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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
14/07/2026
3 min

Abundância ou catástrofe? O que o Nobel da DeepMind vê no futuro da inteligência artificial geral

Abundância ou catástrofe? O que o Nobel da DeepMind vê no futuro da inteligência artificial geral

Para Demis Hassabis, neurocientista vencedor do Nobel e cofundador da DeepMind, do Google, a inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês), que ele define como um "sistema capaz de exibir todas as capacidades cognitivas do cérebro humano", provavelmente está a apenas alguns anos de distância — e será o início de uma nova era para a humanidade.

"A AGI não pode ser comparada a avanços tecnológicos convencionais, nem mesmo a inovações tão impactantes quanto a internet ou os dispositivos móveis. Ela se assemelha muito mais à descoberta da eletricidade ou do fogo", disse ele em postagem em seu perfil oficial no X (antigo Twitter).

A frase ecoa o que o CEO do Google e da Alphabet, Sundar Pichai, falou em 2018, durante o Fórum Econômico Mundial. À época, Pichai afirmou que a IA era provavelmente a coisa mais importante em que a humanidade já havia trabalhado, mais profunda até do que o fogo ou a eletricidade.

Segundo Hassabis, "a magnitude do impacto da AGI será sem precedentes, talvez dez vezes maior do que a Revolução Industrial e em uma velocidade dez vezes superior".

Na segunda-feira, 13, mais de 200 economistas e líderes do setor também afirmaram que a IA mudará o mundo da mesma forma que a indústria fez séculos atrás.

"[A AGI] poderá nos ajudar a resolver alguns dos maiores desafios da sociedade, desde acelerar a descoberta de medicamentos até desenvolver novas fontes de energia limpa e criar materiais avançados inéditos. Podemos até chegar a um ponto em que os recursos deixem de ser o principal fator limitante do progresso humano, abrindo caminho para uma nova era de abundância", disse.

Mas e os riscos?

Hassabis não descarta que a tecnologia pode ter alguns revéses.

"É urgente agir para enfrentar os riscos que podem surgir à medida que nos aproximamos da AGI. Já vimos os desafios que os modelos de fronteira representam para a segurança cibernética, e outras ameaças, como riscos nucleares e biológicos, podem surgir à medida que suas capacidades continuem evoluindo", escreveu.

Segundo o executivo, "a IA já começa a oferecer benefícios concretos no mundo real", mas, "para concretizar todo o seu potencial, precisamos atravessar este período crítico de desenvolvimento com responsabilidade e cautela".

"Tenho confiança de que conseguiremos mitigar os riscos técnicos da IA, mas apenas se nos dermos tempo e espaço para acertar este próximo passo decisivo. Hoje, tanto o setor quanto a sociedade em geral não estão fazendo isso", afirmou.

Hassabis afirma que, no momento, a humanidade está "presa em uma corrida extremamente intensa, tanto comercial quanto geopolítica".

Para ele, essas dinâmicas competitivas impulsionam o progresso e aceleram os enormes benefícios da IA, mas o avanço da tecnologia acontece mais rápido do que a compreensão humana sobre a tecnologia.

"Ninguém no mundo sabe ao certo o que acontecerá a partir daqui, e nem mesmo os especialistas concordam entre si. Quando há um grau tão elevado de incerteza e os riscos são tão grandes, avançar com otimismo cauteloso é a estratégia mais sensata", disse.

Hassabis diz no texto que "isso exige políticas públicas que promovam a inovação ao mesmo tempo em que incentivem responsabilidade e segurança, fortaleçam a colaboração internacional em questões críticas de segurança e estimulem uma reflexão cuidadosa sobre como a IA deve ser utilizada em benefício da sociedade".

"Existe muito entusiasmo em torno da IA, mas também muita incerteza — e ambos são justificados. O futuro ainda não está escrito. Precisamos aproveitar essa preciosa janela antes da chegada da AGI para moldar essa tecnologia em benefício de toda a humanidade", afirmou.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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