A visão dos CEOs: O diploma foi só o começo
Lideranças de empresas como Amazon, Fleury, Lojas Renner e Sympla contam como graduação, MBA e, agora, inteligência artificial se tornaram etapas de uma mesma trajetória de aprendizado que não termina no diploma

O que aprenderam os líderes que estão à frente das maiores empresas do Brasil? Foi o que perguntamos aos CEOs das empresas vencedoras da 53a edição do Prêmio EXAME MELHORES E MAIORES. O resultado são trajetórias que conversam diretamente com a proposta da Escola de Negócios Saint Paul: a de que aprender é um processo contínuo, e não uma etapa que se encerra no diploma.
Da graduação ao MBA, das especializações internacionais às primeiras experiências com inteligência artificial, os depoimentos revelam um padrão comum: para essas lideranças, a formação nunca termina; ela se transforma junto com o mercado.
A educação fez e ainda faz toda a diferença na minha vida. Minha família saiu de Angola por ocasião da Guerra de Independência, chegou ao Brasil sem muitos recursos, e a educação foi a prioridade total dos meus pais. Busquei um curso de tecnologia em processamento de dados. Depois de me formar, fiz pós-graduação em marketing, MBA, especializações com a Insead e em Harvard. Faço todos os cursos possíveis sobre inteligência artificial. Com base nesses aprendizados recentes, mudei minha forma de trabalhar e de me preparar.
Paula Bellizia, vice-presidente da Amazon Web Services
Sou médica cardiologista formada pela USP, onde também fiz doutorado e livre-docência, além de um pós-doutorado nos Estados Unidos. Essa imersão na ciência me ensinou o valor do rigor, do método e da tomada de decisão fundamentada em evidências. No entanto, liderar uma grande organização exige novas competências,e busquei uma sólida capacitação executiva, com passagens pela FIA, Harvard, Wharton e MIT. Hoje, em um mundo transformado pela inteligência artificial, o aprendizado contínuo tornou-se inegociável.
Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury
A educação foi fundamental na minha trajetória. Sem ela, eu não teria tido acesso a muitas das oportunidades que tive ao longo da carreira. Sigo lendo livros e artigos, trocando com pessoas, fazendo benchmarks e acompanhando de perto os avanços da IA. Mas uma parte muito importante do aprendizado vem também da experiência profissional, da prática e da tentativa e erro. Entre as coisas mais importantes que a educação me deu estão justamente a curiosidade e a capacidade de continuar aprendendo ao longo da vida.
Talita Lacerda, CEO da Petlove
Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee (Leandro Fonseca /Exame)
A educação sempre andou lado a lado com minha trajetória profissional — da sala de aula à mesa de decisão. Ter estado do outro lado da mesa — como docente de planejamento de coleções na Universidade de Caxias do Sul — reforçou em mim uma convicção: ensinar e aprender são processos contínuos e indissociáveis. Em tempos em que a inteligência artificial passa a fazer parte do dia a dia de pessoas e empresas, a educação se torna ainda mais necessária — seja no letramento das pessoas, seja no dos próprios agentes de IA.
Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee
Sou formado em administração. Acredito que o aprendizado contínuo deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade de quem lidera. Os avanços tecnológicos estão redefinindo mercados, profissões e modelos de gestão. Por isso, cultivar uma mentalidade aberta, com interesse genuíno por novos conhecimentos e pela troca de experiências, é fundamental.
Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS
Sempre fui apaixonada por música, mas quando decidi transformar essa paixão em carreira ainda não existia no Brasil um caminho de formação tão claro para quem queria atuar na indústria. Isso me fez construir uma trajetória interdisciplinar, buscando experiências que ampliassem meu repertório e minha visão do negócio. Aprender continuamente é indispensável. Sigo buscando novos conhecimentos: agora, por exemplo, planejo estudar direito para aprofundar minha compreensão sobre propriedade intelectual e licenciamento.
Carolina Alzuguir, Head de Música no Spotify Brasil
Minha trajetória na engenharia e um MBA no Insead moldaram minha forma de liderar e resolver problemas complexos. A vivência multicultural me ensinou que a diversidade é uma catalisadora de inovação. Estar cercado de pessoas que admiro e que têm muito a ensinar foi e continua sendo a chave para o meu desenvolvimento. A educação me deu repertório para evoluir rapidamente e mostrou que a liderança do futuro exige a humildade de aprender diariamente com cada pessoa.
Eduardo Mello, CEO Electrolux Group Latin America
A educação sempre teve um papel muito importante na minha vida e na minha trajetória profissional. A formação em administração me deu uma base sólida para compreender negócios, pessoas e organizações, enquanto o MBA em marketing ampliou minha visão sobre mercado, comportamento e estratégia. Mas acredito que a educação não termina quando concluímos uma graduação ou uma pós-graduação. Ela é um processo permanente de aprendizado, que nos prepara para fazer perguntas, tomar decisões melhores e nos adaptarmos a novos cenários.
João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos
A educação me deu uma base importante, mas, principalmente, me ensinou a aprender. E faço isso até hoje. Continuo estudando com cursos presenciais e online, livros e, cada vez mais, experimentando diferentes ferramentas de inteligência artificial. Em um mundo que muda tão rápido, o essencial é não perder a curiosidade e continuar disposto a experimentar e mudar de ideia.
Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina
A educação mudou minha carreira em pontos de virada muito concretos. Sou publicitário e designer de formação, e isso sempre me acompanhou na elaboração de produtos digitais e marcas. Foi uma provocação do meu orientador, no mestrado em turismo na Espanha, que me levou a criar um albergue em Barcelona que se tornaria o hostel mais procurado da cidade, e me transformou como empreendedor. Dali, continuei empreendendo pela Europa até Budapeste, onde um bar famoso inspirou o nome da Sympla. O resto é história!
Rodrigo Cartacho, CEO da Sympla
Fabio Faccio, CEO da Lojas Renner S.A. (Leandro Fonseca/Exame)
Optei por cursar administração, uma escolha que me proporcionou uma visão ampla sobre os negócios. Fiz também um MBA e cursos de pós-graduação e de extensão executiva, e continuo me aprimorando até hoje. Quanto mais nos dedicamos a aprender, ampliar repertórios e nos desafiar, mais preparados estamos para reconhecer e aproveitar oportunidades. Foi assim na minha trajetória na Lojas Renner S.A., onde ingressei como trainee em 1999 e tive a oportunidade de construir uma carreira pautada por desenvolvimento contínuo, novas experiências e muita evolução profissional.
Fabio Faccio, CEO da Lojas Renner S.A.
Minha avó foi uma das primeiras mulheres formadas em medicina pela USP, nos anos 1940, e me disse algo que levo para a vida: conhecimento é algo que ninguém nunca vai tirar de você. Não pare de aprender. Cada etapa de aprendizado na minha vida foi me abrindo portas no mundo corporativo. Na Amazon, promovemos em setembro o Mês da Educação, em que reforçamos por meio de voluntariado o nosso compromisso com a sociedade — afinal, educação é o motor que move transformações.
Juliana Sztrajtman, CEO da Amazon Brasil
