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EXAME AgroCMDT
16/06/2026
4 min

Acordo entre EUA e Irã reduz pressão sobre fertilizantes no Brasil, dizem analistas

Acordo entre EUA e Irã reduz pressão sobre fertilizantes no Brasil, dizem analistas

O acordo preliminar de paz anunciado por Estados Unidos e Irã trouxe alívio para mercados que vinham acompanhando com preocupação a escalada das tensões no Oriente Médio. Para o agronegócio brasileiro, o impacto mais imediato pode vir dos fertilizantes, já que o país importa cerca de 85% dos insumos utilizados na agricultura.

No domingo, 14, os governos dos dois países anunciaram um entendimento para encerrar o conflito iniciado em fevereiro e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.

O acordo, mediado por Paquistão, Catar, Arábia Saudita e Turquia, ainda precisa ser formalizado e deixa em aberto temas centrais, como o programa nuclear iraniano e a suspensão de sanções econômicas. A assinatura oficial está prevista para sexta-feira, 19, na Suíça.

A importância do estreito vai muito além do petróleo. Por ele passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, além de volumes relevantes de amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados, produtos essenciais para a agricultura global.

Nas últimas semanas, as restrições à navegação elevaram custos logísticos e pressionaram os preços desses insumos. Agora, a perspectiva começa a mudar.

“O acordo surge como um fator baixista relevante para o mercado global de fertilizantes”, afirma Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. Segundo ele, a reabertura das rotas marítimas tende a aliviar os gargalos logísticos que vinham sustentando preços elevados de fertilizantes e matérias-primas.

O movimento já começa a aparecer nas cotações. Segundo a StoneX, os preços da ureia CFR Brasil acumulam oito semanas consecutivas de queda e recuaram mais de 40%, retornando a níveis inferiores aos observados antes do agravamento da crise no Oriente Médio.

A notícia chega em um momento importante para o mercado brasileiro. Tradicionalmente, as importações de fertilizantes nitrogenados ganham força no segundo semestre, quando produtores iniciam os preparativos para a safra 2026/27.

“Considerando que as importações brasileiras de nitrogenados tendem a ganhar força no segundo semestre, esse movimento baixista, somado ao avanço nas negociações geopolíticas, ocorre em um momento favorável para os importadores no Brasil”, diz Pernías.

Estreito de Ormuz

Apesar da reação positiva do mercado, especialistas alertam que a normalização da oferta não será imediata.

Segundo Chris Clayton, da Progressive Farmer, a reabertura do Estreito de Ormuz pode aliviar parte das preocupações globais com fertilizantes e segurança alimentar, mas os efeitos práticos devem levar tempo para aparecer.

Durante o conflito, empresas como a Mosaic chegaram a interromper parte da produção de fosfato em função da escassez de enxofre, matéria-prima fundamental para o setor.

“O estreito normalmente movimenta cerca de 50% de todas as exportações globais de enxofre”, diz Clayton. Ao mesmo tempo, restrições impostas por países como China e Egito reduziram ainda mais a disponibilidade do produto no mercado internacional.

Apesar da reação positiva nos mercados de fertilizantes, o setor de transporte marítimo ainda adota uma postura mais conservadora.

Segundo Sheel Bhattacharjee, responsável por precificação de fretes da Argus Media, armadores e operadores seguem cautelosos diante do histórico recente de anúncios de cessar-fogo que não se converteram em normalização efetiva do tráfego marítimo.

Até o momento, não houve movimentação relevante de navios transportando petróleo ou combustíveis pela região, e muitos operadores continuam evitando o Golfo do Oriente Médio.

“Ainda existe ceticismo sobre um retorno consistente do trânsito de embarcações no curto prazo”, avalia Bhattacharjee. Segundo ele, a recuperação dos fluxos deve ser gradual e dependerá de garantias mais claras de segurança para as embarcações.

Enquanto grandes operadores não retomarem travessias regulares pelo Estreito de Ormuz, os prêmios de risco devem permanecer elevados. Além disso, permanecem preocupações com possíveis minas marítimas e com a atuação de grupos armados na região.

Mesmo com a retomada da navegação, os gargalos logísticos permanecem. “Há muitos navios parados no estreito neste momento. Levará meses para que as cadeias de abastecimento voltem a operar normalmente”, afirmou Ben Pratt, vice-presidente de relações públicas da Mosaic, em entrevista à DTN.

Os mercados agrícolas também reagiram ao anúncio. Segundo Bill Watts, da Pro Farmer, os contratos futuros de milho e soja abriram em leve queda na noite de domingo, refletindo a expectativa de redução dos riscos logísticos e energéticos associados ao conflito.

Contudo, os contratos da soja, milho e trigo.encerraram em campo positivo nesta segunda-feira, 15, na Bolsa de Chicago (CBOT).

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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