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Inteligência ArtificialBDR
29/09/2026
5 min

Agentes de IA chegarão a 40% dos aplicativos corporativos até o fim de 2026, diz Gartner

Agentes deixam de ser apenas uma promessa e passam a integrar sistemas corporativos, alterando a forma como profissionais interagem com softwares

Agentes de IA chegarão a 40% dos aplicativos corporativos até o fim de 2026, diz Gartner

A presença de agentes de inteligência artificial em softwares corporativos deve crescer rapidamente nos próximos meses. Segundo o Gartner, até o fim de 2026, 40% dos aplicativos empresariais terão agentes de IA capazes de executar tarefas específicas. Em 2025, a previsão era de menos de 5%.

A mudança representa uma evolução em relação aos assistentes de IA, que normalmente dependem de comandos humanos para responder perguntas, gerar textos ou analisar informações. Os agentes podem receber uma tarefa, tomar determinadas decisões dentro de regras estabelecidas e executar etapas de um processo.

O avanço não significa que os profissionais deixarão de usar os aplicativos. A tendência apontada pelo Gartner é que parte do trabalho passe a ser executada pelo próprio software, com o funcionário assumindo funções de orientação, supervisão e validação.

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O que são agentes de IA?

Um agente de IA é um sistema capaz de realizar uma tarefa ou sequência de tarefas com determinado grau de autonomia. Diferentemente de um chatbot tradicional, que geralmente responde a uma solicitação, um agente pode planejar etapas e executar ações dentro de um ambiente digital.

Um exemplo seria um agente integrado a um sistema de atendimento. Em vez de apenas sugerir uma resposta para o funcionário, ele poderia consultar o histórico do cliente, identificar o problema, verificar informações em outros sistemas e encaminhar uma solução seguindo regras definidas pela empresa.

O Gartner diferencia esses agentes dos assistentes incorporados aos aplicativos. A empresa considera os assistentes uma etapa anterior, pois eles dependem mais diretamente da interação humana. Já os agentes específicos para tarefas conseguem executar processos de ponta a ponta.

Como a IA pode mudar os aplicativos usados no trabalho

A incorporação de agentes pode alterar a maneira como profissionais utilizam softwares de gestão, atendimento, vendas, recursos humanos e outras áreas.

Hoje, uma tarefa pode exigir que o funcionário abra diferentes sistemas, copie informações, faça uma análise e registre o resultado. Com um agente conectado aos sistemas necessários, parte dessas etapas pode ser automatizada.

O Gartner prevê ainda uma evolução para agentes colaborativos. Até 2027, um terço das implementações de IA agentic poderá combinar agentes com diferentes habilidades para lidar com tarefas mais complexas.

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Empresas já estão ampliando o uso de agentes

A previsão do Gartner ocorre em um cenário de expansão da tecnologia. Um estudo do IBM Institute for Business Value, realizado com 2 mil CEOs em 2025, mostrou que 61% dos executivos entrevistados afirmaram estar adotando agentes de IA e se preparando para implementá-los em escala.

Dados da Microsoft também apontam crescimento no uso. O Work Trend Index de 2026, baseado em sinais de produtividade do Microsoft 365 e em uma pesquisa com 20 mil trabalhadores que usam IA em dez países, registrou crescimento de 15 vezes no número de agentes ativos no ecossistema Microsoft 365 em um ano.

No ambiente corporativo, portanto, a discussão começa a mudar. Em vez de perguntar apenas quais ferramentas de IA um funcionário pode utilizar, empresas passam a avaliar quais processos podem ser executados por agentes.

O desafio é evitar agentes sem controle

A adoção também cria novos riscos. Um agente com acesso a sistemas corporativos pode executar ações que afetam dados, clientes ou processos internos. Por isso, permissões, supervisão e rastreabilidade se tornam elementos importantes.

O próprio Gartner prevê que 40% das empresas poderão rebaixar ou desativar agentes autônomos até 2027 devido a falhas de governança identificadas após incidentes.

Outro ponto é a integração. Para funcionar corretamente, um agente precisa acessar dados confiáveis e sistemas compatíveis. Sem essa estrutura, a automação pode apenas acelerar processos mal definidos.

Para o profissional, isso significa que o conhecimento sobre como trabalhar com IA tende a envolver mais do que saber escrever bons comandos. Também passa por entender quais tarefas podem ser automatizadas, como validar resultados e quais decisões ainda precisam de supervisão humana.

O Gartner projeta que, até 2029, pelo menos metade dos trabalhadores do conhecimento desenvolverá novas habilidades para trabalhar com, governar ou criar agentes de IA sob demanda.

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A expansão dos agentes também pode alterar o próprio mercado de software. Em outra previsão, o Gartner estima que até US$ 234 bilhões em gastos com aplicativos empresariais estarão expostos ao impacto da IA agentic até 2030, conforme agentes passem a executar tarefas entre diferentes sistemas.

Para os profissionais, a mudança mais imediata está na forma de interação com as ferramentas. O software deixa de ser apenas um ambiente no qual o usuário realiza cada etapa manualmente e passa, em alguns casos, a executar parte do trabalho solicitado. A velocidade dessa transformação dependerá da integração dos agentes aos sistemas, da qualidade dos dados e das regras estabelecidas pelas empresas.

AutorBianca Bezerra Pinto
FonteExame
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