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04/11/2026
4 min

Aeris, fabricante de pás eólicas, pede recuperação extrajudicial: entenda a crise

Receita caiu à metade e fábrica no Ceará chegou a ter 6 de 8 linhas paradas

Aeris, fabricante de pás eólicas, pede recuperação extrajudicial: entenda a crise

A fabricante cearense de pás eólicas Aeris pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 1,52 bilhão em créditos, após enfrentar queda de receitas, prejuízos sucessivos e pressão das dívidas. A medida busca reorganizar suas finanças e preservar a produção e os empregos, enquanto seus balanços revelam a dimensão da crise.

O pedido foi protocolado em 3 de novembro de 2026 na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A decisão havia sido aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração em 29 de outubro e ainda será submetida à ratificação dos acionistas, em assembleia geral extraordinária.

Queda da demanda atingiu o faturamento e a produção

A deterioração das contas da Aeris está ligada à redução dos investimentos em novos parques eólicos e ao enfraquecimento da demanda por pás para aerogeradores. Em 2025, a receita operacional líquida da fabricante caiu 50,8%, passando de R$ 1,52 bilhão, em 2024, para R$ 746 milhões. A empresa fechou o ano com prejuízo líquido de R$ 901,2 milhões, depois de perder R$ 934 milhões no exercício anterior.

O impacto chegou à fábrica instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ao final de 2025, a Aeris mantinha seis das oito linhas de produção desativadas.

No segundo trimestre de 2026, a companhia iniciou o processo de reativação de quatro linhas, com previsão de entrada em operação no trimestre seguinte.

As dificuldades da fabricante ocorrem em meio a desafios mais amplos do setor elétrico.

Outro fator é o aumento dos cortes de geração de energia renovável, conhecidos como curtailment.

Renegociação anterior não afastou pressão das dívidas

Em maio de 2025, a Aeris já havia concluído uma renegociação de aproximadamente 90% de seu endividamento financeiro, com alongamento dos prazos de pagamento. A medida, porém, não impediu o agravamento dos indicadores da empresa.

Ao final de junho de 2026, a companhia apresentava dívida bruta de cerca de R$ 1,96 bilhão, dívida líquida de R$ 1,94 bilhão e caixa livre de R$ 17,3 milhões. Apenas no primeiro semestre deste ano, o prejuízo líquido somou R$ 290 milhões.

A busca por uma nova solução ganhou força em agosto, quando a Aeris iniciou uma mediação com credores e solicitou proteção temporária contra cobranças. A companhia fez um pedido de suspensão de execuções por até 60 dias para abrir espaço à renegociação das obrigações financeiras.

O que prevê a recuperação extrajudicial

No fato relevante divulgado em 3 de novembro, a Aeris diz que o plano foi negociado com seus principais credores para "viabilizar a readequação da estrutura de capital e a redução de alavancagem".

Entre as possibilidades estão a "repactuação das condições de pagamento, a captação de novos recursos e a alteração de garantias", conforme o documento.

A reestruturação abrange R$ 1.524.489.124,76 em créditos quirografários não correntes, apurados em 31 de outubro de 2026, incluindo saldos sem cobertura de garantias reais ou fiduciárias.

O valor não equivale ao total da dívida da empresa. Obrigações tributárias, trabalhistas e decorrentes de acidentes de trabalho estão fora do plano, o qual foi apresentado com a adesão de credores que representam 42,18% dos créditos considerados para o quórum.

A participação supera o mínimo de um terço exigido nessa etapa, mas a companhia se comprometeu a obter, em até 90 dias a partir do ajuizamento, o apoio de titulares de mais da metade dos créditos abrangidos, necessário para a homologação judicial.

Os novos termos financeiros, inclusive os prazos de pagamento, ainda serão consolidados em uma versão atualizada do plano.

Na ata da reunião de 29 de outubro, o Conselho de Administração autorizou os gestores a "conduzir processos de reorganização ou renegociação de dívidas" e praticar os atos necessários à implementação das medidas aprovadas.

Produção e empregos no Ceará estão no centro da recuperação

A Aeris afirma que pretende manter a atividade industrial durante o processo. No comunicado ao mercado, a empresa declara: "Ficam preservadas as linhas de fornecimento necessárias às suas operações, que seguirão sendo conduzidas normalmente."

O plano também menciona a "manutenção dos empregos, da arrecadação de tributos e das relações comerciais vinculadas à atividade."

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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