Ação da Bayer oscila após venda de negócio de contraceptivos à Apollo

A farmacêutica alemã Bayer vendeu uma participação minoritária em seu negócio de contraceptivos à gestora estadunidense Apollo Global Management por 3 bilhões de euros, equivalentes a US$ 3,4 bilhões. O valor ajudará a empresa a bancar os custos bilionários dos processos nos Estados Unidos envolvendo o herbicida Roundup.
As ações da Bayer reagiram com oscilação nesta sexta-feira, 10, dia do anúncio. Chegaram a subir até 2% pela manhã, mas devolveram os ganhos e passaram a operar com queda de 1,30%, a 50,04 euros, por volta das 8h55 (horário de Brasília). O papel, porém, acumula alta de 31% neste ano.
O gestor de portfólio da Union Investment, Markus Manns, avaliou a operação como um passo estratégico para a companhia. "Essa é uma jogada inteligente da Bayer para reduzir o endividamento e melhorar a qualidade de seu balanço patrimonial", disse à Bloomberg.
Quem é a compradora do negócio
A Apollo tem tratado a Europa como uma frente prioritária de expansão. O presidente da gestora, Jim Zelter, pontuou no ano passado que a firma poderia destinar até US$ 100 bilhões em financiamentos apenas para a Alemanha ao longo da próxima década, e o acordo com a Bayer se encaixa nisso.
A companhia já havia investido 3,2 bilhões de euros no negócio de rede elétrica da alemã RWE e US$ 6,5 bilhões no projeto eólico offshore, voltado à energia renovável a partir dos ventos no mar, da dinamarquesa Ørsted, no Reino Unido.
A lista de parceiros da gestora inclui ainda nomes como Intel, Electricité de France e Vonovia. No começo deste ano, a Apollo também liderou um pacote de financiamento de US$ 35 bilhões para a Anthropic, direcionado à expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA) da empresa.
Como fica a operação da Bayer
Apesar da entrada da Apollo como sócia, a Bayer mantém o controle operacional da nova entidade, que reúne sua linha de contraceptivos reversíveis de longa duração. O portfólio inclui o Mirena, além dos produtos Kyleena e Jaydess, que, juntos, foram responsáveis por cerca de 1,4 bilhão de euros em vendas em 2025.
Uma estimativa do UBS indica que o valor total dos ativos dessa unidade gira em torno de US$ 6,5 bilhões. Se a fatia vendida à Apollo corresponder a 45% do negócio, como projeta o banco, a participação da gestora estadunidense pode valer até US$ 2,9 bilhões.
Roundup segue no centro da estratégia
A operação integra a estratégia do CEO Bill Anderson para fortalecer as finanças da Bayer diante do passivo do Roundup. Em fevereiro, a empresa elevou para 11,8 bilhões de euros as provisões para os processos e contratou uma linha de crédito de US$ 8 bilhões.
Os autores das ações alegam que o herbicida, à base de glifosato, causou casos de câncer, acusação que a empresa nega. A companhia já desembolsou bilhões de dólares em acordos e indenizações para encerrar parte dos litígios, mas ainda responde a muitas ações na Justiça.
Na semana passada, a farmacêutica também separou seu negócio de glifosato nos EUA, o qual inclui o próprio herbicida, em uma unidade à parte, depois de uma decisão da Suprema Corte do país favorável à empresa nos processos judiciais.
