Alibaba quer ser mais agressiva para vencer a tecnologia CUDA, vista como o grande trunfo da Nvidia

AAlibaba abriu o código-fonte do software usado para programar seus chips de inteligência artificial, em uma tentativa de reduzir uma das principais vantagens competitivas daNvidia: o amplo ecossistema de desenvolvedores formado em torno da plataforma CUDA, conjunto de ferramentas criado pela empresa americana. A iniciativa busca diminuir o custo técnico de migração para processadores chineses, e não apenas competir em capacidade de processamento.
O anúncio foi feito pela T-Head, divisão de semicondutores da Alibaba, durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, a WAIC, realizada em Xangai. A empresa passou a disponibilizar gratuitamente o código completo do SAIL, arquitetura de software utilizada na linha de chips Zhenwu.
A estratégia procura enfrentar um obstáculo que vai além do desempenho dos processadores. Ao longo de cerca de 15 anos, oCUDA tornou-se uma ferramenta central no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, o que elevou o custo de uma eventual troca para plataformas concorrentes.
A T-Head afirma que programas desenvolvidos originalmente para o ambiente da Nvidia podem ser adaptados ao SAIL em menos de sete dias, com reaproveitamento de grande parte do código existente. A promessa de uma migração rápida tenta tornar os chips chineses mais atraentes para empresas que já investiram tempo e recursos no ecossistema da Nvidia.
“Desde a primeira linha de código, o SAIL seguiu uma filosofia centrada na experiência do desenvolvedor”, afirmou Gao Hui, vice-presidente da T-Head, durante o evento. A declaração indica que a empresa pretende competir pela facilidade de uso, além de ampliar a oferta de hardware.
A abertura do software também aproxima a Alibaba de uma estratégia já adotada por outras fabricantes chinesas. Em 2025, a Huawei tornou público o código do CANN, plataforma usada para desenvolver aplicações para os chips Ascend. A Moore Threads, outra empresa do setor, também vem ampliando ferramentas voltadas a desenvolvedores.
O movimento ocorre em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de processadores avançados para a China. Os controles limitaram o acesso de empresas chinesas aos chips mais potentes da Nvidia e estimularam investimentos locais em semicondutores, programas de desenvolvimento e modelos de inteligência artificial.
Alibaba amplia atuação em chips e produtos de IA
Em maio, a T-Head apresentou o Zhenwu M890, processador desenvolvido para aplicações com agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas compostas por várias etapas com menor intervenção humana.
Segundo dados divulgados pela empresa, a Alibaba havia enviado, até abril, 560 mil chips Zhenwu para mais de 400 clientes corporativos, distribuídos por 20 setores. Os números mostram que a estratégia da companhia já ultrapassou a fase de testes e passou a incluir aplicações comerciais em diferentes segmentos.
A expansão não se limita aos processadores. Durante o mesmo evento, a equipe responsável pelo Qwen, família de modelos de inteligência artificial da Alibaba, apresentou seus primeiros fones de ouvido com recursos de IA integrados.
A companhia também anunciou o Meoo Team, plataforma voltada à gestão de recursos e ativos durante o desenvolvimento de aplicações empresariais de inteligência artificial. A combinação de chips, software, modelos e dispositivos indica uma tentativa de controlar diferentes etapas da cadeia tecnológica.
A abertura do SAIL, porém, não elimina de imediato a vantagem da Nvidia. O CUDA reúne bibliotecas, ferramentas e uma comunidade de desenvolvedores formada ao longo de anos. A capacidade das empresas chinesas de atrair usuários dependerá da compatibilidade, da estabilidade dos sistemas e da disponibilidade de chips em escala.
A disputa, portanto, não será definida apenas pelo processador mais rápido, mas também pela plataforma que oferecer menor custo de adoção e maior facilidade para desenvolver e manter aplicações.