Ações de aéreas dos EUA anulam perdas da pandemia com queda do petróleo

O principal fundo de índice do setor de aviação civil nos Estados Unidos, o US Global Jets ETF (JETS), conseguiu se recuperar totalmente das perdas acumuladas desde o início da pandemia após um período de seis anos. O movimento de recuperação foi impulsionado pelo recuo nos preços internacionais do petróleo, que caíram abaixo de US$ 75 o barril nesta semana devido ao avanço nas negociações de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã.
No acumulado de 2026, o índice JETS apresenta uma alta de 20%, superando os ganhos de 7,9% registrados pelo S&P 500 no mesmo período. Apesar da reação recente, o indicador setorial praticamente andou de lado no longo prazo, registrando uma valorização de apenas 3% desde o fechamento de quarta-feira em comparação ao final de 2019, enquanto o S&P 500 saltou quase 128% no mesmo intervalo.
O longo histórico de recuperação do setor
A trajetória das companhias aéreas foi severamente impactada nos últimos anos por restrições sanitárias de viagens internacionais, escassez de suprimentos na fabricação de aeronaves e uma paralisação recorde do governo norte-americano. Entre o pico de janeiro de 2020 e o ponto mais baixo da crise pandêmica, quatro meses depois, o fundo JETS despencou cerca de 63%. A retomada financeira também foi freada pela demora no retorno dos viajantes de negócios, segmento que representa a maior margem de lucro para as operadoras.
Como o combustível de aviação é um dos maiores custos operacionais do setor, a recente desvalorização da commodity aliviou a pressão sobre as margens operacionais, que vinham sendo espremidas devido aos conflitos no Oriente Médio. Para mitigar os custos elevados, as empresas haviam adotado medidas rigorosas, como o aumento das passagens em 20%, elevação de tarifas para bagagens despachadas, cortes de rotas e a desativação de aeronaves antigas e menos eficientes.
Analistas mantêm cautela diante do consumo pressionado
Apesar dos ventos favoráveis com a queda do petróleo, analistas de mercado recomendam cautela devido ao caráter cíclico da aviação. Executivos de firmas de investimento destacam que a confiança do consumidor nos EUA segue próxima das mínimas históricas, com a população enfrentando redução de poupança, endividamento no cartão de crédito e preços ainda elevados. Durante a última temporada de balanços, as gigantes United Airlines Holdings Inc. e American Airlines Group Inc. reduziram suas metas anuais devido ao estresse geopolítico anterior, e o mercado aguarda os resultados da Delta Air Lines Inc., que abre o segundo trimestre em 10 de julho.
Por outro lado, a resiliência na demanda por serviços de categorias premium atua como um ponto positivo para o segmento. Companhias como a Delta, a JetBlue Airways Corp. e a própria United apontaram que os viajantes de maior poder aquisitivo continuam propensos a pagar mais caro por assentos especiais e acesso a salas VIP de aeroportos, o que deve dar suporte às projeções financeiras que serão divulgadas nas próximas semanas.
