Água em Marte? Rover da Nasa encontra novas pistas em rochas
Minerais encontrados na cratera Jezero ajudam cientistas a reconstruir as transformações ocorridas no planeta ao longo do tempo

O rover Perseverance, da Nasa, encontrou em Marte rochas que preservam sinais de diferentes episódios de contato com água no passado. A descoberta pode ajudar cientistas a reconstruir a história geológica do planeta e entender como era o ambiente marciano há bilhões de anos.
As análises foram realizadas na chamada Unidade Marginal, região localizada na borda interna da cratera Jezero. O robô chegou ao local em setembro de 2023 e encontrou carbonatos, minerais que, na Terra, costumam se formar em ambientes com águas rasas, como lagos e oceanos.
A região também revelou rochas ígneas, originadas pelo resfriamento do magma. Segundo informações divulgadas pela Nasana última segunda-feira, 21, elas preservam evidências de pelo menos três episódios de interação com água.
Rochas guardam pistas sobre a antiga água de Marte
Antes de o Perseverancechegar à região, observações feitas da órbita já haviam identificado carbonatos no local. Uma das principais hipóteses era que esses minerais tivessem se formado pela interação das rochas com o antigo lago que ocupava a cratera Jezero.
A exploração do terreno permitiu observar as formações mais de perto e encontrar diferenças conforme o rover avançava pela Unidade Marginal.
Nas áreas mais altas, foram identificadas rochas com grandes cristais de olivina, mineral composto por magnésio e ferro. Essas amostras apresentavam poucos sinais de alteração provocada pela água.
Os cientistas acreditam que elas tenham se formado a partir de magma no interior de Marte, que esfriou lentamente antes de chegar à superfície.
Água transformou minerais em áreas mais baixas
O cenário muda nas partes inferiores da região analisada. Nesses locais, os grãos de olivina aparecem fraturados, com presença de sílica entre eles. As características indicam que as rochas passaram por alterações após sua formação.
Esse processo chama atenção porque, na Terra, a interação entre água e olivina pode liberar hidrogênio, uma fonte de energia utilizada por alguns microrganismos.
A descoberta, porém, ainda não representa evidência de vida em Marte. Os minerais ajudam a identificar condições ambientais que podem ter existido no passado e os processos químicos ocorridos na presença de água.
SuperCam revela a composição das rochas
Parte das descobertas foi possível graças à SuperCam, instrumento instalado no mastro do Perseverance. O equipamento analisa a luz refletida pelas rochas para identificar os minerais presentes. Quando uma formação desperta interesse, os cientistas também podem utilizar um laser a uma distância de até 6,5 metros.
O disparo produz uma pequena quantidade de plasma. A análise da luz emitida permite determinar quais elementos químicos fazem parte da rocha. Esse método possibilita estudar diferentes formações sem que o rover precise entrar em contato direto com cada uma delas.
Descobertas ajudam a reconstruir o passado de Marte
As diferentes características encontradas na Unidade Marginal revelam uma história geológica complexa. As rochas ígneas oferecem pistas sobre antigos processos envolvendo magma, enquanto as alterações minerais registram momentos posteriores de interação com água.
A presença de carbonatos acrescenta outra peça a esse cenário. Na Terra, esses minerais podem se formar em ambientes aquáticos e preservar informações sobre as condições existentes durante sua formação.
Ao reunir essas evidências, os cientistas conseguem investigar como água, magma e transformações químicas moldaram essa parte de Marte ao longo do tempo.
