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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
30/06/2026
3 min

Ação da Microsoft caminha para pior mês em quase três décadas

Ação da Microsoft caminha para pior mês em quase três décadas

A Microsoft está prestes a fechar o pior mês desde dezembro de 2000. As ações da gigante de tecnologia acumulam queda de cerca de 17% em junho, em meio a uma onda de vendas que atingiu quase todas as grandes empresas de tecnologia, especialmente àquelas voltadas à inteligência artificial (IA).

Se o resultado se confirmar, será o pior desempenho mensal da companhia em mais de duas décadas, período em que a empresa perdeu cerca de US$ 570 bilhões em valor de mercado. Hoje o valuation está em US$ 2,74 trilhões, e os papéis (MSFT) sobem 0,24, a US$ 369,45, no pré-mercado em Nova York.

Para efeito de comparação, em dezembro de 2000, a Microsoft havia recuado 24,4% em um único mês. Desde então, o pior resultado mensal da empresa havia sido registrado em fevereiro de 2008, poucos meses antes do colapso do Lehman Brothers, que detonou a crise financeira global, quando as ações caíram 16,56%.

Caso consiga reverter parte das perdas e fechar junho com queda menor que esse patamar, a Microsoft até evitaria superar a marca de 2008, mas seguiria, mesmo assim, enfrentando seu pior mês desde a virada do milênio, de acordo com informações divulgadas pelo Yahoo Finance.

Dúvida sobre obsolescência e financiamento-dívida

Estrategista-chefe de investimentos da Cresset Wealth Advisors, Jack Ablin resumiu essa tensão em comentário à Bloomberg. "Resta saber se o Microsoft Word ou o Excel se tornarão obsoletos devido à IA", mas ponderou que o nível de gasto da companhia "é motivo de preocupação."

Isso porque boa parte do financiamento está vindo do mercado de dívida, o que, na avaliação dele, indica que o caixa das empresas não será suficiente para sustentar sozinho essa expansão. "Muitas empresas estão recorrendo ao mercado de títulos para captar recursos", detalhou.

No entanto, analistas do Deutsche Bank, que mantêm recomendação de compra para a ação e preço-alvo de US$ 550, afirmaram ter "confiança incremental" na capacidade da Microsoft de sustentar e expandir suas margens operacionais e continuar gerando crescimento de valor nos próximos anos.

'Big techs' sofrem mais que o setor como um todo

O recuo de junho ocorre em um ano que, até aqui, tem sido positivo para o setor de tecnologia como um todo. O fundo que acompanha o índice (ETF, em inglês) de tecnologia da State Street (XLK) acumula valorização de 27% em 2026, bem acima dos 8% do S&P 500 no mesmo período.

O problema está concentrado justamente nas líderes do setor. O ETF Roundhill Magnificent Seven (MAGS), que reúne Apple, Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta, Tesla e Nvidia, perdeu 10,7% nos últimos 30 dias de pregão e acumula queda de cerca de 4% no ano.

Dentro desse grupo, a Microsoft tem sido alvo de uma pressão de venda particularmente intensa, que tirou fôlego considerável das ações da maior fornecedora de software corporativo do mundo.

A companhia segue despejando bilhões em IA, mas o mercado tem se mostrado cada vez mais desconfiado sobre o retorno desse investimento e sobre o risco de que a própria onda de IA torne obsoletos produtos tradicionais da empresa, caso de pacotes como Word e Excel.

Esse temor ganhou força depois do balanço do terceiro trimestre fiscal, divulgado no fim de abril, quando a Microsoft projetou crescimento considerado modesto para o Azure, sua divisão de computação em nuvem, ao mesmo tempo em que elevou a previsão de investimento em capital (capex) para o ano para US$ 190 bilhões.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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