Agenda oficial de Trump não prevê encontro com Flávio Bolsonaro nesta terça

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência do Brasil, está em Washington nesta terça-feira, 26, e busca um encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump.
A agenda do líder americano, no entanto, não prevê o encontro. Segundo o informe diário das atividades de Trump, enviado à imprensa, o presidente deverá passar a manhã realizando exames médicos anuais no Walter Reed Medical Center, nos arredores de Washington.
À tarde, ele terá três reuniões fechadas, cujos temas e participantes não foram revelados. É comum que Trump faça reuniões assim, sem detalhar quem serão os integrantes. A agenda oficial costuma destacar apenas nomes de peso, como chefes de Estado estrangeiros e grandes empresários.
De noite, no entanto, Trump estará em um jantar no Rose Garden Club, a partir das 19h (20h em Brasília). O evento, no jardim da Casa Branca, deverá ter algumas dezenas de convidados, e Flávio Bolsonaro poderia comparecer e possivelmente tirar uma foto com Trump.
Flávio não havia se posicionado sobre a viagem em suas redes sociais até a publicação desta reportagem. Nem sua assessoria nem a Casa Branca responderam aos pedidos de informação feitos pela EXAME.
A chegada do senador aos EUA foi confirmada por Paulo Figueiredo, aliado de Flávio e de seu irmão Eduardo. Ele, no entanto, disse que um encontro do candidato com Trump não foi confirmado.
"A campanha não confirmou (ou negou) essa agenda. A Casa Branca não confirmou (ou negou) a agenda. O que a imprensa vem publicando é mera especulação. De fato, Flávio Bolsonaro está em Washington, DC para uma série de reuniões de alto nível. O resto saberão em breve", disse Figueiredo, em um post na rede social X, na segunda-feira, 25.
Crise na pré-campanha
Na quinta-feira passada, integrantes da pré-campanha bolsonarista passaram a afirmar reservadamente que Trump teria convidado Flávio para uma reunião nesta semana.
A divulgação do suposto encontro entre aliados de Bolsonaro é vista pelo Planalto como uma tentativa, por parte da pré-campanha bolsonarista, de criar um fato novo que mitigue a crise em que a pré-campanha Flávio Bolsonaro se encontra após as revelações de sua relação próxima com Daniel Vorcaro e dos R$ 61 milhões que o banqueiro destinou à produção do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro.
Há, ainda, a percepção no Planalto de que Flávio e Eduardo Bolsonaro podem, além de pedir um apoio oficial de Trump nas eleições brasileiras, busquem, por exemplo, fazer lobby para que os Estados Unidos punam o Brasil no âmbito da investigação aberta pelo USTR na chamada seção 301. O processo, aberto no ano passado, investiga supostas práticas comerciais desleais do Brasil.
Planalto avalia a situação
Como a EXAME mostrou, o Palácio do Planalto não deverá agir para impedir a eventual reunião. Um auxiliar do presidente, afirmou, sob reserva, que a avaliação é de que o governo Trump tem proximidade ideológica com os Bolsonaros e que pode receber quem quiser. O encontro por si só não seria interpretado como uma intervenção nos assuntos domésticos do Brasil.
A boa relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, no entanto, é vista por pessoas do entorno do presidente como um fato relevante e um trunfo diplomático que reduz a margem de manobra para que os Bolsonaros consigam que o governo americano tome ações concretas que possam causar prejuízo ao Brasil.
No ano passado, o lobby feito pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo blogueiro Paulo Figueiredo junto a autoridades americanas em prol de sanções contra autoridades e pró-tarifaço contra exportações brasileiras foi visto como relevante para que as medidas fossem tomadas.
O cenário hoje é outro, avalia um auxiliar de Lula, em boa medida devido ao trabalho diplomático que permitiu estabelecer contatos entre os dois governos e, mais especificamente, entre os dois presidentes.
