Al Gore vê influência de Trump em queda e diz que democratas terão maioria no Congresso

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2007, Al Gore, afirmou, nesta sexta-feira, durante visita ao Chile, que o presidente americano,Donald Trump, perdeu influência política e avaliou que o Partido Democrata tem condições de conquistar a maioria nas próximas eleições legislativas de meio de mandato.
Em conversa com jornalistas internacionais, em Santiago, Gore declarou: "Acho que a influência de Trump está diminuindo muito neste momento".
A viagem ao Chile ocorre por causa da participação de Gore na 63ª edição do Treinamento do Corpo de Liderança do The Climate Reality Project, iniciativa criada por ele para reunir ativistas e lideranças ligadas às políticas climáticas.
Aos 78 anos, o democrata disse que a imagem de Trump "vem caindo muito, muito rapidamente" entre os americanos. Segundo ele, esse cenário é acompanhado por divisões dentro do movimento 'Make America Great Again' (MAGA), ligado ao presidente, e pelo afastamento de parte dos aliados políticos.
Com base nessa avaliação, Gore afirmou esperar uma mudança na composição do Congresso após as eleições legislativas de novembro. "Sou supersticioso, então bato na madeira, mas acho que o Partido Democrata vai recuperar o controle do Congresso", comentou.
O ex-vice-presidente também relacionou a postura de Trump sobre mudanças climáticas aos reflexos observados em outros países, especialmente na América Latina.
"Quando os Estados Unidos são liderados por um presidente hostil à ação climática, isso tem um certo efeito no resto do mundo. Um efeito negativo", disse.
Na avaliação de Gore, o posicionamento de Trump fortalece o discurso de autoridades que rejeitam políticas ambientais. "Acho que a oposição de Donald Trump à ação climática serve de respaldo ou cobertura para alguns políticos na América Latina que também se opõem à ação climática, mas que relutam em dizer isso publicamente", alegou.
Críticas à guerra no Oriente Médio
Durante a entrevista, Gore também criticou a condução da política externa do governo Trump. Segundo ele, a decisão de iniciar uma guerra com o Irã representou um "erro incrivelmente prejudicial", citando sua experiência como integrante do Conselho de Segurança Nacional e do Comitê de Inteligência dos Estados Unidos.
Ao comentar a possibilidade de um conflito envolvendo o Irã, Gore afirmou que o Estreito de Ormuz sempre esteve no centro das discussões estratégicas ao longo de sua trajetória no governo americano.
"Durante 47 anos, cada discussão sobre o Irã e a possibilidade de um conflito começava com foco no Estreito de Ormuz. Todas elas. Todo mundo no governo sabe disso", comentou.
Em seguida, ele relembrou uma declaração atribuída a Trump sobre o tema. "Quando lhe perguntaram a respeito, Trump disse: 'Não temos que nos preocupar, porque eles se renderão antes de terem a chance de fechar o estreito", acrescentou.
*Com informações da Agência EFE.
