Advent avança na Natura e se aproxima de 8% do capital da companhia

A Natura (NATU3) informou ao mercado, nesta quarta-feira, 2 de julho, que a Advent International deu mais um passo dentro do compromisso vinculante fechado em março para se tornar sócia da companhia de cosméticos. Um fundo de investimento em participações gerido por veículos da Advent passou a deter 90.676.500 ações da Natura, equivalentes a 6,6% do capital social da empresa.
Além dessa fatia já incorporada, o mesmo fundo — o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia — mantém exposição econômica adicional equivalente a 19.288.800 ações, ou 1,4% do capital, por meio de contratos de derivativos com liquidação exclusivamente financeira, os chamados Total Return Swaps (TRS). Somadas, as duas posições dão à gestora uma exposição total próxima de 8% da Natura.
O que muda com o avanço da Advent
O movimento é uma nova etapa da reestruturação de governança anunciada pela Natura em 30 de março, quando a empresa revelou que a Advent havia assinado um compromisso vinculante com os signatários do Acordo de Acionistas da companhia, bloco que inclui os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos. Pelo acordo, a gestora pretende comprar entre 8% e 10% do capital da Natura ao longo de até seis meses, a um preço médio-alvo de R$ 9,75 por ação.
Ao liquidar os contratos de TRS e assumir definitivamente a titularidade das ações correspondentes, a Advent atingirá o percentual mínimo de 8% previsto no compromisso vinculante. A Natura reforça, no entanto, que esse patamar ainda não foi atingido. A posição atual soma titularidade direta de 6,6% mais exposição sintética de 1,4% via derivativos, mas o chamado "gatilho" contratual de 8% de participação efetiva ainda não foi disparado.
Assentos no conselho dependem de novo acordo e de dispensa de OPA
Quando a Advent efetivamente atingir a marca de 8% das ações, a gestora passa a ter o direito de indicar dois conselheiros adicionais ao conselho de administração da Natura, hoje composto por oito membros, além de poder participar de comitês de assessoramento do colegiado. Segundo o fato relevante de 30 de março, essa participação pode chegar a até 10% do capital.
Esse direito, porém, não é automático. Uma vez que a Advent se torne titular de 8% do capital, será necessário firmar um novo acordo de acionistas entre a gestora e os atuais signatários. Esse passo depende, antes, da dispensa de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA), obrigatória em situações de aquisição de participação relevante. A dispensa precisa ser aprovada em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) ainda a ser convocada pela companhia.
Na prática, isso significa que a entrada formal da Advent na governança da Natura segue em curso, mas ainda depende de duas etapas: a companhia atingir de fato o patamar de 8% de participação e a realização da AGE que autorizará a dispensa da oferta pública, pré-condição para a assinatura do acordo que formalizará os assentos no conselho.
O que já havia sido definido em março
O acordo original, que fez as ações da Natura saltarem mais de 9% no dia seguinte ao anúncio, também trouxe mudanças na cúpula da empresa: os fundadores deixaram o conselho de administração para atuar em um conselho consultivo sem poder de decisão. O ex-CEO Alessandro Carlucci foi indicado para presidir o novo colegiado, que passará a ter mandato de dois anos. Os controladores da companhia assinaram ainda um novo acordo de acionistas, com vigência de dez anos e prorrogável por mais dez, substituindo o contrato anterior, que venceria neste ano.
Caso a Advent conclua sua entrada no capital, o conselho da Natura poderá ser ampliado para até dez membros, sendo pelo menos quatro deles independentes.
