Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercados
31/08/2026
4 min

Absolute evita setores cíclicos; Kapitalo reduz exposição ao Brasil diante da eleição

Gestores veem economia doméstica fragilizada e cautela de estrangeiros antes da eleição

Absolute evita setores cíclicos; Kapitalo reduz exposição ao Brasil diante da eleição

O risco eleitoral e a deterioração da economia brasileira têm levado gestores a adotar uma postura mais seletiva em relação aos ativos domésticos.

Durante o painel “Visão dos gestores”, realizado nesta segunda-feira, 31, no Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual, Fabiano Rios, sócio-fundador da Absolute Investimentos, afirmou que a gestora está fora de setores mais dependentes do ciclo econômico brasileiro. Já Carlos Woelz, sócio-fundador da Kapitalo Investimentos, disse preferir oportunidades no exterior diante dasincertezas associadas à eleição presidencial.

Na avaliação de Rios, os investidores estrangeiros reduziram suas posições no Brasil nos últimos meses e não demonstram pressa para voltar ao mercado local. Segundo o gestor, os gringos estão próximos da neutralidade em relação ao Brasil nos fundos de mercados emergentes, ou até um pouco abaixo desse nível.

“O câmbio eles acham que pode estar errado, está valorizado. Então, com um evento binário no radar, uma eleição polarizada, se comprar agora pode perder no câmbio e no preço do ativo, dependendo do resultado”, afirmou o executivo da Absolute.

Além do cenário eleitoral, Rios vê risco de deterioração dos resultados das empresas brasileiras. Segundo o gestor,os balanços do segundo trimestre vieram em linha com as expectativas, mas a desaceleração da economia pode provocar revisões negativas nas projeções de resultados das companhias. No exterior, por outro lado, Rios afirmou observar revisões de lucros para cima em mercados da Ásia e em outros emergentes.

Nesse cenário, a Absolute tem concentrado suas posições em empresas consideradas defensivas, conhecidas no mercado como "bond proxies", e em companhias exportadoras de commodities.

“Setores que são mais dependentes do ciclo econômico, nós estamos fora. A assimetria [nesses casos] é totalmente voltada para baixo”, disse Rios. “Estamos fora desses setores mais cíclicos, mais ligados à economia local, e mais focado, ou seja, exportação de commodities”.

Entre os segmentos considerados mais atrativos estão empresas de energia e saneamento. Rios citou especificamente Sabesp e Axia como exemplos de companhias que se encaixam nessa estratégia de priorizar as utilities, em um cenário no qual a gestora aposta que, para o bem ou para o mal, os juros reais poderão ficar mais baixos.

'O paciente está pior do que imaginamos'

A cautela de Rios com os setores ligados à economia doméstica está relacionada também ao diagnóstico que o gestor faz sobre a atividade brasileira. Para o sócio-fundador da Absolute, o problema não é apenas a direção que a economia pode tomar nos próximos meses, mas o nível de deterioração que já foi alcançado.

Ele aponta que o comprometimento da renda das famílias está em um patamar próximo de 30% e que, historicamente, utilizava como regra de bolso um nível de 20% como sinal de excesso de crédito e potencial desaceleração da economia.

“O que chama atenção é que usamos uma dose forte recentemente [de medidas]. Teve o primeiro Desenrola, [este ano foi feito o segundo] Desenrola, cárias coisas, um estímulo tanto visando crédito quanto fiscal, e a economia não está respondendo”, afirmou.

Para o gestor, a ausência de resposta mesmo após medidas de estímulo é um sinal de que a situação pode ser mais grave do que parece. “Isso pode mostrar que o paciente está pior do que imaginamos”, disse.

“A economia está 'capengando', na ausência de um termo melhor. E qualquer susto vai fazer com que a desaceleração seja um pouco mais forte”, afirmou.

Kapitalo busca oportunidades fora do Brasil

A incerteza eleitoral também pesa na estratégia da Kapitalo. Woelz afirmou que existem oportunidades em diferentes mercados globais e que algumas delas parecem mais fáceis de explorar do que as disponíveis no Brasil neste momento.

“Tem bastante oportunidade no mundo”, afirmou. Segundo o gestor, as diferenças de preços entre ativos e as divergências nos mercados de moedas têm criado oportunidades de investimento em diferentes regiões. Além disso, o sócio-fundador da Kapitalo avalia que o calendário eleitoral brasileiro aumenta a dificuldade de assumir posições direcionais no país.

“Você encontra alguns playes, de juros também no mundo, bem significativos de diferença. Esse movimento diferente de moedas está gerando muita divergência no mundo. E tem cases aí mais fáceis do que o Brasil, com uma eleição a um mês e meio pela frente”, disse.

Isso não significa, porém, uma saída completa dos ativos brasileiros. Woelz afirmou que a estratégia da Kapitalo continua sendo construída a partir de uma composição entre posições compradas e vendidas, buscando equilibrar o risco do portfólio.

“Geralmente fica a arte de você equilibrar esse negócio ou desequilibrar na hora que você acha que tem que desequilibrar, que tem uma visão direcional melhor”, afirmou.

Entre as posições mencionadas pelo gestor estão a preferência por renda fixa e alguns setores da bolsa, combinadas com uma posição vendida no real e comprada em dólar. “Eu estou short real, estou comprado em dólar”, disse Woelz.

AutorClara Assunção
FonteExame
Distribuído por