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Sacre Investimentos
InvestMercadosFII
20/10/2026
4 min

Ações e FIIs avançam e renda fixa perde fôlego no 3º tri: captação bate R$ 556,7 bi

Captações em renda fixa recuam 9,8%, enquanto ofertas de instrumentos híbridos avançam 126,3%

Ações e FIIs avançam e renda fixa perde fôlego no 3º tri: captação bate R$ 556,7 bi

O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 556,7 bilhões em ofertas entre janeiro e setembro de 2026, o que representa uma alta de 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) nesta terça-feira, 20.

O volume foi recorde para o período, mas veio acompanhado de uma mudança no perfil das captações, com crescimento expressivo dos fundos imobiliários (FIIs), dos Fundos de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e da renda variável.

A renda fixa permaneceu como a principal fonte de financiamento das empresas, com R$ 441 bilhões captados. O volume, porém, caiu 9,8% na comparação anual, após dois anos de resultados recordes.

Já os instrumentos híbridos, que incluem FIIs e Fiagros, somaram R$ 80,8 bilhões, alta de 126,3%. A renda variável movimentou R$ 34,8 bilhões, ante R$ 4,2 bilhões um ano antes, impulsionada por ofertas subsequentes de ações, os follow-ons, e pela retomada das ofertas públicas iniciais (IPOs).

"Isso demonstra um pouco da versatilidade e diversificação de fontes de captação que o mercado local oferece para as empresas", afirmou Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercados de Capitais da Anbima em coletiva à imprensaa.

Segundo o dirigente, a mudança reflete a adaptação das companhias às condições de mercado e às oportunidades disponíveis em diferentes instrumentos.

Entre os destaques, os fundos imobiliários captaram R$ 70,6 bilhões, crescimento de 114,3% em um ano. Parte desse avanço, de acordo com a entidade, está ligada à consolidação do setor, com fundos adquirindo outros fundos por meio de trocas de cotas, além de operações em que empresas transferem imóveis para fundos e recebem cotas em contrapartida.

"É uma composição de dois fatores: é a captação direta da pessoa física, dos fundos, e também a possibilidade da captação via aquisição de ativos e aí sim com a entrega de cotas", disse.

Maranhão ponderou, porém, que não é possível separar com precisão quanto do volume corresponde a dinheiro novo e quanto decorre dessas operações. “Não necessariamente você trouxe novo dinheiro”, afirmou ao explicar que a emissão de novas cotas para comprar outros fundos pode elevar as estatísticas de ofertas sem representar crescimento equivalente para a indústria como um todo.

Noagronegócio, a captação por meio de Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-Fs) chegou a R$ 11,8 bilhões, alta de 202,7%, enquanto os Fiagros somaram R$ 10,2 bilhões, avanço de 274,7%. Em sentido contrário, as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) recuaram 62,3%, para R$ 11,1 bilhões.

A mudança reflete, em parte, alterações regulatórias que restringiram a emissão de CRAs a empresas enquadradas no setor agrícola. Com isso, companhias que não atendem aos critérios passaram a recorrer a outros instrumentos.

“O que enxergamos é menos uma redução do apetite ao agro, mas sim uma realocação de instrumento”, disse o presidente do Fórum de Estruturação de Mercados de Capitais da Anbima.

Mercado de debêntures apresenta dupla dinâmica

No mercado primário, as emissões de debêntures incentivadas e de infraestrutura somaram R$ 113,8 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, enquanto as debêntures corporativas movimentaram R$ 99,9 bilhões.

Já as debêntures de securitização captaram R$ 45,6 bilhões, alta de 40,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao todo, as emissões de debêntures recuaram 18%, para R$ 261,2 bilhões.

Apesar da queda das debêntures no mercado primário, o mercado secundário registrou crescimento. O volume negociado chegou a R$ 689 bilhões no período, alta de 5,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Desse total, R$ 379,1 bilhões corresponderam a debêntures corporativas, queda de 4%, enquanto as debêntures incentivadas movimentaram R$ 309,8 bilhões, avanço de 20,7%.

Para César Mindof, diretor da Anbima, o desempenho do mercado secundário demonstra a capacidade dos investidores de ajustar suas carteiras mesmo em períodos de maior volatilidade. “Esse ano, o mercado secundário tem se mostrado muito resiliente”, afirmou.

Segundo o dirigente da entidade, o crescimento das negociações, especialmente das debêntures incentivadas, reforça a maturidade do mercado e a liquidez necessária para que os investidores possam mudar suas posições diante das condições do mercado.

AutorClara Assunção
FonteExame
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