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CiênciaCMDT
06/08/2026
3 min

Alergia ao amendoim? Estudo testa transplante 'diferente' como novo tratamento

Pesquisadores usaram bactérias benéficas do intestino para tentar restaurar a tolerância ao amendoim em pessoas com alergia grave

Alergia ao amendoim? Estudo testa transplante 'diferente' como novo tratamento

Pessoas com alergia ao amendoim podem, no futuro, contar com uma nova estratégia de tratamento baseada na microbiota intestinal. Em um estudo publicado na revista Science Translational Medicine nesta quinta-feira, 5, pesquisadores do Hospital Infantil de Boston observaram que parte dos participantes passou a tolerar quantidades maiores de amendoim após receber cápsulas contendo bactérias intestinais benéficas, em um procedimento conhecido como transplante de microbiota fecal.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores destacam que o estudo foi pequeno e ainda está em fase inicial. A terapia precisa ser avaliada em grupos maiores antes que possa ser considerada um tratamento para alergias alimentares.

Como funciona o transplante de microbiota fecal?

Apesar de ser popularmente chamado de "transplante fecal", o procedimento não consiste na transferência de fezes propriamente ditas.

Na prática, os médicos utilizam bactérias benéficas presentes namicrobiota intestinal de doadores saudáveis. Esses microrganismos são preparados em cápsulas para restaurar o equilíbrio da flora intestinal dos pacientes.

Segundo os pesquisadores, a ideia surgiu após estudos anteriores com camundongos indicarem que determinadas bactérias do intestino podem influenciar diretamente a forma como osistema imunológico reage aos alimentos.

O que mostrou o estudo?

Na primeira fase da pesquisa, dez jovens adultos com alergia grave ao amendoim receberam 36 cápsulas congeladas contendo bactérias intestinais benéficas ao longo de algumas horas.

Quatro meses depois, três dos dez participantes conseguiram consumir uma quantidade maior de amendoim antes de apresentar qualquer reação alérgica.

Em uma segunda etapa, cinco voluntários passaram por um tratamento com antibióticosantes de receber as cápsulas, com o objetivo de facilitar a colonização das novas bactérias no intestino.

Nesse grupo, três dos cinco participantes conseguiram ingerir mais de quatro amendoins antes de desenvolver sintomas, um desempenho superior ao observado anteriormente.

Como as bactérias ajudam a reduzir a alergia?

Os pesquisadores verificaram que os participantes que responderam melhor ao tratamento apresentavam níveis mais elevados de sais biliares, substâncias produzidas pelo fígado que auxiliam na digestão das gorduras.

As bactérias transplantadas demonstraram grande capacidade de modificar esses compostos, favorecendo o aumento de células do sistema imunológico responsáveis por ensinar o organismo a tolerar alimentos, em vez de identificá-los como uma ameaça.

Segundo Talal Chatila, também do Hospital Infantil de Boston, a alergia alimentar representa uma falha nesse mecanismo natural de tolerância, e a microbiota pode ajudar a restaurá-lo.

Tratamento ainda não é considerado uma cura

Atualmente, pessoas com alergia ao amendoim podem recorrer a medicamentos comanticorpos ou à imunoterapia oral para aumentar a tolerância ao alimento.

No entanto, segundo os pesquisadores, esses tratamentos normalmente precisam ser mantidos continuamente e, em alguns casos, os sintomas retornam após a interrupção da terapia.

Por isso, a equipe investiga alternativas que possam promover mudanças mais duradouras no funcionamento do sistema imunológico.

Diante disso, os cientistas já planejam uma nova fase dos estudos utilizando uma formulação mais concentrada e purificada apenas com as bactérias consideradas benéficas, sem a necessidade das cápsulas atualmente utilizadas.

A expectativa é que essa versão possa ser armazenada em geladeira comum e administrada em casa, sempre sob acompanhamento médico.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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