Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
Operação prevê venda de fatias de sete empreendimentos, mas depende de captação mínima de R$ 600 milhões pelo FII

A Allos (ALOS3), uma das principais administradoras de shopping centers do país, deu mais um passo para entrar em uma nova frente de negócios: a gestão de fundos imobiliários (FIIs).
A companhia anunciou, nesta sexta-feira (23), que firmou compromissos para vender participações em sete empreendimentos de seu portfólio ao Kinea Allos Malls (KAML11), veículo gerido pela Kinea Investimentos.
A operação, porém, ainda depende de uma condição importante: o fundo precisa captar pelo menos R$ 600 milhões em sua primeira oferta pública de cotas. A distribuição começou na quinta-feira (22) e poderá levantar até R$ 1 bilhão.
O tamanho da fatia vendida em cada shopping dependerá do volume final da captação. Em princípio, a transação envolve frações nos seguintes ativos:
| Shopping center | Participação prevista para venda |
|---|---|
| Shopping Metrô Santa Cruz | 49,5% a 70% |
| Caxias Shopping | 41% a 65% |
| Bangu Shopping | 8% a 18% |
| Shopping Parangaba | 20% a 29% |
| Plaza Sul Shopping | 9% a 22% |
| Shopping Villa Lobos | 6,5% a 12% |
| Shopping Tamboré | 5% a 7% |
Segundo a Allos, o cap rate (taxa de capitalização) médio da carteira é de aproximadamente 9,5%, calculado com base no resultado líquido (NOI, na sigla em inglês) dos shoppings em 2025.
A taxa de capitalização, cabe destacar, é um indicador que relaciona a renda operacional anual de um imóvel ao seu valor de mercado ou de aquisição.
O pagamento do fundo imobiliário à companhia será feito em duas etapas. Primeiro, o veículo desembolsará 80% do preço à vista, após o encerramento da oferta. Depois, quitará os 20% restantes em três parcelas iguais, com vencimentos em 24, 36 e 48 meses após o repasse inicial.
Allos também quer participação no fundo imobiliário
A operação, no entanto, não se limita à venda dos ativos. Na verdade, a Allos pretende deter até 24% das cotas do KAML11, percentual que dependerá dos procedimentos de alocação e de eventual rateio na oferta.
A parceria também prevê uma atuação conjunta na gestão do novo fundo. Inicialmente, uma subsidiária da Allos será responsável pela consultoria imobiliária do FII. Após obter a habilitação necessária para exercer a atividade de gestão, poderá assumir a cogestão do veículo ao lado da Kinea.
O acordo ainda estabelece que o KAML11 terá direito de primeira proposta sobre participações em shopping centers do portfólio da companhia. O fundo também poderá fazer futuras aquisições de ativos em conjunto com a Allos, respeitadas determinadas exceções.
