Ação da Intel ganha fôlego com possível acordo com SK Hynix nos EUA
Pressão dos EUA por produção local aproxima fabricantes em meio à crescente demanda por chips para IA

As ações da Intel avançavam mais de 5% no pré-mercado americano na manhã desta quarta-feira, 16, após a companhia discutir com a SK Hynix um acordo para produzir chips de memória nos Estados Unidos. Na Coreia do Sul, os papéis da fabricante de semicondutores encerraram o pregão com alta de 4%.
As conversas podem resultar na estreia da SK Hynix na fabricação de chips de memória em território americano, segundo três pessoas a par das discussões ouvidas pela Reuters. As negociações, porém, ainda são exploratórias e não há uma decisão tomada.
Por volta das 8h36 (horário de Brasília), os papéis da Intel (INTC) em Nova York subiam 3,34% antes da abertura do mercado, a US$ 100,42. Neste ano, a alta chega a 146,67% e, nos últimos 12 meses, acumula valorização de 284,41%.Uma das possibilidades em análise envolve a utilização de parte do complexo de semicondutores que a Intel desenvolve em Ohio. A SK Hynix poderia alugar capacidade no local, dando uma nova finalidade a um projeto que sofreu sucessivos atrasos.
Outra alternativa seria uma parceria mais ampla, reunindo Intel, SK Hynix e grandes empresas de computação em nuvem. O interesse dessas companhias estaria ligado à tentativa de assegurar o fornecimento de memórias em meio ao aumento da demanda provocado pelos investimentos em inteligência artificial.
Um possível alívio para a Intel
A Intel anunciou em 2022 planos de investir até US$ 100 bilhões para transformar sua operação em Ohio em um dos maiores polos de fabricação de semicondutores do mundo. O cronograma, no entanto, ficou muito atrás das ambições iniciais.
A produção estava prevista originalmente para começar em 2025. A conclusão das duas fábricas planejadas para o complexo acabou sendo adiada para 2030 e 2031.
No caso da SK Hynix, a empresa sul-coreana está construindo uma unidade de empacotamento de chips em Indiana, mas ainda não fabrica os semicondutores propriamente ditos em território americano. Em julho, a companhia também concluiu uma listagem secundária de suas ações na Nasdaq.
Pressão para levar fábricas aos EUA
Por trás das negociações está uma disputa mais ampla sobre onde será instalada a capacidade necessária para abastecer a corrida global por chips. O governo americano tem pressionado fabricantes asiáticos a ampliar a produção dentro dos Estados Unidos.
O secretário de Comércio, Howard Lutnick, chegou a ameaçar empresas sul-coreanas e taiwanesas com tarifas de até 100% caso não assumam compromissos para aumentar a fabricação no país, em meio à expansão dos investimentos em IA e em data centers intensificando a procura por chips de memória.
O próprio presidente do SK Group, Chey Tae-won, reconheceu em julho que a companhia vinha recebendo forte pressão de clientes e governos para aumentar a oferta. Na ocasião, o executivo afirmou considerar necessária a construção de uma fábrica nos EUA.
No entanto, as fontes ouvidas pelo canal americano pontuaram que fabricar semicondutores nos EUA é significativamente mais caro do que na Coreia do Sul, tanto pela mão de obra e pela construção das instalações quanto pela concentração de boa parte da cadeia de fornecedores do setor na Ásia.
Seul pode se tornar obstáculo
O principal entrave para um eventual acordo pode estar na Coreia do Sul, porque uma transferência da produção de tecnologias avançadas pode enfrentar resistência do governo sul-coreano por envolver tecnologias consideradas estratégicas.
O Ministério do Comércio do país afirmou que cabe à SK Hynix decidir sobre um eventual investimento nos Estados Unidos. Se o projeto envolver uma tecnologia classificada como essencial para a segurança econômica do país, contudo, a operação precisará passar por uma análise.
Tanto a SK Hynix quanto a Samsung Electronics vêm sendo incentivadas pelo governo a acelerar investimentos em um novo polo de fabricação de chips no sudoeste da Coreia do Sul.
As negociações acontecem ainda em meio às discussões entre Washington e Seul sobre um compromisso de US$ 350 bilhões em investimentos sul-coreanos nos EUA, no qual US$ 150 bilhões foram destinados à indústria naval, enquanto o destino dos US$ 200 bilhões restantes ainda está em aberto.
