Afiliada da Globo no Paraná aposta em venture para transformar empresas em líderes de mercado

A RPC, afiliada da Globo no Paraná, está entrando no mercado de venture capital. O grupo lançou a RPC Ventures, braço de investimentos que vai aportar recursos em empresas com produtos e serviços já validados e usar sua estrutura de comunicação para acelerar crescimento e vendas.
A iniciativa foi anunciada pelo empresário Mariano Lemanski, controlador da RPC, e terá Duani Reis como CEO da operação. A tese é investir em companhias que já encontraram espaço no mercado, mas ainda precisam ganhar visibilidade para ampliar participação e se tornar líderes em seus segmentos.
A iniciativa formaliza uma estratégia que a RPC já vinha colocando em prática de forma pontual. Agora, a operação passa a ter uma estrutura dedicada para realizar de dois a quatro investimentos por ano, combinando capital, mídia e apoio em gestão, governança e construção de marca.
"Nós percebemos que muitas empresas têm um produto validado, um serviço validado, mas não têm caixa para fazer um investimento grande em mídia. A oportunidade foi justamente trocar parte do que elas têm de ações por investimento em mídia", diz Duani Reis, CEO da RPC Ventures.
O primeiro ano será de estruturação da operação. Atualmente, quatro empresas estão em análise e a expectativa é concluir os primeiros investimentos entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A aposta é na comunicação
A tese da RPC Ventures parte da ideia de que muitas empresas já resolveram o problema do produto, mas ainda não conseguiram construir uma marca conhecida. Segundo Reis, esse tipo de negócio costuma encontrar dificuldades para investir milhões de reais em campanhas publicitárias, mesmo quando a exposição pode acelerar vendas.
"Aprendemos que, quando um produto é bem desenvolvido e utiliza a estrutura de mídia que temos, existem dois resultados: você fortalece a marca e cultiva as vendas."
O fundo poderá estruturar operações de diferentes formas. Em alguns casos, fará aportes de capital. Em outros, combinará recursos financeiros com mídia. Além da televisão, a RPC pretende utilizar outros ativos de mídia do grupo e parceiros para construir campanhas voltadas ao perfil de cada negócio.
"Nós temos uma classificação muito detalhada de audiência. Sabemos qual programa, qual horário e qual público fazem sentido para cada tipo de produto”, diz.
Quem pode receber investimento
A RPC Ventures não pretende investir em startups em fase inicial nem em empresas que ainda buscam validar seus produtos. O primeiro filtro é justamente encontrar negócios que já tenham encontrado mercado e preço para seus produtos.Outro critério é avaliar os empreendedores e a capacidade de gestão. "Queremos entender se existe governança para crescer, se o empreendedor tem potencial e se a empresa consegue absorver esse crescimento."
A RPC não pretende disputar clientes da própria operação comercial da empresa. O foco está em companhias que normalmente não contratariam grandes campanhas de televisão porque ainda não têm caixa para esse tipo de investimento.
"Não estamos procurando empresas que querem crescer muito rápido em um ano. Somos um capital paciente. Queremos construir boas histórias de empresas que foram impulsionadas pelas nossas competências."
A meta é realizar entre dois e quatro investimentos por ano. As oportunidades chegarão tanto por inscrições quanto pela prospecção da equipe comercial da RPC.
O fundo definiu como prioritários os segmentos de saúde, alimentos e bebidas, estética, construção, turismo, entretenimento, educação complementar, serviços financeiros, mercado pet e franquias. A escolha está relacionada aos setores que possuem maior aderência ao perfil de audiência dos diferentes canais de comunicação da RPC.
Mais do que vender mídia
Para a RPC, que soma 65 anos de história, a criação do fundo representa uma mudança na relação com as empresas investidas. Em vez de apenas comercializar espaço publicitário, o grupo passa a participar do crescimento dos negócios.
"É diferente de vender um espaço de mídia. Quando você se torna sócio, entra dentro do negócio para ajudar. Isso ensina muito para a gente sobre o que funciona e o que não funciona", diz Reis.
