo dos últimos anos e já tínhamos essa ambição de conseguir fazer a aquisição", afirma.
O momento também pesou para os dois lados, segundo o executivo. Para a Alper, a operação fortalece uma praça considerada estratégica; para os empreendedores da Magicel, representa uma forma de ampliar a estrutura disponível aos clientes sem abandonar a atuação regional. "Chegou o momento. A aquisição é algo que tem a ver com o momento, tanto para os empreendedores, os dois sócios, quanto para nós como um todo", diz Couto.
A permanência dos executivos da Magicel também faz parte da lógica da Alper de buscar empresas especializadas e incorporar seus empreendedores à estrutura da companhia. Para Martins, esse é um dos elementos que diferenciam o modelo de M&A da empresa.
"Queremos comprar gente boa. No caso da Magicel, o que estamos comprando é uma estratégia para atuar fortemente no Sul do país", disse o vice-presidente de Benefícios.
Menos aquisições, mas operações maiores
A compra da Magicel também expõe umamudança de perspectiva na estratégia de aquisições da Alper. Em dezembro do ano passado, os executivos haviam dito à EXAME que a companhia trabalhava com a possibilidade de realizar até dez aquisições em 2026. Até agora, foram três.
Couto, porém, afirma que o número nunca foi uma meta rígida. O que importa, segundo o CEO, é o volume de negócios incorporado e a qualidade dos ativos adquiridos. "O número de 10 não é um número cravado. O que queremos é ter uma atividade forte", afirma. "O que nos norteia é conseguir adquirir um volume de negócio que seja importante para o crescimento e para a aceleração da companhia".
A cautela aumentou diante do ambiente econômico. Juros elevados, recuperação judicial de empresas e a proximidade das eleições fazem com que a companhia seja mais seletiva nas negociações, segundo o CEO."Está sendo um ano muito desafiador como um todo, como economia, e isso tem impactado algumas empresas", diz Couto. "Estamos com muita cautela, fazendo coisas com as quais nos sintamos seguro, mas estamos otimistas. Vamos ter novos anúncios e queremos terminar o ano com um número importante de aquisições, maior do que o ano passado, que foram seis, isso eu não tenho dúvidas".
A Alper tinha mais de R$ 400 milhões destinados a aquisições após a entrada do novo investidor, segundo Couto. A companhia afirma que continua capitalizada para executar a estratégia, mas sem abrir mão da disciplina na alocação de capital. "Quando compro uma corretora do porte de uma Magicel, que tem mais de R$ 200 milhões em prêmios, é uma aquisição robusta".
Apesar do apetite por M&A, a Alper afirma que as aquisições continuam sendo uma forma de acelerar — e não substituir — o crescimento orgânico. A companhia mantém a estratégia de buscar crescimento orgânico de dois dígitos e usar as compras para ampliar a velocidade de expansão. "O M&A só vem para acelerar. Quando conseguimos uma aprovação de M&A, significa que estamos entregando o crescimento orgânico. Não usamos M&A para resolver dor de crescimento orgânico", afirma o CEO.
A expansão ocorre em uma estrutura diferente daquela que aAlper tinha quando ainda era listada na B3. A companhia deixou a bolsa em setembro de 2024, em um movimento associado à entrada da Warburg Pincus, que aportou R$ 850 milhões no negócio.
