Acordo entre Hamas e Israel: tudo o que se sabe até agora
Hamas aceitou a segunda fase da trégua, mas implementação ainda depende de negociações e de uma resposta oficial de Israel

O Hamas anunciou nesta sexta-feira, 31, que aceitou um acordo com Israel para implementar a segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza.
O pacto prevê o desarmamento gradual do grupo palestino em troca da retirada progressiva das tropas israelenses do território, além da criação de uma força internacional para garantir a segurança local.
Israel ainda não respondeu oficialmente ao anúncio. As negociações seguem com mediação de Egito, Estados Unidos, Catar e Turquia, e a implementação deve levar pelo menos duas semanas, segundo o Hamas.
O que prevê o acordo?
O pacto marca o início da segunda fase da trégua assinada em outubro de 2025, após dois anos de guerra entre Israel e o Hamas.
A primeira etapa terminou em janeiro e resultou na libertação dos últimos reféns israelenses mantidos em Gaza desde o ataque de 7 de outubro de 2023, em troca da soltura de prisioneiros palestinos.
Agora, o Hamas afirma que aceitará entregar seu arsenal de armas em um processo condicionado à retirada gradual das tropas israelenses da Faixa de Gaza. Segundo o grupo, Israel não participará diretamente do desarmamento.
Quem fará o desarmamento?
De acordo com o Hamas, as armas serão entregues ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), formado por tecnocratas palestinos e criado com apoio do Conselho da Paz, organismo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O NCAG ficará responsável por inventariar, armazenar e administrar o armamento durante a transição.
A proposta busca impedir que Israel participe diretamente dessa etapa, um dos principais pontos de divergência nas negociações.
Quem administrará Gaza?
Após a retirada das tropas israelenses, o NCAG deverá assumir a administração civil da Faixa de Gaza durante o período de transição.
Ao mesmo tempo, uma Força Internacional de Estabilização (ISF), formada por tropas multinacionais, atuará ao lado de uma nova força policial palestina para garantir a segurança no território, segundo o plano apresentado por Trump.
O que acontece agora?
O Hamas informou que discutirá os detalhes técnicos da implementação com os mediadores em uma reunião prevista para ocorrer no Cairo.
O grupo afirma que a execução do acordo dependerá de um cronograma conjunto e pode levar pelo menos duas semanas para começar.
O negociador Ghazi Hamad afirmou que o movimento cumprirá suas obrigações apenas se Israel respeitar integralmente os termos do pacto. "Se Israel não aplicar o acordo, nós também não o faremos", disse.
Até o momento, o governo israelense não confirmou a aceitação do acordo. Uma fonte política ouvida pela AFP afirmou anteriormente que propostas semelhantes ainda não atendiam plenamente à exigência israelense de desmilitarização completa de Gaza.
Como está a situação em Gaza?
Apesar do cessar-fogo firmado em outubro de 2025, Israel continua realizando ataques quase diários na Faixa de Gaza, onde controla mais de 60% do território.
Milhares de palestinos seguem vivendo em acampamentos improvisados após a destruição causada pela guerra.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 1.200 palestinos morreram desde o início da trégua. O Exército israelense informou a morte de cinco soldados e de um funcionário civil no mesmo período.
As restrições de acesso impostas ao território impedem a verificação independente dos números e dificultam a cobertura jornalística da região.
*Com AFP
