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Sacre Investimentos
EconomiaACS
30/07/2026
3 min

Achar bom crescimento de 2% do PIB no Brasil é ‘se contentar com pouco’, avalia Mario Mesquita

O economista Mario Mesquita, ex-economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor de política monetária do Banco Central, considera que achar o crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) como bom é “se contentar com pouco”, visto o potencial produtivo do Brasil. “Crescemos muito menos do que o mundo há muito tempo. Não estou apavorado, mas […]

Achar bom crescimento de 2% do PIB no Brasil é ‘se contentar com pouco’, avalia Mario Mesquita

O economista Mario Mesquita, ex-economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor de política monetária do Banco Central, considera que achar o crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) como bom é “se contentar com pouco”, visto o potencial produtivo do Brasil.

“Crescemos muito menos do que o mundo há muito tempo. Não estou apavorado, mas estou um pouco frustrado”, diz. A avaliação foi feita durante o evento da Moody’s “Inside LatAm: Brasil 2026”, realizado nesta quinta-feira (30), em São Paulo.

O economista afirma que a alta do PIB no primeiro trimestre foi bom, em ritmo razoável, mas perdeu a força, segundo os indicadores de alta frequência, como varejo, serviços e indústria. “Parece uma economia que está aterrissando. O crescimento neste ano deve ficar em 2%”, avalia.

À frente, o economista estima que o crescimento da atividade brasileira fique ao redor de 1,6%, uma vez que os estímulos econômicos devem reduzir no próximo ano depois do período de eleições.

Quanto à política fiscal, Mesquita considera que a conduta do próximo governo só será conhecida durante a transição. “A única coisa certa é que a dívida pública vai continuar crescendo”, afirma, acrescentando que o avanço da dívida deve afetar o preço dos ativos domésticos no longo prazo.

Na avaliação do economista, alguma coisa será realizada em relação ao ajuste fiscal no próximo governo, basta entender qual será o caráter dessas mudanças, se podem ser feitas pelo lado dos gastos ou das receitas.

Além disso, outros pontos que devem ficar no radar mais adiante na economia brasileira, segundo Mesquita são o protecionismo, a privatização de empresas estatais e o ambiente regulatório no país.

Para estabilizar a dívida publica, hoje equivalente a 80% do PIB, Mesquita considera que seria necessário adotar medidas como rever a vinculação de indexação de gastos, como o piso da Saúde e Educação. O ajuste gradual, afirma, talvez, seja o mais inevitável. O avanço da dívida, diz, é “exorbitante” hoje.

Já em relação à inflação, Mesquista avalia que, apesar das surpresas recentes, a dinâmica de preços tem se mostrado persistente, mantendo-se quase sempre acima da meta de 3% em termos anualizados. “Se fosse pela inflação corrente, não era para o Banco Central estar cortando os juros, mas ele está mirando na inflação à frente”, explica.

Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado avalia diferentes cenários e escolhe a Selic mais adequada para jogar a inflação para onde é desejado. A política monetária demora para fazer efeito na inflação, lembra Mesquita.

“O que deve incomodar o Banco Central é que em nenhum dos cenários a inflação converge para a meta de 3%”, afirma Mesquita, que lembra que, ao olhar dois anos à frente, o resultado é de decisão de política monetária, com choques como o El Niño e o petróleo não interferindo adiante. “Eu no lugar deles (Copom) também estaria desconfortável com isso.”

Federal Reserve

Para Mesquita, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) tem errado na parte de inflação do duplo mandato, enquanto vem entregando o desemprego. “Está claro que a inflação vem rodando acima da meta há muitos anos, não é a toa o Warsh vem enfatizando a estabilidade de preços”, complementa.

O economista considera bem provável que o Fed eleve os juros na próxima reunião de setembro. Além disso, a interpretação de que a política monetária poderia ser terceirizada não está correta, afirma.

“Se o Kevin Warsh [presidente do Fed] está mesmo preocupado com a inflação nos Estados Unidos, ele vai ter que fazer alguma coisa, afirma Mesquista, brincando que “graças a Deus isso é problema dele, não é meu”.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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