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MercadosACS
12/08/2026
5 min

Ações da Gerdau (GGBR4) sobem nesta quarta (12) e XP vê mais alta pela frente; veja potencial

A Gerdau (GGBR4) figura entre as principais altas do Ibovespa nesta quarta-feira (12). As ações da siderúrgica avançam em meio a uma combinação de fatores positivos para a companhia: a XP atualizou suas projeções e elevou o preço-alvo para os papéis, enquanto o CEO Gustavo Werneck revelou novos planos para fortalecer a operação brasileira. Os […]

Ações da Gerdau (GGBR4) sobem nesta quarta (12) e XP vê mais alta pela frente; veja potencial

A Gerdau(GGBR4) figura entre as principais altas do Ibovespa nesta quarta-feira (12). As ações da siderúrgica avançam em meio a uma combinação de fatores positivos para a companhia: a XP atualizou suas projeções e elevou o preço-alvo para os papéis, enquanto o CEO Gustavo Werneck revelou novos planos para fortalecer a operação brasileira.

Os papéis da companhia subiam 1,78%, a R$ 24,59, por volta das 12h30, enquanto a Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançava 2,25%, a R$ 10,93, no mesmo horário.

O movimento ocorre depois de a XP elevar suas estimativas para a Gerdau e estabelecer um preço-alvo de R$ 30 por ação para o fim de 2027, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 24% ante os preços atuais. A casa utiliza uma metodologia de fluxo de caixa descontado para chegar ao valor.

A revisão vem mesmo após a GGBR4 acumular alta de cerca de 20% no ano. Para a XP, a valorização não foi suficiente para eliminar o potencial dos papéis, diante da perspectiva de continuidade da melhora dos lucros e da forte exposição da companhia ao mercado americano.

XP vê lucros maiores e aposta na força dos EUA

A principal razão para a visão positiva da XP é a América do Norte, que continua sendo o motor da melhora dos resultados da Gerdau.

Segundo a casa, as condições do mercado siderúrgico americano seguem favoráveis, com preços resilientes, oferta disciplinada e backlogs saudáveis. A XP também não vê sinais concretos de um acordo iminente entre Estados Unidos, México e Canadá que pudesse facilitar o retorno de importações ao mercado americano e pressionar os preços do aço.

Embora novas capacidades no México sejam um risco para a tese, a XP espera que um impacto mais significativo sobre os volumes da Gerdau apareça somente a partir de 2027, após um processo gradual de expansão. A tarifa de aproximadamente 50% da Seção 232 também deve limitar o incentivo para grandes fluxos de aço mexicano aos Estados Unidos.

Com essa leitura, a XP elevou em 8% a 9% suas estimativas de Ebitda ajustado para 2026 e 2027, para aproximadamente R$ 13,6 bilhões e R$ 13,8 bilhões, respectivamente. Os números ficam cerca de 9% e 6% acima do consenso.

A casa também estima FCF yield de 9,4% em 2026 e 11,0% em 2027, considerados atrativos. A geração de caixa deve ser favorecida pela redução das necessidades de investimentos após a conclusão dos principais projetos, pelos ganhos de eficiência de Miguel Burnier e pelo aumento gradual da capacidade de produção, incluindo a expansão de Midlothian.

Mesmo com uma postura conservadora para os preços do aço, a XP projeta queda de aproximadamente US$ 40 por tonelada em 2027. Com isso, a margem Ebitda consolidada poderia recuar de cerca de 26% em 2026 para 24% em 2027 e 19% em 2029, sem eliminar a tese positiva para a companhia.

CEO quer criar uma “nova Gerdau” no Brasil

A operação brasileira também ganhou destaque nesta quarta-feira após declarações do CEO Gustavo Werneck ao NeoFeed. O executivo revelou que a Gerdau prepara um plano para criar uma “nova Gerdau” no Brasil, com o objetivo de equilibrar o peso das operações brasileiras e americanas nos resultados da companhia.

Atualmente, os Estados Unidos representam 74,1% do Ebitda da Gerdau, enquanto o Brasil responde por 20,1%, segundo a publicação. A estratégia em construção busca fazer com que a operação brasileira passe a representar, no resultado final, praticamente o mesmo peso da unidade americana.

O plano envolve otimização da produção, reorganização de ativos e foco em mercados com potencial de crescimento, como data centers e energia renovável. A companhia também pretende avançar na mineração, com destaque para Miguel Burnier, e reduzir a exposição a operações menos rentáveis.

A estratégia brasileira ainda está em construção e deve ser apresentada pela companhia nos próximos meses. A ideia, segundo Werneck, é replicar no Brasil parte da transformação realizada nos Estados Unidos, onde a Gerdau concentrou suas principais operações, aumentou a produtividade e se desfez de ativos considerados menos atrativos.

Itaú BBA pisa no freio

Apesar do otimismo da XP, o mercado não está unânime sobre o potencial de valorização da Gerdau.

O Itaú BBA rebaixou recentemente a recomendação para GGBR4 de outperform para market perform, equivalente a neutro, embora tenha elevado o preço-alvo de R$ 27 para R$ 29 ao fim de 2027.

A mudança, segundo o banco, não representa uma piora dos fundamentos da siderúrgica. O argumento é de valuation: depois de uma alta de 33% desde o fim de março, o BBA entende que uma parcela relevante da melhora operacional já foi incorporada ao preço das ações.

Assim, enquanto a XP vê 24% de potencial de alta até o preço-alvo de R$ 30, o Itaú BBA adota uma postura mais cautelosa e entende que o espaço para novos ganhos ficou mais limitado.

Resultado do 2T26

No segundo trimestre de 2026, a Gerdau registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,46 bilhão, alta de 69,7% na comparação anual e de 44,7% ante o 1T26. O Ebitda ajustado somou R$ 3,43 bilhões, avanço de 33,9% em um ano, com margem de 19,2%, alta de 4,6 pontos percentuais.

A América do Norte foi o principal destaque, com Ebitda de R$ 2,6 bilhões, alta de 59% e cerca de 74% do resultado consolidado. Já o Brasil teve Ebitda de R$ 705 milhões, queda de 19,6% em um ano, embora tenha avançado 22% no trimestre. A receita líquida ficou em R$ 17,8 bilhões, enquanto as vendas de aço cresceram 3%, para 2,908 milhões de toneladas.

No balanço, a dívida líquida caiu 11% em um ano, para R$ 8,12 bilhões, e a alavancagem ficou em 0,69 vez.

A companhia também aprovou R$ 451,3 milhões em dividendos e, até meados de julho, havia recomprado cerca de 17,4 milhões de ações, equivalente a 31% do programa autorizado.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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