Ações da Nestlé caem mais de 7% após balanço, o pior tombo desde 2020; entenda

As ações da Nestlé registram a pior sessão desde 2020 nesta quinta-feira, 23, após a companhia reduzir sua expectativa para a margem operacional no segundo semestre. Às 10h (horário de Brasília), os papéis da fabricante suíça (NESN), dona de marcas como KitKat e Nespresso, caíam 7,18% na bolsa de Zurique, na Suíça.
A companhia informou que a margem operacional do segundo semestre deve permanecer "semelhante" à registrada nos seis primeiros meses do ano, abandonando a previsão anterior de expansão. A revisão ofuscou um balanço que, em outros indicadores, superou as estimativas do mercado.
Para o analista do Bernstein, Callum Elliott, a mudança na perspectiva para a rentabilidade "tira o brilho" dos resultados divulgados pela companhia, de acordo com informações consultadas pelo Financial Times.
Custos pressionam e vendas decepcionam
A Nestlé segue enfrentando pressão dos custos de matérias-primas, principalmente café e cacau. No primeiro semestre, a margem operacional recuou 0,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior, para 16,4%, enquanto o lucro operacional caiu 2,8%, para 7,1 bilhões de francos suíços (US$ 8,7 bilhões).
A empresa indicou que o desempenho também foi impactado pelo aumento dos investimentos em marketing, pelas tarifas comerciais e pelos custos relacionados ao recolhimento global de fórmulas infantis realizado no início do ano, motivado pela possível presença da toxina cereulide em alguns produtos.
A receita do segundo trimestre da Nestlé cresceu 3,7%, acima das estimativas dos analistas, impulsionada por reajustes médios de preços de 1,9%. O desempenho dos volumes, porém, ficou abaixo das expectativas de parte dos investidores. As vendas em volume cresceram 1,8% na comparação anual, em linha com o consenso.
"Dada a alta, não achamos que o dado (de volume) seja bom o suficiente", indicou o analista do Barclays, Warren Ackerman.
Nova gestão acelera mudanças na Nestlé
Os resultados chegam em um momento de transformação na Nestlé. Sob o comando do CEO Philipp Navratil e do presidente do conselho Pablo Isla, ex-Inditex, a companhia vem simplificando sua estrutura organizacional e revisando o portfólio de marcas, com foco em aumentar a eficiência operacional.
Como parte dessa estratégia, a empresa anunciou a criação da Peranel, uma joint venture com a gestora Platinum Equity avaliada em € 4,9 bilhões, a qual reunirá 30 marcas de água mineral em 120 países, incluindo San Pellegrino, Perrier e Acqua Panna. A operação deverá gerar cerca de € 3 bilhões em caixa para a Nestlé.
