Ação da Meta despenca com relato de oferta bilionária para financiar expansão em IA

Os papéis da Meta Platforms chegaram a cair 7% nos negócios desta sexta-feira após o Financial Times revelar que a empresa considera lançar uma oferta de ações de dezenas de bilhões de dólares para financiar sua expansão em inteligência artificial.
As discussões ganharam força depois que a Alphabet, controladora do Google, lançou uma captação de US$ 85 bilhões em ações nesta semana.
Gastos sem precedentes em IA
Os executivos da Meta vêm explorando formas "criativas" de captar recursos enquanto a companhia se prepara para elevar seus gastos de capital em IA para até US$ 145 bilhões neste ano, com previsão de alta adicional em 2027. O dinheiro seria destinado à construção de data centers para treinar e rodar modelos avançados de inteligência artificial, infraestrutura considerada essencial para a visão de Mark Zuckerberg de uma "superinteligência pessoal" distribuída por Facebook, WhatsApp, Instagram e dispositivos vestíveis como óculos inteligentes e pendentes de voz.
Quem está à frente das negociações
Segundo o Financial Times, As conversas são lideradas pela diretora financeira Susan Li e por Dina Powell McCormick, que migrou do conselho de administração para assumir a presidência da empresa em janeiro, com foco no planejamento de longo prazo da infraestrutura de IA. Powell McCormick passou 16 anos no Goldman Sachs, banco que liderou a operação da Alphabet e que estaria bem posicionado para conquistar o mandato da Meta.
Uma das estruturas analisadas é a emissão de ações preferenciais conversíveis obrigatórias, o mesmo mecanismo usado pela Alphabet, que permite captar recursos imediatamente mas adia a emissão efetiva das ações por anos.
Dívida bilionária e corte de custos
A Meta já vinha buscando fontes alternativas de capital. A dívida de longo prazo, inferior a US$ 10 bilhões em 2022, chegou a US$ 55 bilhões em meses recentes. Em outubro, a empresa captou US$ 27 bilhões em emissão de dívida por meio de uma joint venture com a gestora Blue Owl para construir um data center de proporções gigantescas na Louisiana, batizado de "Hyperion". Para conservar caixa, a Meta também demitiu 8.000 funcionários no mês passado, pausou a contratação para 6.000 vagas adicionais e suspendeu a recompra de ações no fim de 2025.
Empresa nega, mas não descarta
A companhia ainda não contratou bancos e pode não chegar a emitir novos papéis. Uma fonte descreveu as discussões como "prematuras". Um porta-voz classificou o noticiário de "pura especulação", mas acrescentou que a empresa continuará buscando formas flexíveis de captar capital diante das "enormes oportunidades" em IA.
Corrida pelos mercados de capitais
O movimento ocorre em meio a uma intensa movimentação nos mercados de capitais americanos. A SpaceX deve fazer seu IPO na próxima semana, com avaliação de US$ 1,78 trilhão. A Anthropic protocolou confidencialmente seu pedido de listagem, e a OpenAI também se prepara para abrir capital — ambas com valuations esperados acima de US$ 1 trilhão. Analistas apontam que Microsoft e Amazon também devem considerar emissões de ações à medida que os gastos com data centers aumentam e investidores questionam o impacto nos balanços.
