Ação da Natura sobe mais de 7% com troca de CEO e lidera altas do Ibovespa
Volta de ex-CEO anima investidores, e papel dispara no último pregão de agosto

As ações da Natura (NATU3) lideram os ganhos do Ibovespa no último pregão do mês de agosto. Às 10h56 (horário de Brasília), os papéis subiam 7,44%, a R$ 9,27. A alta coincide com o anúncio de troca do CEO da companhia, feito na manhã desta segunda-feira, 31.
A Natura comunicou que Alessandro Carlucci, que presidiu a empresa entre 2005 e 2014, retorna ao cargo de CEO a partir de 1º de outubro. Ele substitui João Paulo Ferreira, que deixa a função após dez anos. A troca foi aprovada pelo conselho de administração em reunião realizada no dia 28 de agosto e formalizada em fato relevante.
Ferreira também renunciou, com efeitos imediatos, à cadeira que ocupava no conselho e às posições nos comitês de assessoramento. Já Carlucci precisou deixar tanto a presidência do conselho quanto o assento de conselheiro para assumir a presidência-executiva, já que o estatuto social da Natura impede o acúmulo das funções de CEO e chairman. Com a saída dele do colegiado, Fábio Barbosa retorna à presidência do conselho, movimento que ainda depende de ratificação dos acionistas na próxima assembleia geral.
Carlucci acumula 25 anos de trajetória na companhia e foi o primeiro CEO de fora do grupo de controladores. Ao comentar a nomeação, afirmou que o foco estará em acelerar a execução da estratégia já em curso, diante de um ambiente altamente competitivo. A empresa reforçou que suas diretrizes estratégicas permanecem inalteradas.
A gestão de Ferreira foi marcada por uma transformação profunda da companhia, que passou a operar em modelo multicanal, digitalizou a venda direta e levou a venda direta da Avon a marketplaces como a Shopee. No período, a Natura também concluiu a venda da Avon Internacional e alienou a operação da marca na Rússia, passos de um amplo processo de simplificação da estrutura herdada da antiga Natura &Co.
Um nome com longa trajetória na companhia
O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) lembra que Carlucci está longe de ser um estranho na Natura. Além dos 25 anos de casa, sua gestão anterior, entre 2005 e 2014, coincidiu com capítulos marcantes da história da empresa. Foi o período em que a companhia acelerou a expansão internacional, com a abertura de operações no México e na Colômbia, alcançou a marca de 1 milhão de consultoras em 2009 e criou o Instituto Natura e o Programa Natura Amazônia.
O banco também destaca a aquisição de uma fatia de 65% na Aesop, em 2012 e 2013, primeiro passo relevante da Natura na construção de um portfólio internacional de marcas. O período incluiu ainda marcos de sustentabilidade e investimentos em logística, produção e infraestrutura digital no fim da gestão. Mais recentemente, Carlucci voltou ao grupo como conselheiro sênior da Avon, em 2024 e 2025, antes de entrar no conselho da Natura e assumir a presidência do colegiado neste ano.
Aposta na execução
Para o BTG, o mercado tende a receber bem a troca de liderança. O banco pondera, no entanto, que a volatilidade operacional dos últimos períodos deslocou o debate sobre a companhia da direção estratégica para a execução e o ritmo de entrega.
Nesse contexto, os analistas avaliam que o retorno de Carlucci a um cargo executivo parece voltado principalmente a fortalecer a execução, e não a mudar o rumo da estratégia. O BTG argumenta que o caso de investimento depende cada vez mais da capacidade da Advent (que entrou no bloco de controle da companhia) de trazer uma execução mais forte, renovar a gestão onde for necessário, repensar a estratégia do canal de vendas e recuperar a alavancagem operacional.
O banco afirma que ganhos mais expressivos vão depender da capacidade da Natura de transformar a nova estrutura societária em melhoras sustentadas de desempenho operacional e financeiro. Por isso, prefere esperar por evidências mais claras de que essas mudanças estão se traduzindo em melhora do desempenho antes de adotar uma postura mais construtiva. O BTG mantém recomendação neutra para a Natura, com preço-alvo de R$ 12 em 12 meses, o que embute um potencial de valorização de cerca de 37% ante a cotação usada como referência no relatório.
