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InvestMercados
21/07/2026
4 min

Além de Ozempic e Mounjaro: BTG vê década de crescimento no varejo farmacêutico

Além de Ozempic e Mounjaro: BTG vê década de crescimento no varejo farmacêutico

O mercado de varejo farmacêutico brasileiro não depende do sucesso das canetas emagrecedoras para continuar crescendo. É o que defende o BTG Pactual em relatório publicado nesta segunda-feira, 20. Segundo o banco, mesmo sem contar a receita gerada por remédios como Ozempic e Mounjaro, o setor segue como uma das histórias de crescimento estrutural mais consistentes do varejo do país.

Crescimento que já existia antes do boom das canetas emagrecedoras

De acordo com dados da IQVIA, Interfarma e Anvisa citados pelo BTG, o mercado farmacêutico brasileiro mais que triplicou em valores nominais na última década. O setor chegou a aproximadamente R$ 170 bilhões em faturamento em 2024-25.

Os medicamentos de prescrição médica seguem como o principal motor desse crescimento. Eles representam cerca de 65% do valor total do mercado. O banco destaca que essa demanda tem baixa elasticidade, o que garante uma base de receita resiliente mesmo em momentos de instabilidade econômica.

Fatores como o envelhecimento da população, o aumento de doenças crônicas e a ampliação do acesso a planos de saúde e a programas como o Farmácia Popular sustentam essa trajetória. O BTG projeta que o mercado farmacêutico brasileiro deve crescer entre 10% e 12% ao ano em 2025 e 2026, com desaceleração gradual para patamares de dígito único alto ao longo da década.

GLP-1 segue como impulso relevante para as farmácias

Isso não significa que os remédios para emagrecimento sejam irrelevantes. Pelo contrário. O banco reconhece que a chamada categoria dos análogos de GLP-1 segue como um dos vetores de crescimento mais importantes do setor no curto prazo.

O BTG estima que o mercado brasileiro de GLP-1, somando obesidade e diabetes, pode superar R$ 17 bilhões em 2026. Esse número representa cerca de um quarto de todo o crescimento projetado para o varejo farmacêutico neste ano. O avanço é puxado pela expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, e pela chegada de alternativas mais baratas, como a linha de canetas da EMS, além de futuros concorrentes como Sandoz e Ávita.

As margens brutas desses produtos ainda são baixas, em torno de 18% na fase inicial de venda. O banco projeta que elas devem convergir para cerca de 25% até o fim de 2026 e superar 30% no médio prazo, à medida que o mercado ganha escala e os fornecedores passam a competir mais entre si.

Outros vetores além das canetas emagrecedoras

O relatório do BTG também destaca outras frentes de crescimento que, segundo o banco, continuam pouco exploradas nas análises sobre o setor.

Os genéricos aparecem como um dos principais exemplos. Eles respondem hoje por cerca de 11% do valor do mercado, mas por uma fatia bem maior do volume de vendas. O banco vê espaço para essa penetração aumentar, à medida que mais moléculas perdem a proteção de patente e os programas de saúde pública priorizam alternativas mais baratas.

Os produtos de venda livre, ou OTC, também seguem em expansão. Eles representam aproximadamente um quarto das vendas do setor, impulsionados por hábitos de automedicação, prevenção e conveniência, principalmente em categorias como vitaminas e produtos para saúde digestiva.

Por fim, o banco chama atenção para a categoria de higiene, beleza e cuidados pessoais, conhecida como HPC. Redes como a Raia Drogasil têm se posicionado cada vez mais como varejistas de saúde e bem-estar, e não apenas como farmácias tradicionais. Segundo o BTG, essa mudança de mix tem sido um dos principais motores de expansão de margem do setor na última década, e deve continuar sendo relevante daqui para frente.

Para o banco, a soma desses fatores, somada à consolidação ainda limitada do setor em comparação com mercados mais maduros, reforça por que as farmácias brasileiras devem seguir entre as histórias de crescimento mais previsíveis da bolsa, com ou sem o efeito das canetas emagrecedoras.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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