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Bolsa e dólarACS
31/07/2026
6 min

Ações pagam mais que o dobro da renda fixa em julho, mas outro investimento sai à frente dos dois

Boa notícia sobre inflação melhorou perspectiva de juros no Brasil e nos EUA, dando fôlego para os ativos de risco em julho

Ações pagam mais que o dobro da renda fixa em julho, mas outro investimento sai à frente dos dois

Depois de quatro meses no vermelho, o Ibovespa se recuperou em julho. O principal índice de ações da B3 subiu 3,47% no mês, fechando aos 178 mil pontos. Com isso, o retorno total no ano voltou para a faixa dos 10%.

Esse desempenho foi resultado de algumas boas notícias para o cenário local. A principal delas foi o arrefecimento da inflação. O IPCA-15, índice de preços que funciona como uma prévia do indicador oficial, veio abaixo das expectativas e praticamente neutro em julho, com alta de 0,06%.

Com isso, o mercado consolidou suas apostas de corte de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que acontecerá na próxima semana. A expectativa é de que a taxa Selic caia para 14% ao ano — frente os atuais 14,25% —, e há quem espere mais um corte residual em setembro, para fechar o ano em 13,75%.

A perspectiva mais positiva para os juros também mexeu com o mercado de renda fixa. O Tesouro Prefixado 2029, mais sensível à variação nas expectativas para a Selic, teve um aumento de 1,15% nos preços neste mês. O desempenho é resultado da queda nas taxas do título público, em linha com a projeção de juros menores no futuro.

Mas o investimento que registrou a melhor performance no mês foi outro: o bitcoin (BTC).

Bitcoin é o melhor investimento de julho

Assim como aconteceu com o Ibovespa, julho foi um mês de recuperação para o bitcoin. Depois de cair cerca de 20% em junho — registrando o pior desempenho mensal desde meados de 2022 —, a criptomoeda fechou julho com alta próxima de 4%, na faixa dos R$ 320 mil.

Na reta final do mês, os ETFs de bitcoin à vista dos EUA voltaram a registrar captação líquida, saindo da onda de resgates que estava predominando nos ativos nos meses anteriores. Com isso, a pressão vendedora sobre o bitcoin perdeu força, abrindo espaço para o retorno gradual do apetite dos investidores institucionais.

Em dólares, a valorização da criptomoeda no mês chegou a 10%. Entretanto, na conversão cambial para reais, a moeda norte-americana ficou em desvantagem. Neste mês, o dólar caiu cerca de 2% em relação ao real, fechando aos R$ 5,07, e diminuiu a rentabilidade final do bitcoin em moeda local para cerca de 3,75%.

Confira o ranking de investimentos em junho

Investimento  Rentabilidade no mês  Rentabilidade no ano 
Bitcoin  3,75%  -33,94% 
Ibovespa  3,47%  10,47% 
Tesouro Prefixado 2029  1,15%  5,27% 
Tesouro Selic 2031  1,12%  8,29% 
CDI*  1,11%  8,03% 
IDA - Geral*  1,04%  5,49% 
Poupança**  0,67%  4,76% 
Tesouro IPCA+ 2032***  0,39% 
Tesouro Prefixado 2032  0,14%  3,18% 
IFIX  -0,32%  1,14% 
Ouro (GOLD11)  -0,74%  -13,77% 
Tesouro Prefixado c/ JS 2037***  -0,82% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2037***  -1,10% 
Dólar à vista  -1,79%  -7,63% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2045  -1,79%  0,53% 
Dólar PTAX  -2,25%  -7,72% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2060  -2,39%  0,28% 
Tesouro IPCA+ 2040  -2,92%  -2,87% 
Tesouro IPCA+ 2050  -6,27%  -6,40% 
(*) Até dia 30/07.
(**) Poupança com aniversário no dia 28.
(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc.

