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Mundo
26/06/2026
3 min

AIEA pede sistema de verificação 'muito avançado' para conter programa nuclear do Irã

AIEA pede sistema de verificação 'muito avançado' para conter programa nuclear do Irã

O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo de paz pós-conflito recoloca no centro da diplomacia internacional a disputa sobre o futuro do programa nuclear de Teerã.

Em meio às tratativas, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que será necessário um sistema de fiscalização “muito avançado” para garantir que o país não avance na direção da construção de armas nucleares.

As discussões ocorrem em um momento de alta sensibilidade geopolítica, após ataques a instalações nucleares iranianas em 2025 e diante da incerteza sobre o destino do material enriquecido mantido pelo país. Para a AIEA, a fase pós-guerra exigirá um nível de monitoramento mais rigoroso do que o aplicado até agora.

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Pressão internacional por nova arquitetura de verificação

Durante entrevista no Japão, Grossi afirmou que o objetivo central do acordo em negociação é impedir qualquer possibilidade de desenvolvimento de armas atômicas pelo Irã. Segundo ele, o governo iraniano já declarou que não busca esse tipo de armamento, mas isso não elimina a necessidade de controle externo.

“As intenções não bastam. Precisamos implementar um sistema de verificação muito avançado o mais rápido possível”, afirmou o diretor da AIEA, ao defender que a confiança diplomática precisa ser acompanhada por mecanismos técnicos robustos de inspeção e monitoramento.

O dirigente também informou que a agência da ONU iniciou conversas preliminares com Teerã sobre o destino das reservas de urânio, em um processo que deve ganhar ritmo nas próximas semanas após um memorando de entendimento firmado com Washington.

Estoques de urânio e incertezas após ataques

Antes dos bombardeios realizados por Israel e pelos Estados Unidos em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas, a AIEA estimava que o país possuía cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível considerado próximo do necessário para uso militar, que exige 90% de enriquecimento.

Desde então, o destino desse material permanece indefinido. A falta de acesso dos inspetores internacionais a áreas atingidas pelos ataques aumentou a incerteza sobre a capacidade de rastreamento do programa nuclear iraniano.

A ausência de informações verificáveis sobre as reservas de urânio elevou a preocupação da comunidade internacional, especialmente em um cenário de fragilidade das inspeções da AIEA após os ataques de 2025.

Alternativas em discussão para o material nuclear

As negociações entre Washington e Teerã incluem propostas para reduzir o risco associado ao estoque de urânio enriquecido, como a diluição do material. Ainda assim, a AIEA avalia outras possibilidades técnicas para lidar com o inventário acumulado pelo Irã.

“Também poderia ser exportado diretamente. Isso poderia ser mais complicado, mas existem muitas alternativas técnicas para tratar este material”, disse Grossi, ao indicar que diferentes caminhos seguem em análise no âmbito diplomático e técnico.

Apesar da pressão internacional, o Irã mantém sua posição de que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis, ainda que o nível de enriquecimento e a falta de transparência sobre parte das atividades continuem alimentando tensões com potências ocidentais.

*Com AFP

AutorEstela Marconi
FonteExame
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