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Mundo
07/07/2026
4 min

Ainda condenada, Marine Le Pen anuncia candidatura à presidência

Ainda condenada, Marine Le Pen anuncia candidatura à presidência

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, anunciou nesta terça-feira, 7, sua candidatura à eleição presidencial em 2027. Le Pen tem uma condenação por desvio de recursos públicos que lhe impôs o uso de uma tornozeleira eletrônica durante um ano, mas uma decisão do Tribunal de Apelação de Parisb desta terça-feira reduziu a pena de inelegibilidade.

"Esta noite sou candidata à eleição presidencial", afirmou a líder do partido Reagrupamento Nacional (RN) à emissora TF1. Ela também anunciou um recurso contra a sentença que, em sua opinião, permitirá que ela faça campanha sem a tornozeleira eletrônica, ao suspender sua aplicação.

A política, de 57 anos, foi considerada culpada por utilizar recursos do Parlamento Europeu destinados à contratação de assistentes parlamentares para financiar funcionários do Reagrupamento Nacional.

Apesar da condenação ter sido mantida, a redução da pena abriu caminho para que ela mantenha seu projeto de disputar o Palácio do Eliseu.

Tribunal abre caminho para disputa presidencial

O Tribunal de Apelação de Paris condenou nesta terça-feira, 7, a líder da direita francesa, Marine Le Pen, por desvio de recursos do Parlamento Europeu, mas reduziu sua pena de inelegibilidade para 15 meses efetivos.

Com isso, a política permanece apta a disputar a eleição presidencial de 2027.

Os juízes concluíram que Le Pen, outros 11 réus e o RN utilizaram mais de 2,8 milhões de euros destinados ao pagamento deassistentes parlamentares para financiar funcionários da legenda.

Além da inelegibilidade, Le Pen foi condenada a três anos de prisão, sendo dois com pena suspensa. O ano restante será cumprido com tornozeleira eletrônica, em condições que ainda serão definidas pela Justiça. Ela também deverá pagar multa de 100 mil euros.

O tribunal considerou que Le Pen já cumpriu parte da pena de inelegibilidade desde a condenação em primeira instância, em março de 2025. Dessa forma, ela poderá registrar candidatura nas eleições presidenciais de 2027.

A líder do RN deixou o tribunal sem falar com a imprensa. Seu advogado, Rodolphe Bosselut, afirmou que a defesa analisará a decisão antes de definir os próximos passos.

Durante a leitura da sentença, a presidente do tribunal afirmou que agentes políticos devem cumprir padrões elevados de conduta. Já o advogado do Parlamento Europeu, Patrick Maisonneuve, disse que a decisão confirma o desvio de recursos públicos destinados à instituição.

Jordan Bardella ainda poderá disputar a presidência?

Caso Le Pen voltasse a ficar impedida de concorrer, o plano do partido seria lançar o presidente do RN, Jordan Bardella, de 30 anos, apontado como seu sucessor político. Os dois já haviam acordado que ele assumiria a candidatura caso a inelegibilidade fosse mantida.

Jordan Bardella: com 30 anos, o político se tornou líder do RN e sucessor de Marine Le Pen (Foto: Menahem Kahana / AFP) (Menahem KAHANA /AFP)

Criado em Saint-Denis, na periferia de Paris, Bardella ingressou no partido aos 16 anos e teve uma ascensão rápida. Tornou-se dirigente local aos 18, liderou a chapa do RN nas eleições para o Parlamento Europeu aos 23 eassumiu a presidência da legenda aos 27, sempre sob o incentivo de Marine Le Pen, que o transformou em seu principal protegido.

Segundo a The Economist, Bardella lidera uma estratégia para ampliar a base eleitoral do partido, combinando um discurso nacionalista, contrário à imigração e crítico às políticas ambientais e ao chamado movimento "woke".

Embora defenda que a Rússia representa uma ameaça à Europa, é contrário à entrada da Ucrânia na União Europeia e afirma que, no futuro, pretende retirar a França do comando militar integrado da OTAN.

Pesquisas citadas pela revista indicam que, caso fosse o candidato do RN, Bardella lideraria o primeiro turno da eleição presidencial e teria chances de vencer a disputa final.

Com informações da EFE e AFP

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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