O que move o Ibovespa

Perspectivas melhores para inflação e juros no mercado local deram algum fôlego para o Ibovespa no mês, assim como o início da temporada de balanços com bons resultados das empresas. O cenário internacional, por outro lado, não é exatamente um ponto de sustentação à valorização das ações brasileiras.

Nesta última semana do mês, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) decidiu pela manutenção dos juros no país na faixa entre 3,5% e 3,75%. Entretanto, a decisão não foi unânime e a comunicação posterior causou divisão entre os agentes financeiros.

A manutenção ganhou por nove votos contra três, sendo os dissidentes a favor de aumentar as taxas em 0,25 ponto percentual. A incerteza gira em torno da inflação. O dado de junho veio abaixo do esperado, mas foi a primeira vez que os preços ao consumidor caíram no mês em um período de seis anos.

A guerra no Oriente Médio é o principal fator de pressão devido aos preços do petróleo. Além disso, uma nova onda de tarifas gera debate sobre possíveis impactos em bens de consumo e alimentos. Enquanto isso, o mercado de trabalho segue crescendo, ainda que de forma modesta, e a criação de vagas e taxa de desemprego estão estáveis.

O assunto é importante porque uma elevação dos juros nos EUA pode drenar o capital estrangeiro em direção aos títulos públicos norte-americanos. Quando o rendimento das Treasurys sobe, os grandes fundos globais preferem retirar recursos de mercados emergentes e de maior risco, como o Brasil, para garantir retornos elevados e seguros em dólares.

A manutenção das taxas em julho diminuiu esse receio por enquanto, mas não há clareza sobre os próximos passos do Fed.

Tesouro Direto dividido

A performance dos títulos públicos ficou dividida no mês. Alguns títulos, como o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro IPCA+ 2032 ficaram no azul, mas a maior parte dos outros títulos públicos fecharam o mês com marcação de preço negativa.

Os vencimentos mais longos continuam com os piores resultados. O Tesouro IPCA+ 2050 chegou a marcar 6% de queda no preço, depois de cair 8% em junho. Os demais tiverem retornos menos negativos, de até -3%.

Os movimentos de preço nos papéis do Tesouro Direto continuam bastante voláteis diante das mudanças nas projeções futuras para juros e inflação no país. Os agentes financeiros estão pessimistas em relação à trajetória de queda da Selic diante da piora nas contas públicas.

O cenário é quase de compasso de espera pelas eleições presidenciais. Quando definido o próximo presidente, também se espera a definição do Ministro da Fazendo e do plano econômico para o país.

Agora, os títulos públicos e outros ativos de renda fixa precificam uma situação de juros e inflação altos anos à frente, com taxas de vencimentos médios e longos mais esticadas. Somente os papéis mais curtos, sensíveis à taxa Selic, conseguiram alguma correção para baixo nas taxas.

  • Aqui vale lembrar que todas essas oscilações acontecem na marcação de preço e taxa dos títulos do Tesouro Direto. Para o investidor que levar os papéis até o vencimento, a taxa contratada na compra será paga integralmente.

Maiores altas do Ibovespa em julho

Ticker    Empresa   Retorno no mês   Retorno no ano  
CMIN3  CSN Mineração   36,60%  9,39% 
UGPA3  Ultrapar  26,82%  58,13% 
VBBR3  Vibra  20,61%  45,54% 
GGBR4  Gerdau  20,21%  24,09% 
VAMO3  Vamos  18,86%  3,73% 
Fonte: Broadcast 

Maiores quedas do Ibovespa em julho

Ticker    Empresa   Retorno no mês   Retorno no ano  
DIRR3  Direcional  -18,46%  -19,62% 
EGIE3  Engie  -14,44%  -3,65% 
CURY3  Cury  -14,18%  -2,56% 
USIM5  Usiminas  -12,90%  23,70% 
CEAB3  C&A   -12,19%  -26,02% 
Fonte: Broadcast 

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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