Acordo Irã-Omã: sem presença dos EUA, países negociam reabertura de Ormuz
Os Estados do Oriente Médio discutem nesta terça-feira, 25, a adoção de um sistema temporário de navegação conjunta, acompanhado de uma operação para retirar minas do estratégico corredor comercial

Omã e Irã discutem nesta terça-feira, 25, um acordo que pode mudar o funcionamento do Estreito de Ormuz com um novo corredor comercial administrado por ambos os países. Sem a presença dos Estados Unidos, que coloca a livre navegação em Ormuz como condição fundamental às negociações de paz com Teerã, os Estados do Oriente Médio negociam a adoção de um sistema temporário de navegação conjunta, acompanhado de uma operação para retirar minas do estratégico corredor de exportação de petróleo.
As negociações foram realizadas em Teerã entre o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, e o principal diplomata do Irã, Abbas Araghchi. Segundo o chanceler omanense, as conversas foram construtivas e os dois países esperam anunciar em breve um corredor para a passagem de navios e medidas práticas para restabelecer a navegação segura na região.
A proposta prevê que Irã e Omã trabalhem conjuntamente na remoção de minas do Estreito de Ormuz, além de continuarem as discussões sobre um corredor permanente e um sistema de administração da passagem marítima.
"O futuro gerenciamento do estreito e uma solução permanente virão no devido tempo", afirmou Albusaidi em uma publicação nas redes sociais. Segundo ele, as discussões com outros países da região deverão apoiar objetivos de paz, cooperação, estabilidade e liberdade de navegação.
Constructive dialogue in Tehran with my colleague Dr @Araghchi. I am hopeful we will soon announce a temporary corridor for the Strait of Hormuz and practical arrangements to restore safe navigation. Future management of the Strait and a permanent solution will follow in due… pic.twitter.com/UBkKE2j4SL
— Badr Albusaidi - بدر البوسعيدي (@badralbusaidi) August 25, 2026
A iniciativa ocorre em um momento de tensão sobre as rotas utilizadas por embarcações que atravessam o estreito. O Irã exige que os navios utilizem uma rota ao norte, que passa por suas águas territoriais, enquanto os Estados Unidos protegem embarcações que utilizam uma passagem ao sul, ao longo da costa de Omã.
Proposta prevê retirada de minas
A possibilidade de uma operação conjunta para retirar minas do Estreito de Ormuz contrasta com uma declaração feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também nesta terça-feira. Segundo o presidente, a Marinha americana havia informado que todas as minas haviam sido removidas das águas internacionais da região.
A proposta apresentada por Omã indica, porém, que a questão da segurança marítima ainda não está completamente resolvida. O país afirmou que pretende trabalhar com o Irã na retirada das minas como parte das medidas para restabelecer a navegação segura.
A discussão ocorre após uma série de incidentes recentes na região. Na segunda-feira, 24, um petroleiro foi atingido por um projétil de origem desconhecida e ficou incapacitado nas proximidades de Omã, segundo um relatório do Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
Na semana passada, dois navios de carga também foram atacados no Estreito de Ormuz. Os episódios deixaram dois marinheiros mortos.
Negociações envolvem Estados Unidos
As conversas entre Irã e Omã fazem parte de uma previsão incluída no memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em 17 de junho. O documento estabelecia que os dois países do Oriente Médio discutiriam a administração futura e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz.
O entendimento, porém, entrou em colapso rapidamente, à medida que Estados Unidos e Irã passaram a entrar em conflito sobre as rotas de navegação.
Desde maio, o Comando Central dos Estados Unidos afirma ter protegido a saída de mais de 660 milhões de barris de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz.
A nova rodada de conversas entre Teerã e Mascate ocorre ainda um dia depois de o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmar que os Estados Unidos irão sancionar qualquer entidade que faça negócios com o Irã.
Trump também havia ameaçado bombardear Omã no início deste mês após ser questionado pela Fox News sobre as negociações do país com Teerã envolvendo o estreito.
Estreito é estratégico para o mercado de petróleo
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, posteriormente, ao Oceano Índico.
Por isso, mudanças nas regras de circulação ou novos episódios de insegurança na região podem afetar diretamente o comércio internacional de energia.
O acordo discutido por Irã e Omã, por enquanto, tem caráter temporário. Os dois países ainda deverão negociar uma solução permanente para o funcionamento e a administração do estreito, enquanto outros países da região deverão ser envolvidos nas discussões sobre segurança e liberdade de navegação.
Com AFP
