Ação da Braskem deixa o Ibovespa a partir de hoje: entenda
Eliminação segue norma que prevê exclusão de empresas em situação especial das principais carteiras

A crise financeira da Braskem chegou ao principal termômetro da Bolsa brasileira. A B3 confirmou que as ações da petroquímica, BRKM3 e BRKM5, deixam o Ibovespa e outros indicadores nesta terça-feira, 25, depois de a companhia passar a ser listada sob a condição de "recuperação extrajudicial".
A retirada não se restringe ao Ibovespa. Os papéis também estão fora dos índices o IBrX (IBRA), o IBrX-50 (IBXX), o Small Caps (SMLL), além de IGCX, IGCT, IMAT, INDX, ISEE e o Itag Along (ITAG). O peso da Braskem nesses índices será dividido entre os demais componentes de cada carteira, com o devido ajuste nos redutores.
Por que a exclusão acontece
A eliminação segue uma norma da própria B3. O Manual de Definições e Procedimentos dos Índices determina que qualquer ativo negociado em situação especial, o que inclui tanto a recuperação judicial quanto a extrajudicial, precisa sair das carteiras ao fim do primeiro dia de negociação sob essa condição.
Empresas nessa situação também ficam impedidas de retornar aos índices enquanto o quadro não se normalizar. Quando a companhia é considerada reabilitada, a contagem do histórico de negociação recomeça do zero.
Este ano, GPA e Raízen saíram do Ibovespa pelo mesmo motivo.
Vale destacar que a saída dos indicadores não afeta a negociação dos papéis. BRKM3 e BRKM5 continuam disponíveis para compra e venda no pregão, sujeitos às regras normais e às divulgações da empresa ao mercado.
Na prática, quem detém as ações pode mantê-las ou vendê-las quando quiser. Fundos e investidores que usam os índices como referência tendem a promover ajustes de posição diante da mudança na composição das carteiras.
O que motivou a medida
A Braskem protocolou na segunda-feira, 24, o pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. Controlada pela gestora IG4 e pela Petrobras, a empresa passa a contar com um prazo de 90 dias de proteção para negociar e estruturar o plano de reestruturação. Nesse intervalo, os credores incluídos no plano ficam impedidos de cobrar as dívidas na Justiça ou tomar medidas contra os ativos da companhia.
Diferentemente da modalidade judicial, a recuperação extrajudicial permite que a empresa renegocie o passivo diretamente com os credores. O montante em discussão supera US$ 10 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 54 bilhões. Os bondholders, detentores de títulos de dívida, concentram aproximadamente US$ 7 bilhões desse total, ao lado de bancos como Banco do Brasil, BNDES, Itaú, Bradesco e Santander.
No pregão de segunda-feira, a reação foi imediata: BRKM5 caiu 6,71%, cotada a R$ 6,71, a maior queda do dia na B3. Ainda assim, impulsionado por Vale e pelos grandes bancos, o Ibovespa fechou em alta de 0,51%, aos 171.906 pontos.
