Ação em disparada de 500%: Com ROE de quase dois Itaú, Tenda (TEND3) é caso ‘raro’ na bolsa, diz CFO
YouTube A Tenda (TEND3) é uma das empresas que conseguiu executar com sucesso o famoso turnaround, ou, no bom português, sua virada operacional. E que virada. Desde 2023, quando a empresa acumulava prejuízos e queima de caixa constante, a ação saltou incríveis 500%. Um prato cheio para investidores pacientes e focados no longo prazo. Superado […]

A Tenda (TEND3) é uma das empresas que conseguiu executar com sucesso o famoso turnaround, ou, no bom português, sua virada operacional. E que virada.
Desde 2023, quando a empresa acumulava prejuízos e queima de caixa constante, a ação saltou incríveis 500%. Um prato cheio para investidores pacientes e focados no longo prazo.
Superado o momento turbulento, agora a empresa faz um discurso de pés no chão (e talvez esse seja o segredo por trás da virada). E quem diz isso é o seu CFO, Luiz Mauricio Garcia.
Antes analista de ações do setor imobiliário, Garcia passou para o outro lado do balcão ainda em 2022 e foi um dos responsáveis por colocar a construtora de volta nos trilhos. Para ele, o mantra é crescer sem abrir mão da rentabilidade.
“Crescimento, para a gente, como regra número um, tem que ser com rentabilidade. Esse é um primeiro ponto”, afirma em entrevista ao Money Minds, programa de entrevistas do Money Times.
E, dada a característica do setor de ter uma baixa necessidade de capital de giro quando cresce, crescer gerando caixa também não é uma má ideia, diz.
Garcia levanta mais um fator: diversificação geográfica. Se uma região do Brasil vai mal, outra compensa. Mas é preciso tomar cuidado para que ela não seja excessiva, a ponto de trazer uma complexidade operacional muito grande.
“Acho que isso também nós aprendemos ao longo do tempo no setor imobiliário, quem tem muitas empresas. A gente viu empresas lá atrás que cresceram muito rápido, diversificando demais e também atuando em vários segmentos”, diz.
Ele cita o caso da PDG. Após um período de forte expansão e alta alavancagem, a empresa sofreu com a desaceleração do mercado imobiliário na década passada, acumulando dívidas, o que a levou a um processo de recuperação judicial.
Hoje, por exemplo, a Tenda está em dez regiões metropolitanas do país, em nove estados.
“Diante do tamanho do país, a gente entende que é uma diversificação boa o suficiente para diversificar o risco, mas não excessiva a ponto de trazer uma complexidade operacional muito grande”, afirma.
Caso raro
E parece que a receita de crescer priorizando a rentabilidade tem dado certo. A Tenda está com um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 37%. Para se ter uma noção, é uma rentabilidade quase duas vezes maior que a do maior banco privado do país, o Itaú (ITUB4), que fechou em 23% – algo raro, segundo Garcia.
“Felizmente, o setor de habitação popular consegue ter um retorno bem acima do custo de capital, o que é algo bem difícil de encontrar na bolsa. São pouquíssimas as empresas que conseguem ter um retorno sobre o patrimônio acima de 20%, 25%. E a gente está nessa situação.”
Para Garcia, isso dá à empresa mais ‘casca’ para enfrentar a piora da economia. Há outro fator: o desequilíbrio entre oferta e demanda nesse setor é muito grande.
“Por mais que você tenha uma retração da demanda potencial, ainda assim, como há um grande desequilíbrio entre oferta e demanda, com a oferta muito menor do que a demanda potencial, isso normalmente não tem um impacto grande na performance das empresas.”
O otimismo fez a empresa elevar a expectativa de vendas da sua operação principal, voltada à habitação popular, para um intervalo entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões neste ano, ante R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões anteriormente.
A estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também passou para R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão, contra R$ 950 milhões a R$ 1,1 bilhão antes.
Inadimplência preocupa?
Mesmo que a situação da Tenda esteja confortável, a empresa não está imune aos muitos desafios da economia, incluindo ai a inadimplência do consumidor.
Segundo o CFO, o movimento já aparece nos resultados dos bancos, com aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD).
Garcia explicou que a Tenda também possui exposição ao aumento da inadimplência porque financia parte do valor dos imóveis vendidos.
Cerca de 70% do preço do imóvel é financiado pelo crédito imobiliário, enquanto outros 10% são compostos por subsídios de programas habitacionais e pelo resgate do FGTS.
Os 20% restantes são financiados parcialmente pela própria companhia, antes e depois da entrega das chaves.
“Ali, sim, nós estamos expostos ao aumento da inadimplência”, afirmou.
O executivo disse que a Tenda já registrou impacto desse movimento no segundo trimestre, com aumento da provisão para inadimplência.
Apesar disso, afirmou que a companhia não vê o cenário como capaz de alterar de forma significativa suas expectativas futuras, desde que seja mantido o atual nível de rentabilidade.
“Sim, acho que a gente é impactado. Mas o que importa é qual é o nível de rentabilidade que a companhia está entregando e se isso é algo que muda de maneira forte a expectativa futura. No nosso caso, nós não entendemos que esse seja o cenário”, disse.
