Ações recomendadas para atravessar a queda pós-reeleição de Lula, segundo o BTG
Com previsão de real mais fraco e juro alto, banco aponta exportadoras, seguradoras e empresas com mais caixa do que dívida; veja a lista

Exportadoras, seguradoras e empresas com mais dinheiro em caixa do que dívidas formam a lista de ações que devem sofrer menos com areeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A seleção é do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 26, o banco projeta queda de 17% do Ibovespa nas próximas semanas, para cerca de 170 mil pontos. Também estima desvalorização de 10% a 15% do real.
O cenário desenhado pelo BTG combina juro real longo acima de 8% e um ciclo de cortes da Selic mais lento. Nesse ambiente, o banco separa as ações em três grupos: as que ganham com o dólar mais caro, as defensivas com balanço sólido e duas das maiores empresas da bolsa.
A lista de ações do BTG
Empresas que vendem para fora recebem em dólar, mas têm boa parte dos custos em reais, estão na lista do banco. Com o câmbio mais alto, a receita convertida cresce mais do que as despesas. Na lista do BTG estão nomes de mineração, siderurgia, celulose, petróleo, agronegócio e indústria.
- Vale: caiu 13,4% em 30 dias e acumula queda de 11,6% no ano. Negocia a 4,8 vezes o lucro projetado para 2026.
- Gerdau: ficou estável em 30 dias, com recuo de 0,1%, e sobe 26,6% no ano.
- Suzano: recuou 9,3% em 30 dias e 16,3% no ano. O P/L projetado para 2026 é de 5,2 vezes.
- PRIO: subiu 21,3% em 30 dias e 78,2% no ano. É uma das poucas da seleção com caixa líquido.
- SLC Agrícola: recuou 0,7% em 30 dias e sobe 22,6% no ano.
- 3Tentos: disparou 38,9% em 30 dias, mas ainda acumula queda de 13,3% no ano.
- São Martinho: subiu 14,8% em 30 dias e 41,2% no ano.
- WEG: caiu 16,5% em 30 dias e 11,3% no ano. Com P/L de 28 vezes, é a mais cara da seleção.
- Embraer: recuou 10% em 30 dias e está praticamente estável no ano, com alta de 0,3%.
Os números mostram que parte das exportadoras chega à reeleição depois de um mês de queda. Vale, WEG, Suzano e Embraer recuaram enquanto o mercado apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). No último pregão antes do segundo turno, o Ibovespa fechou em alta e o dólar ficou abaixo de R$ 5.
O fôlego financeiro também varia dentro do grupo. Pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), SLC Agrícola (3,6 vezes), Suzano (2,7) e 3Tentos (2,6) são as mais endividadas da seleção. PRIO, WEG e Embraer têm caixa líquido.
O segundo grupo reúne empresas de setores defensivos, com pouca dívida ou caixa líquido. O BTG cita as seguradoras Caixa Seguridade e Porto Seguro e a fabricante de bebidas Ambev.
Seguradoras costumam atravessar melhor períodos de juros altos porque aplicam as reservas que mantêm para pagar sinistros, e esse rendimento cresce com a Selic. A Caixa Seguridade sobe 36,5% no ano, e a Porto Seguro, 12%.
Já a Ambev acumula alta de 21,2% em 2026 e tem caixa líquido, com dívida líquida equivalente a -0,5 vez o Ebitda projetado para 2026.
Entre as maiores empresas da bolsa, o banco destaca a Petrobras pela exposição ao câmbio e ao petróleo e por ser uma forte pagadora de dividendos. A estatal subiu 18,3% em 30 dias e acumula alta de 102,5% no ano. Ainda assim, negocia a 4,8 vezes o lucro projetado para 2026.
O Itaú aparece como o grande banco mais bem posicionado para atravessar o período, segundo o BTG. As ações subiram 14% em 30 dias e 25,8% no ano.
O BTG também listou as empresas menos alavancadas de sua cobertura, que tendem a sofrer menos com a Selic elevada por longo tempo. Todas têm dívida líquida negativa. As líderes são VTEX (-5,8 vezes o Ebitda), XP (-3,8), Bradsaude (-3,1), Locaweb (-1,9) e Bemobi (-1,3).
PRIO, Ambev, WEG e Embraer aparecem nas duas listas do banco, a de proteção contra o cenário e a de menor alavancagem.
A única empresa do setor imobiliário entre as menos endividadas é a Cury, com dívida líquida de -0,3 vez o Ebitda projetado para 2026. Na carteira recomendada de outubro, o BTG já apontava as construtoras de baixa renda entre os setores que deveriam se sair melhor em caso de reeleição de Lula.
Desempenho e preço das ações
| Empresa | Setor | 30 dias | No ano | P/L 2026* | Dív. líq./Ebitda 2026* |
|---|---|---|---|---|---|
| 3Tentos | Agronegócio | 38,9% | -13,3% | 9,6x | 2,6x |
| PRIO | Petróleo e gás | 21,3% | 78,2% | 9,1x | -1,1x |
| Petrobras | Petróleo e gás | 18,3% | 102,5% | 4,8x | 0,8x |
| São Martinho | Agronegócio | 14,8% | 41,2% | 22,4x | 2,0x |
| Itaú Unibanco | Bancos | 14,0% | 25,8% | 10,9x | n.a. |
| Ambev | Alimentos e bebidas | 9,0% | 21,2% | 15,6x | -0,5x |
| Porto Seguro | Seguros | 8,4% | 12,0% | 9,0x | n.a. |
| Caixa Seguridade | Seguros | 6,5% | 36,5% | 13,8x | n.a. |
| Gerdau | Siderurgia | -0,1% | 26,6% | 8,5x | 0,5x |
| SLC Agrícola | Agronegócio | -0,7% | 22,6% | 21,6x | 3,6x |
| Suzano | Papel e celulose | -9,3% | -16,3% | 5,2x | 2,7x |
| Embraer | Bens de capital | -10,0% | 0,3% | 22,8x | -0,2x |
| Vale | Mineração | -13,4% | -11,6% | 4,8x | 1,0x |
| WEG | Bens de capital | -16,5% | -11,3% | 28,0x | -0,3x |
*Projeções. P/L: preço da ação dividido pelo lucro por ação projetado. n.a.: não se aplica. Fonte: BTG Pactual
Para o BTG, o cenário de pressão sobre juros e câmbio só muda com o anúncio de uma equipe econômica com credibilidade e sinais concretos de disciplina fiscal no quarto mandato de Lula.
