Agência Internacional de Energia descarta normalização do mercado de petróleo em 2027
Diretor da AIE alertou em evento em Londres sobre o déficit na produção de diesel e criticou o esvaziamento da pauta climática às vésperas da COP31

O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), o turco Fatih Birol, declarou nesta terça-feira (20) que o mercado global de petróleo não tem "perspectiva crível" de voltar à normalidade ao longo de 2027. Diante de um possível agravamento das tensões de abastecimento, ele admitiu o acionamento de novas fatias das reservas estratégicas.
A avaliação foi feita em Londres, durante uma cúpula do jornal Financial Times focada em transição energética. "Pessoalmente, não vejo nenhuma perspectiva crível de que 2027 seja um ano de normalização do mercado do petróleo", ressaltou Birol.
Perguntado sobre a adoção de ações futuras, o chefe da AIE sinalizou que os governos poderão acessar mais estoques caso o cenário de oferta se deteriore. Ele pontuou que os 400 milhões de barris mobilizados a partir de março representam um volume expressivo, mas equivalem a apenas um quinto do total disponível. "Os 80% restantes permanecem em reserva", explicou o diretor da entidade, que é composta por 32 países membros dedicados a assegurar a segurança energética global.
O montante de 400 milhões de barris anunciado em março corresponde a 20% do volume superior a 1,8 bilhão de barris armazenados pela indústria e por nações devido a obrigações estatais. Até meados de outubro, a agência calcula que cerca de 330 milhões de barris dessa cota já haviam chegado aos mercados.
Preocupação com Diesel
Diante do aperto no fornecimento de diesel, os Estados membros optaram por antecipar a liberação dos "aproximadamente 100 milhões de barris restantes", colocando o combustível como prioridade.
O diagnóstico acompanha a previsão divulgada na última quarta-feira no relatório mensal da AIE sobre o setor petrolífero. O documento estimou que a retomada da produção global de diesel no começo de 2027 não será o bastante para cobrir o déficit registrado ao longo de 2026.
Durante o evento desta terça-feira, Birol também expressou preocupação com a perda de espaço do tema climático na política global, a despeito do aumento na quantidade e na força de eventos meteorológicos severos.
"Em um mundo normal, haveria mais atenção a isso, mas o interesse está diminuindo", pontuou o diretor. A declaração ocorre no momento em que a COP31 — a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, programada para iniciar oficialmente em novembro — já é alvo de críticas de entidades ambientais por uma suposta falta de ambição.
Com AFP
