Ações da Ambipar entram em leilão permanente na B3: o que isso significa
Medida da B3 ocorre em meio à crise financeira e à recuperação judicial da Ambipar

A B3 informou que as ações da Ambipar serão negociadas em leilão durante toda a sessão desta segunda-feira, 31. Isso significa que os papéis deixam, por enquanto, de ser negociados normalmente ao longo do dia. Os negócios serão fechados apenas no fim do pregão.
A mudança foi determinada porque a companhia de gestão ambiental e resposta a emergências não entregou informações periódicas exigidas pela bolsa. De acordo com a B3, a negociação normal só poderá voltar quando a Ambipar colocar em dia todas as informações que estão pendentes.
A EXAME entrou em contato com a Ambipar e com a própria B3 para obter mais informações sobre o assunto, mas não recebeu retorno até o momento. O espaço segue aberto.
O que muda para quem tem ações da Ambipar?
Normalmente, as ações podem ser compradas e vendidas a qualquer momento durante o pregão. No sistema de leilão, as ofertas ficam registradas e são reunidas para definir um preço de negociação. No caso da Ambipar, a B3 determinou que os negócios sejam realizados apenas no encerramento do pregão.
Isso torna mais difícil comprar ou vender as ações imediatamente durante o dia. O preço também pode se comportar de maneira diferente do que aconteceria em uma sessão normal de negociação.
A decisão não significa que as ações (AMBP3) deixaram de ser negociadas ou foram retiradas da bolsa. Os papéis continuam listados na B3, porém passam a seguir esse formato especial de negociação.
Crise financeira e recuperação judicial
A decisão da B3 acontece enquanto a Ambipar enfrenta uma crise financeira. Em outubro de 2025, a Ambipar e sua controlada Environmental ESG Participações entraram com um pedido de recuperação judicial (RJ) na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
O pedido veio depois que a companhia identificou indícios de irregularidades em contratos de operações de swap realizados pela antiga diretoria financeira.
O episódio levou à saída repentina do então diretor-financeiro (CFO, em inglês), João Daniel Piran de Arruda, e fez alguns credores pedirem o pagamento antecipado de dívidas. A companhia passou a enfrentar o risco de que esses problemas afetassem outras obrigações do grupo.
A RJ ainda está em andamento, e a primeira Assembleia Geral de Credores, realizada em 25 de agosto, não foi instalada por falta de quórum. Uma nova reunião está marcada para 1º de setembro, quando os credores deverão votar o plano de recuperação judicial.
O plano já foi apresentado pela Ambipar, mas ainda precisa passar pela aprovação dos credores e, posteriormente, pela análise da Justiça. Enquanto isso, a empresa segue com o processo de reestruturação de suas dívidas.
Pedido de proteção nos EUA
A Ambipar também entrou com um pedido de proteção contra credores nos Estados Unidos, pelo chamadoChapter 11, em outubro de 2025. O processo envolve a empresa do grupo registrada nas Ilhas Cayman e tramita em um tribunal de falências do Texas.
O processo continua em discussão no território americano. A Ambipar busca suspender o Chapter 11 para concentrar a reestruturação de suas dívidas na RJ que tramita no Brasil. As informações foram divulgadas pela grande imprensa no Brasil.
A decisão sobre a suspensão do processo, porém, foi afetada por uma disputa com a Opportunity, gestora de investimentos que é credora e acionista minoritária da Ambipar. O fundo questiona pontos do processo de reestruturação nos EUA e tem apresentado objeções aos pedidos da companhia.
