Ações de frigoríficos caem após veto da Europa à carne brasileira

Os frigoríficos estão entre as maiores perdas do Ibovespa nesta segunda-feira, 8, após a União Europeia oficializar a suspensão das importações de determinados produtos brasileiros de origem animal a partir de setembro de 2026. A decisão amplia as preocupações dos investidores com o acesso da proteína brasileira aos mercados internacionais e ocorre em um momento em que o setor já enfrenta pressões vindas dos Estados Unidos e da China.
Por volta das 12h10, as ações da Marfrig (MRFG3) recuavam 2,41%, para R$ 15,38, figurando entre as maiores quedas do Ibovespa. Os papéis da Minerva (BEEF3) caíam 1,90%, para R$ 3,61, enquanto os BDRs, os Brazilian Depositary Receipts, da JBS registravam baixa de 4%, a R$ 60. No mesmo horário, o Ibovespa operava praticamente estável, com alta de 0,09%, aos 169.158 pontos.
O movimento ocorre após aUnião Europeia oficializar a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. A medida passa a valer em 3 de setembro de 2026 e atinge carnes bovina e de frango, além de pescado, mel, tripas e outros produtos de origem animal.
A restrição está relacionada às exigências sanitárias europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar que seus sistemas de fiscalização atendem às regras estabelecidas pelo bloco.
"A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos", afirma o regulamento europeu.
Embora a decisão não interrompa imediatamente os embarques, ela representa um revés para um mercado relevante para as exportações brasileiras. Em 2025, o Brasil exportou US$ 32,3 bilhões em produtos de origem animal. Desse total, US$ 1,6 bilhão teve como destino a União Europeia, segundo maior mercado para esses produtos, atrás apenas da China.
EUA e China também trazem incertezas para a carne brasileira
A reação negativa do mercado também reflete um contexto mais amplo de incertezas para o setor. Nos Estados Unidos, o governo americano anunciou recentemente uma investigação sobre trabalho forçado em cadeias produtivas de diversos países, incluindo o Brasil, e propôs tarifas adicionais para importações provenientes de países considerados insuficientemente rigorosos no combate a essa prática.
Apesar de a carne bovina brasileira ter ficado de fora das medidas inicialmente propostas, o relatório americano cita registros de trabalho forçado na produção pecuária brasileira e argumenta que os produtores dos Estados Unidos enfrentam uma desvantagem competitiva diante do avanço das exportações brasileiras.
O debate ocorre justamente quando o Brasil consolidou sua liderança global na produção de carne bovina. Em 2025, o país produziu 12,3 milhões de toneladas, superando as 11,8 milhões de toneladas produzidas pelos Estados Unidos, segundo dados do Departamento de Agricultura americano (USDA).
Na China, principal destino da carne bovina brasileira, as preocupações são ainda maiores. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) avalia que o mercado chinês representa o principal foco de atenção do setor diante da possibilidade de restrições comerciais.
A preocupação decorre da forte dependência do mercado brasileiro em relação à demanda chinesa. Em 2025, cerca de 48% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil teve como destino a China, equivalente a 1,68 milhão de toneladas e uma receita de US$ 8,9 bilhões.
Segundo estimativas do setor, a China poderá deixar de comprar cerca de 540 mil toneladas de carne brasileira após atingir um limite de importação de 1,1 milhão de toneladas. A partir desse patamar, Pequim prevê aplicar uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente.
