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19/08/2026
3 min

Adam Back diz que Satoshi Nakamoto não tem a palavra final sobre o bitcoin

Apontado como criador da criptomoeda, desenvolvedor britânico disse que citações sobre escalabilidade não provam nada

Adam Back diz que Satoshi Nakamoto não tem a palavra final sobre o bitcoin

Citações de Satoshi sobre a escalabilidade do bitcoin não provam nada, argumenta Adam Back, pois o criador pseudônimo se contradisse repetidamente e às vezes estava simplesmente errado.

O CEO da Blockstream rebateu nesta semana um fio viral que usou publicações antigas em fóruns para alegar que Satoshi Nakamoto sempre desejou blocos maiores.

O que Satoshi diz sobre a escalabilidade do bitcoin?

A discussão reacendeu depois que uma entrevista com um desenvolvedor foi criticada no X. Defensores de blocos grandes voltaram a circular duas declarações de Satoshi que tratam como doutrina, começando por esta do fórum BitcoinTalk.

“Podemos aplicar uma mudança depois se for realmente necessário", escreveu Satoshi Nakamoto no fórum BitcoinTalk em 3 de outubro de 2010.

O contexto complica essa interpretação. Satoshi escreveu essa frase ao pedir aos usuários que rejeitassem um patch que aumentava o limite do tamanho dos blocos.

Uma publicação de dezembro de 2009 previu que a Lei de Moore em breve superaria a rede. Essa regra diz que a capacidade computacional dobra aproximadamente a cada dois anos.

Assim, defensores argumentam que sempre se presumiu uma capacidade crescente no projeto.

Adam Back respondeu com uma palavra. Escreveu “não” e detalhou porque o acervo permite múltiplas interpretações.

Por que Adam Back prefere os princípios fundamentais?

Back remonta essas citações de Satoshi a um debate defensivo com o crítico James A. Donald, que afirmou em 2008 que o projeto nunca seria escalável. A resposta de Satoshi naquele novembro apontava para longe da ideia de blocos maiores.

“À medida que a rede cresce além de certo ponto, ela ficaria cada vez mais restrita a especialistas com fazendas de servidores e hardware dedicado”, disse Satoshi Nakamoto na Cryptography Mailing List em novembro de 2008.

Aí está a contradição. Em uma mensagem, Satoshi sugere que a rede pode simplesmente crescer; em outra, transfere a responsabilidade para especialistas e clientes leves.

A afirmação sobre a Lei de Moore envelheceu ainda pior. Satoshi previa que os tempos de download atingiriam o pico em oito meses, mas a blockchain continuou superando o hardware disponível. Atualmente, ela ocupa cerca de 744 gigabytes.

Back interpreta esses comentários posteriores como uma defesa precoce de segundas camadas, que liquidam pagamentos fora da blockchain principal.

O fundador da Blockstream tem se posicionado desde 2026 contra argumentos parecidos baseados em apelos à autoridade. Em julho, ironizou a disputa do BIP-110, uma tentativa frustrada de alterar regras de consenso por meio de sinalização dos mineradores.

Mais adiante, classificou a proposta de aumento do limite de 21 milhões de Bitcoin como armadilha. Back também sustenta que o Bitcoin foi descoberto, não inventado, enfraquecendo o argumento de que qualquer pessoa teria autoridade exclusiva sobre a evolução do ativo.

Enquanto isso, o mercado não traz alívio. O bitcoin é negociado perto de US$ 64.168, em torno de 49% abaixo do recorde de US$ 126.080 registrado em outubro de 2025.

O debate persiste porque ambos os lados recorrem a Satoshi. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou recentemente que as stablecoins, e não o Bitcoin, entregaram a visão de pagamentos de Satoshi.

Craig Wright defende o oposto em sua crítica à governança do Bitcoin, insistindo que a camada base não deve jamais ser alterada.

Adam Back se posiciona entre eles. Mensagens antigas de Satoshi podem estimular o debate, mas não resolvem a questão.

Ele conclui deixando de lado os arquivos históricos. Para Back, desenvolvedores devem partir dos princípios fundamentais, em vez de buscar autorização em fóruns com mais de uma década.

*Matéria original escrita por Lucas Espindola no BeinCrypto, portal parceiro da EXAME.
AutorBeInCrypto
FonteExame
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