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InvestMercadosACS
26/10/2026
5 min

Ações recomendadas para atravessar a queda pós-reeleição de Lula, segundo o BTG

Com previsão de real mais fraco e juro alto, banco aponta exportadoras, seguradoras e empresas com mais caixa do que dívida; veja a lista

Ações recomendadas para atravessar a queda pós-reeleição de Lula, segundo o BTG

Exportadoras, seguradoras e empresas com mais dinheiro em caixa do que dívidas formam a lista de ações que devem sofrer menos com areeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A seleção é do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 26, o banco projeta queda de 17% do Ibovespa nas próximas semanas, para cerca de 170 mil pontos. Também estima desvalorização de 10% a 15% do real.

O cenário desenhado pelo BTG combina juro real longo acima de 8% e um ciclo de cortes da Selic mais lento. Nesse ambiente, o banco separa as ações em três grupos: as que ganham com o dólar mais caro, as defensivas com balanço sólido e duas das maiores empresas da bolsa.

A lista de ações do BTG

Empresas que vendem para fora recebem em dólar, mas têm boa parte dos custos em reais, estão na lista do banco. Com o câmbio mais alto, a receita convertida cresce mais do que as despesas. Na lista do BTG estão nomes de mineração, siderurgia, celulose, petróleo, agronegócio e indústria.

  • Vale: caiu 13,4% em 30 dias e acumula queda de 11,6% no ano. Negocia a 4,8 vezes o lucro projetado para 2026.
  • Gerdau: ficou estável em 30 dias, com recuo de 0,1%, e sobe 26,6% no ano.
  • Suzano: recuou 9,3% em 30 dias e 16,3% no ano. O P/L projetado para 2026 é de 5,2 vezes.
  • PRIO: subiu 21,3% em 30 dias e 78,2% no ano. É uma das poucas da seleção com caixa líquido.
  • SLC Agrícola: recuou 0,7% em 30 dias e sobe 22,6% no ano.
  • 3Tentos: disparou 38,9% em 30 dias, mas ainda acumula queda de 13,3% no ano.
  • São Martinho: subiu 14,8% em 30 dias e 41,2% no ano.
  • WEG: caiu 16,5% em 30 dias e 11,3% no ano. Com P/L de 28 vezes, é a mais cara da seleção.
  • Embraer: recuou 10% em 30 dias e está praticamente estável no ano, com alta de 0,3%.

Os números mostram que parte das exportadoras chega à reeleição depois de um mês de queda. Vale, WEG, Suzano e Embraer recuaram enquanto o mercado apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). No último pregão antes do segundo turno, o Ibovespa fechou em alta e o dólar ficou abaixo de R$ 5.

O fôlego financeiro também varia dentro do grupo. Pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), SLC Agrícola (3,6 vezes), Suzano (2,7) e 3Tentos (2,6) são as mais endividadas da seleção. PRIO, WEG e Embraer têm caixa líquido.

O segundo grupo reúne empresas de setores defensivos, com pouca dívida ou caixa líquido. O BTG cita as seguradoras Caixa Seguridade e Porto Seguro e a fabricante de bebidas Ambev.

Seguradoras costumam atravessar melhor períodos de juros altos porque aplicam as reservas que mantêm para pagar sinistros, e esse rendimento cresce com a Selic. A Caixa Seguridade sobe 36,5% no ano, e a Porto Seguro, 12%.

Já a Ambev acumula alta de 21,2% em 2026 e tem caixa líquido, com dívida líquida equivalente a -0,5 vez o Ebitda projetado para 2026.

Entre as maiores empresas da bolsa, o banco destaca a Petrobras pela exposição ao câmbio e ao petróleo e por ser uma forte pagadora de dividendos. A estatal subiu 18,3% em 30 dias e acumula alta de 102,5% no ano. Ainda assim, negocia a 4,8 vezes o lucro projetado para 2026.

O Itaú aparece como o grande banco mais bem posicionado para atravessar o período, segundo o BTG. As ações subiram 14% em 30 dias e 25,8% no ano.

O BTG também listou as empresas menos alavancadas de sua cobertura, que tendem a sofrer menos com a Selic elevada por longo tempo. Todas têm dívida líquida negativa. As líderes são VTEX (-5,8 vezes o Ebitda), XP (-3,8), Bradsaude (-3,1), Locaweb (-1,9) e Bemobi (-1,3).

PRIO, Ambev, WEG e Embraer aparecem nas duas listas do banco, a de proteção contra o cenário e a de menor alavancagem.

A única empresa do setor imobiliário entre as menos endividadas é a Cury, com dívida líquida de -0,3 vez o Ebitda projetado para 2026. Na carteira recomendada de outubro, o BTG já apontava as construtoras de baixa renda entre os setores que deveriam se sair melhor em caso de reeleição de Lula.

Desempenho e preço das ações

Empresa Setor 30 dias No ano P/L 2026* Dív. líq./Ebitda 2026*
3Tentos Agronegócio 38,9% -13,3% 9,6x 2,6x
PRIO Petróleo e gás 21,3% 78,2% 9,1x -1,1x
Petrobras Petróleo e gás 18,3% 102,5% 4,8x 0,8x
São Martinho Agronegócio 14,8% 41,2% 22,4x 2,0x
Itaú Unibanco Bancos 14,0% 25,8% 10,9x n.a.
Ambev Alimentos e bebidas 9,0% 21,2% 15,6x -0,5x
Porto Seguro Seguros 8,4% 12,0% 9,0x n.a.
Caixa Seguridade Seguros 6,5% 36,5% 13,8x n.a.
Gerdau Siderurgia -0,1% 26,6% 8,5x 0,5x
SLC Agrícola Agronegócio -0,7% 22,6% 21,6x 3,6x
Suzano Papel e celulose -9,3% -16,3% 5,2x 2,7x
Embraer Bens de capital -10,0% 0,3% 22,8x -0,2x
Vale Mineração -13,4% -11,6% 4,8x 1,0x
WEG Bens de capital -16,5% -11,3% 28,0x -0,3x

*Projeções. P/L: preço da ação dividido pelo lucro por ação projetado. n.a.: não se aplica. Fonte: BTG Pactual

Para o BTG, o cenário de pressão sobre juros e câmbio só muda com o anúncio de uma equipe econômica com credibilidade e sinais concretos de disciplina fiscal no quarto mandato de Lula.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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